sexta-feira, 18 de maio de 2012

Catecismo III encontro -CREIO EM DEUS, PAI TODO PODEROSO


A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS: CRER (144/175)
A fé é um grande dom de Deus, necessário para a nossa salvação; e a resposta do homem à revelação divina é crer no Ele nos falou. Faz-se necessário destacar que a Palavra de Deus (Dabar/Logos) é se equivale a ação de Deus. E Deus Disse. Gen 1. 
Fé dom de Deus doado ao homem
1.Pela fé podemos conhecer muitas coisas sobre Deus. Sabemos com toda certeza o que Deus existe porque - mediante as coisas criadas - pode-se chegar a demonstrar a Sua existência. Mas existem questões fundamentais para o homem: como é Deus em si mesmo?, quem é Jesus Cristo?, o que há depois da vida?, questionamentos estes que não podem chegar a conhecer-se, ainda que se pense muito neles, se Deus não os tivesse revelado. Nós os conhecemos pela fé..
2. O que é a fé? A fé é uma virtude sobrenatural. Pela fé cremos em Deus e em tudo o que Deus nos revelou. Como o motivo que nos move a crer é a autoridade divina - não a evidência das verdades reveladas -, a inteligência do homem não está determinada a 3.
A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ – II Seção
O Credo, resumo das verdades que devemos acreditar.
 Desde o princípio os crer, e crê livremente, movida pela graça de Deus.  Desde o principio os cristãos dispuseram de Símbolos ou Fórmulas de fé, que resumiam o ensinamento da Revelação divina. Ocupam um lugar particular na vida da Igreja o Símbolo dos Apóstolos e o Símbolo de Nicéia-Constantinopla. 186/187
1. Essência do Símbolo da fé. 190
Creio em Deus Pai, em Deus Filho, em Deus Espírito Santo.
Creio na Santíssima Trindade.
Creio em Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro.
Creio que Santa Maria é a Mãe de Deus de nossa Mãe.
Creio, Senhor, mas aumenta minha fé.
Creio que a Igreja Católica é minha Mãe.

CREIO EM DEUS, PAI TODO PODEROSO
As primeiras palavras que dizemos no credo são: "Creio em Deus, Pai todo poderoso" (Símbolo dos Apóstolos), ou "Creio em um só Deus, Pai todo poderoso" (Símbolo de Nicéia-Constantinopla).
2. A profissão de fé cristã começa por Deus.  Deus é o princípio e o fim de todas as coisas. E começa por Deus Pai, por que Deus Pai é a primeira pessoa da Santíssima Trindade. Deus cuida com a sua providência de todas as coisas, mas especialmente cuida do homem. É nosso Pai do céu; em conseqüência, somos seus filhos: somos filhos de Deus! Jesus nos ensinou a rezar: "Pai Nosso, que estás no céu" (Mateus 6,9).

3. Creio em um só Deus. Esta é a grande verdade, a verdade absoluta: Deus é um e único, não há mais de que um só Deus. Iahwéh já o tinha manifestado ao povo de Israel: "Escuta Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força" (Deuteronômio 6,4-5), e pelo ensinamento do Filho de Deus sabemos que o Deus único em essência existe em três pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo. 199
4. O nome de Deus. Deus revelou Seu nome: "Eu sou o que sou" (Êxodo 3,14), Iahwéh. Quer dizer, Deus é, Deus é o que existe por si mesmo, sem depender de ninguém, princípio sem princípio, razão de ser de tudo o que é, origem de tudo, causa de tudo, fonte de todo ser, ser soberano, ser supremo: Deus! Jesus Cristo é quem revelou o conteúdo deste Nome, com um sentido novo: Deus Pai. 203/220
5 Deus Pai. A afirmação da paternidade divina é o primeiro artigo do Símbolo e inicia a confissão da fé no Mistério Trinitário. A revelação da paternidade de Deus no mistério inefável da Trindade de pessoas na única essência, nos facilita o caminho para compreender que Deus é também nosso Pai. Mas jamais o teríamos imaginado, se Deus não nos tivesse revelado.; nossa filiação em relação a Deus é por adoção, mediante o dom sobrenatural da graça que Deus nos infunde no Batismo.  232/237
6.  O Mistério da Trindade: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, único Deus, única essência, em três pessoas realmente distintas. Junto com a confissão da fé em Deus Uno e Trino, proclamam-se também o Mistério da Encarnação, que é realizado pelo Filho de Deus, para redimir os homens, e o Mistério da Santificação, que se atribui ao Espírito Santo. O segredo divino mais importante da Fé que Jesus Cristo nos revelou é o MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE. Jesus falou de seu Pai, que é Deus; do Espírito Santo, que também é Deus; e afirmou que ELE E O PAI SÃO UMA MESMA COISA (João 10,30), porque é o Filho de Deus. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são um único Deus -não três deuses - porque tem a mesma natureza divina, ainda que sendo três Pessoas realmente distintas. Que Deus é UM em essência e TRINO em pessoas é a revelação de sua vida íntima, maior e mais profundo de todos os mistérios; além de ser o mistério fundamental de nossa fé e de nossa vida cristã. Temos de procurar conhece-Lo e vive-Lo! O Credo, ou Símbolo é a explicação do mistério trinitário: o que Deus é e o que fez por suas criaturas ao criá-las, ao redimi-las e ao santificá-las. 238/267
6. Deus Pai todo poderoso. A onipotência, posto que vai falar da criação, que é obra de poder e se atribui ao Pai. Deus é Deus, onipotente e clemente, que está próximo de nós com Sua Providência, para ajudar-nos. 268/274
DEUS CRIOU O MUNDO POR AMOR
"No princípio, Deus criou o céu e a terra" (Gênesis 1,1). Assim começa a Bíblia, e o primeiro capítulo do Gênesis relata de maneira gráfica como Deus criou o mundo. Sem utilizar nenhum material pré existente, sem nenhum instrumento, Deus foi criando todas as coisas: o céu e a terra, os animais e as plantas... e por último o homem. Deus criou o mundo do nada. A criação inteira é fruto do amor e onipotência de Deus: as coisas pequenas - ervas e insetos -, e as grandes: o sol, a lua, os sistemas planetários, as nebulosas, os mares.... O ser mais perfeito da criação visível é o homem. E Deus continua cuidando e governando tudo com Suas leis. Que linda é a Criação! Ao contempla-la é fácil dar glória e louvor a Deus. É tanta a dignidade do trabalho humano, que, como diz a Sagrada Escritura, o homem foi criado liderar sobre a criação de um modo inteligente. Afirmar que Deus é criador o mundo, tal como se confessa no Credo: "Creio em Deus, Pai Todo Poderoso, Criador do céu e da terra".  279
7. Deus criou o mundo do nada. Com um só instante de Seu querer e tudo criou do nada. Antes de que Deus tudo criasse, não existia nada.
8. Deus criou tudo para Sua glória e honra.  Ao contemplar a grandeza do mundo  nos maravilhamos e louvamos a Deus, autor de tudo. O mundo é uma manifestação da perfeição divina, um reflexo do que Deus é. 293
9. Ter confiança em Deus. O conhecimento da Providência que Deus exerce sobre o mundo e sobre cada um de nós, deve levar-nos a uma decisão confiada de pormo-nos em Suas mãos, para que de verdade e para sempre seja Ele a fonte de nossa serenidade, segurança e alegria. 302

10. Deus Criou os Anjos. Na Sagrada Escritura encontram-se muitas passagens nas quais vemos a intervenção dos anjos: ao nascer Jesus um anjo anuncia aos pastores a boa notícia; o arcanjo Rafael aparece na história de Tobias, e o arcanjo Gabriel é quem anuncia à Virgem que Deus quer que ela seja Sua Mãe; outro anjo tira Pedro do cárcere; etc. 328
11. A proteção dos Anjos da Guarda. No Antigo Testamento há um livro muito bonito, no qual se narra que Tobias devia fazer uma longa viagem, cheia de perigos. Então, busca um companheiro de viagem, e Deus envia o arcanjo Rafael que o acompanha e lhe mostra o bom caminho, devolvendo-o feliz a sua casa. Nós também vamos a caminho do céu; neste caminho existem muitos perigos para a nossa alma e o nosso corpo. Deus nos dá um companheiro de viagem que está sempre a nosso lado, ainda que não o vejamos: é o Anjo da Guarda. Nosso Anjo nos ama como o melhor dos amigos, nos protege dia e noite, e nos fala ao coração convidando-nos a fazer as coisas boas. Quando rezamos, ele apresenta nossa oração a Deus.
12. Deus criou o Homem livre e responsável. Após Deus ter criado todas as coisas, criou o homem: Adão e Eva, de quem todos descendemos. Deus cria a todos os homens. A alma é o que dá vida ao corpo. Tudo isto quer dizer que cada um de nós fomos criados por Deus. 355
13. Deus criou o homem com corpo e alma. O livro do Gênesis nos diz que Deus formou o corpo do homem "do barro da terra", e lhe soprou no rosto "alento de vida".
14. A "imagem e semelhança" de Deus. 356/362
A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. Por ter sido criado à imagem de Deus, o ser humano tem a dignidade de PESSOA.
O HOMEM É UM SER INTELIGENTE. O homem pode pensar e expressar seu pensamento.
O HOMEM É UM SER LIVRE. O homem pode escolher; pode fazer uma coisa ou outra; pode fazer o bem ou o mal, pode cumprir ou não as leis que o Senhor lhe deu.
O HOMEM É REI E SENHOR DO UNIVERSO. Deus entregou o mundo ao homem para que o submetesse e transformasse
O HOMEM É IMAGEM DE DEUS, SOBRETUDO, PELA GRAÇA. A graça recebida no  Batismo o faz participantes da natureza divina, elevando- nos à filho de Deus.
15. O homem é responsável por seus atos
A matéria carece de responsabilidade. Os animais também não são responsáveis. Só o homem é responsável do que faz.
16. Cumprir sempre a vontade de Deus. 374
17. A Desobediência. Deus criou Adão e Eva, os encheu de dons sobrenaturais e preter naturais e os colocou no paraíso terrestre. Aí, eram muito felizes: eram amigos de Deus e não sofriam nenhum mal; trabalhavam sem cansar-se. Depois de ser felizes na terra, passariam - sem morrer - a gozar de Deus para sempre, no céu. Mas Adão e Eva cometeram um pecado gravíssimo: o pecado original.
18. Tentados pelo demônio, pai da mentira, Adão e Eva desobedeceram a Deus e pecaram. Foi um pecado de soberba, pois quiseram ser como Deus, e se submeteram ao demônio. Com este pecado perderam a amizade divina (graça), quebrada a harmonia interior, sentiram a inclinação ao mal. Ficaram submetidos à concupiscência - inclinação ao pecado -, que não é pecado, mas incita ao mal. 391
4. Os homens nascem com este pecado e sofrem suas conseqüências. 396
6. Deus teve piedade dos homens e lhes prometeu um Redentor. Apesar do pecado, Deus se compadeceu dos homens e lhes prometeu a futura redenção: prometeu que do gênero humano sairia um Redentor - Jesus Cristo -, que salvaria a humanidade do pecado e de suas conseqüências.
Bibliografia
Autor: Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela
Fonte: Livro "Curso de Catequesis" do Editorial Palavra, España
Tradução: Pe. Antônio Carlos Rossi Keller







DGA - Diretrizes de Evangelização - 2011/2015

O que são as Diretrizes?
As Diretrizes Gerais, nomeadas pela sigla “DGAE”, são feitas a cada quatro anos e norteiam todos os planos diocesanos de pastoral, ou seja, apontam os rumos da ação evangelizadora no Brasil. O planejamento pastoral começou há quase 50 anos em nosso país, com um Plano de Emergência, que nos anos seguintes tomou o nome de “Pastoral de Conjunto”, “Pastoral Orgânica”, e, por fim, “Diretrizes Gerais”. Todos esses nomes atenderam a uma só finalidade: planejar a ação da Igreja como um corpo unido, ligado à Santa Sé, porém voltado para a realidade própria do Brasil. Um testemunho de unidade, porém respeitando as diferentes situações das dioceses nesse imenso país. As diretrizes não são normas, não são estatutos para serem obedecidos, mas também não são meras sugestões. Elas entendem acolher, e colocar, em palavras, o sopro do Espírito Santo. Pretendem ser expressão da encarnação do Reino de Cristo, na nossa história atual. E, nessa medida, nos obrigam, sim, a conhecê-las a fundo e moldar a nossa ação evangelizadora diocesana no rumo por elas apontado.
Um plano de “urgências”
As novas Diretrizes não são exatamente uma novidade. Elas retomam as diretrizes anteriores, que já estavam ajustadas com o Documento de Aparecida. Mas desde a Conferência de Aparecida (2007) já passaram quatro anos, muito progresso foi feito, há também dificuldades que vão surgindo. Por isso é preciso aprofundar, fazer novas escolhas, repropor as mesmas prioridades com outros acentos. Nesse meio tempo aconteceu o Sínodo da Palavra de Deus e a Exortação do Papa Bento XVI, a Verbum Domini, repleta de novas inspirações. Há uma percepção de que a cultura atual, a sociedade, a nossa gente, os comportamentos, os relacionamentos, e a própria fé, passam por uma transformação tão rápida e profunda, que é urgente também uma nova maneira de evangelizar. Há um fato contraditório: uma parte do mundo foge da religião, há posturas fortes contra a Igreja, um vale-tudo moral escancarado. Por outro lado, há uma procura também forte pela religião, mas por uma religião de milagres e prodígios, sem amor a Deus e ao próximo, sem ligar para a salvação em Cristo, o que vale é a prosperidade, a saúde física e afetiva. Há religiões fechadas em si mesmas, de crença cega, pouco racionais. Nesse contexto, há muitos dos nossos cristãos que desanimam, ou trocam de religião por bobagem, por não estarem muito comprometidos. O urgente, na visão das Diretrizes, não é a gente se afastar do mundo, da sociedade, e de seus problemas, mas buscar uma base mais sólida da nossa fé, para evangelizar com novo entusiasmo e com clareza de propostas.
Marcas do Nosso Tempo
Para evangelizar, o discípulo missionário precisa conhecer a realidade, perscrutando-a com olhos de fé, em atitude de discernimento (17). Dada a complexidade da realidade, seu conhecimento implica uma evangélica visão crítica, condição para uma ação eclesial assentada em fundamentos sólidos (18).
Característica marcante de nosso tempo são mudanças profundas, de caráter global, atingindo tudo e a todos (19). A crise de referenciais de sentido, critérios de juízo, de valores, deixa as pessoas estressadas e desnorteadas. Daí o surgimento, de um lado, do relativismo e, de outro, do fundamentalismo, bem como de um laicismo militante (20).
São cinco as “urgências na evangelização”, apontadas nas Diretrizes Gerais. Mas antes há um ponto de partida, sem o qual as propostas ficam sem nexo. Penso que todas as nossas lideranças, desde o padre, o diácono, os ministros, catequistas, as coordenações dos movimentos, as pastorais, vão estudar, juntos esse texto que nos coloca em sintonia com toda a Igreja. Mas faço aqui um resumo, não para substituir a leitura, mas para despertar o apetite dos Conselhos Paroquias de Evangelização, na busca de novos desafios.
Partir de Jesus Cristo
Em tempo de transformações radicais, faz-se necessário “voltar às fontes”. Assim, o ponto de partida para toda a evangelização é voltar a Jesus Cristo, recomeçar a partir dele. O que é que nele nos encanta? O que nos faz arder o coração? O que nos faz deixar tudo de lado para afirmar um amor incondicional a Ele? Como Ele se apresenta nos evangelhos? Há duas coisas que resumem o que há de mais decisivo em Jesus: estar voltado para os outros, para os discípulos, para os mais pobres, para os irmãos, e o oferecimento generoso de sua própria vida, que tem a sua expressão máxima na cruz. Em tempos de forte individualismo, de culto de si mesmo, de procura de satisfação pessoal, esse lado de Jesus desaparece por completo. Não há mais amor a Deus e ao próximo, perdão aos inimigos, nem comunhão de vida com os irmãos. As cinco
“Superar o medíocre pragmatismo da vida quotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas, na verdade, a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez” (DAp )
DGAE – DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA 2011-2015 (CNBB)
urgências nos ajudam a voltar a Jesus Cristo com amor renovado.
1ª urgência – Igreja em permanente estado de missão – Quem se apaixona por Jesus Cristo deve igualmente transbordar Jesus Cristo, no testemunho e anúncio da sua mensagem. E isso é urgente por causa da grande desinformação e até deformação da sua imagem, e da sua proposta nos dias de hoje. E os primeiros interlocutores desta missão somos nós mesmos, na medida em que estamos também nesse turbilhão de transformações. É urgente, porque o mundo que se afasta de Cristo e do seu Reino, começa perigosamente a destruir-se: aí estão a violência, a corrupção, o desrespeito, ameaças à vida e à convivência. Cada comunidade deve se perguntar: quais os grupos humanos que mais precisam da boa nova do evangelho: os afastados da igreja? Os jovens? Os doentes? Os presos? Moradores de rua? Não basta constatar, é preciso ir ao encontro deles: visitas aos locais de trabalho, moradias de estudantes, periferias, assentamentos, prisões, hospitais, visitação permanente nas casas. O nosso projeto missionário diocesano está caminhando. Mas, e nas paróquias e comunidades, como viver em permanente missão?
2ª urgência – Igreja: casa da iniciação à vida cristã – Antigamente se tinha como pressuposto que as crianças aprendiam a religião na família. Não havia necessidade de preparação para o batismo. A catequese era breve e já estava feita a “iniciação”, quer dizer a preparação para o encontro com Cristo, para a vida toda. Hoje não é mais assim. A preparação imediata ao batismo e ao matrimônio acaba tendo pouco efeito. É preciso retomar a iniciação em todas as fases da vida, refazendo, fortalecendo e renovando o conhecimento e a convivência com Cristo em cada etapa. Daí a necessidade de uma catequese geral, básica para todos, e ainda uma formação mais especializada para aqueles que assumem o trabalho da evangelização. Uma catequese permanente. Voltar a Jesus Cristo, nesse caso, se faz com estudo, dedicação à Palavra de Deus, liturgia bem preparada e vivida como encontro vivo com Cristo. Criar ocasiões, lugares e horários diversificados em que a comunidade ofereça a formação a todos os grupos, com pessoas preparadas para isso. Como organizar essa catequese geral em cada comunidade?
3ª urgência – Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral Bíblia na mão e no coração – A Exortação Verbum Domini, do papa Bento XVI não deixa dúvida de que só será possível voltar a Jesus Cristo, Palavra de Deus encarnada, se tivermos intimidade com a Palavra de Deus escrita, a Bíblia. Bombardeados o tempo todo por questões que desafiam a fé, a ética e a esperança, precisamos estar familiarizados com a Palavra de Deus, para nos manter firmes, e converter os corações daqueles que nos questionam. Começa que nem todos têm a Bíblia, sobretudo os mais pobres. É possível nos movermos para oferecer a todos a Sagrada Escritura? E tendo a Bíblia, como utilizá-la? Aí é que entra a Paróquia como formadora de multiplicadores do conhecimento bíblico, nos grupos de reflexão permanentes. Os leigos que cursaram, ou estão cursando o nosso Curso de Teologia, estão pondo em prática os seus conhecimentos na comunidade? É possível fazer de cada comunidade uma escola de interpretação e conhecimento da Palavra? Nesse ponto, a preparação de bons leitores para a Liturgia, e também uma homilia bem preparada, têm sempre bom resultado.
4ª urgência – Igreja: comunidade de comunidades - O Documento de Aparecida fala em “setorização das Paróquias” e “rede de comunidades”. Lembro-me de que esse ponto foi proposto em nossa Assembleia Diocesana, mas não sabíamos por onde começar. Agora vão-se aclarando caminhos. Sempre foi claro para nós que sem vida em comunidade não há como viver a proposta cristã. E de fato existem muitas formas de pequenas comunidades, dentro da grande comunidade que é a Igreja. Os movimentos, os grupos de reflexão e de oração, os grupos por faixa etária – jovens, idosos, casais e outros – formam pequenas comunidades de vida que realmente ligam e comprometem os que delas participam. Mas há uma grande parcela que vive na grande comunidade, sem vínculos fraternos fortes. Vêm à missa, cumprem corretamente os preceitos, e vão pra casa, sem criar laços mais profundos. O primeiro desafio é aproximá-los de uma experiência comunitária mais forte. O segundo desafio – é feio reconhecer! – é superar certos conflitos, competições, ciúmes, isolamentos, que ainda existem entre certos grupos, para formar uma verdadeira rede de comunidades muito unidas, apesar de suas peculiaridades. É possível articular uma pastoral de conjunto, bem planejada, que promova a partilha e a comunhão em todos os níveis?
5ª urgência - Igreja a serviço da vida plena para todos – Última urgência das Direrizes, não por ser menos importante, mas por ser decorrente de todas as outras. Ela é importante, como a colheita no final de todas as etapas do trabalho do agricultor. É a prova dos nove da fé. “O Evangelho da vida está no centro da mensagem de Jesus” já dizia o beato João Paulo II. Não vamos voltar a Jesus sem o compromisso forte com a dignidade da vida, desde a vida não nascida, passando pelas condições de vida dos excluídos e ignorados em sua dor, até o abandono dos idosos. A vida ceifada cedo pela droga, pela violência, a ignorância, a vida dos seres humanos tratados como objetos, na prostituição e na exploração do subemprego. O desprezo à vida é tão frequente que já achamos normal. E achamos que a nossa vida cristã está perfeita, quando recebemos a santa comunhão com devoção, e ponto. Nossa Diocese está dando um passo decisivo, na linha de uma ação social organizada, por meio da Cáritas, mas esse é só um aspecto. Chegar ao ponto de cada cristão ficar com a consciência ferida, acaso não tenha praticado ao menos um gesto corajoso de amor a cada dia.