quinta-feira, 15 de março de 2012

Catecismo da Igreja Católica

Encontro de Formação
Paroquia nossa Senhora das Mercês.
          Em preparação para o Ano da Fé.

A Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério.
O Concílio Vaticano II na Constituição Dei Verbum ensina que “a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura, constituem um só Sagrado Depósito da Palavra de Deus confiado à Igreja” (n. 10). O mesmo documento define uma e outra fonte da revelação divina: “A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus enquanto é redigida sob a moção do Espírito Santo; a Sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos para que, sob a luz do Espírito de verdade, eles por sua pregação fielmente a conservem, exponham e difundam” (n. 10).

Por Magistério da Igreja, entende-se seja o oficio de guardar, interpretar e ensinar autenticamente a Palavra de Deus, sejam aqueles por instituição divina, detém, na Igreja, este ofício, ou seja, o Papa, Bispo de Roma, Sucessor do Apóstolo São Pedro, e os demais Bispos, Sucessores dos Apóstolos, em união com o Papa. O Oficio de ensinar funda-se também em fontes documentais. As mais relevantes são, pois: o Catecismo, o Código de Direito Canônico, os documentos papais, os documentos das autoridades eclesiásticas; os documentos conciliares e todos os textos de santos da Igreja, bem como os textos de seus doutores devidamente aprovados.


O Catecismo da Igreja Católica

1.   Breve História
Ao invés de perguntamos sobre o que é o catecismo, deveria se perguntar exatamente o que ele não. Ou seja, o catecismo não é um livro, não é conjunto de doutrinas, não é uma enciclopédia de termos e conceitos. Mas, é um caminho que nos fundamente a nossa experiência de fé. O catecismo deve nos oferecer uma doutrina clara, mas antes de tudo deve nos ensinar a viver como Jesus Cristo.  é um instrumento que nos auxilia no processo de transfiguração pessoal de cada cristão.

A história diz catecismo, nem sempre existiu como livro, designava Primitivamente, designava a instrução dos catecúmenos, e o exame de religião que deviam prestar antes do batismo.

Verdade é que, na Alemanha, a primeira obra catequética, com o título de “Catecismo”, se deve ao humanista e reformador protestante André Altahamer. Publicou-a em 1528, na cidade de Nuremberg. Em 1529 editava Lutero seus dois catecismos, cujo valor didático excedia, e em todos os pontos de vista, ao de Althamer e outros reformadores. Consta que, por ocasião da Dieta de Augsburgo, em 1530, os católicos compuseram também um catecismo, do qual já não existe nenhum exemplar. O primeiro catecismo católico na Alemanha, do qual temos notícia certa, é o do jesuíta Jorge Wicelius, impresso cinco anos mais tarde, em 1533.
Cumpre notar que só na Alemanha existe, propriamente, uma prioridade cronológica a favor dos protestantes. Nas missões da América, como se verá mais adiante , houve catecismos católicos do feitio atual, que são anteriores a Althamer e Lutero.

Não cabe, pois, a Lutero, nem aos demais reformadores, a criação formal do Catecismo. Com efeito, Lutero só lhe usurpou o nome. Quanto à matéria, chegou até a inspirar-se diretamente em antigas tradições da Igreja. Seu pequeno Catecismo contém a explicação dos Mandamentos, do Símbolo, do Pai-Nosso, do Batismo e da Eucaristia.

Ora, desde que Santo Tomás de Aquino, em 1256, expôs em cinco opúsculos separados o Credo, o Pai- Nosso, a Saudação Angélica, o Decálogo e os Sacramentos, não é temerário dizer-se que já havia uma ordem tradicional de matérias.

Mas o primeiro catecismo propriamente dito foi elaborado por ordem do segundo Sínodo Provincial de Lavaur, em 1368. Inspirando-se nos opúsculos de Santo Tomás, expõe, para uso do clero, o nexo orgânico dos principais artigos da fé. Precursor remoto do Catecismo Romano, o manual de Lavaur teve várias edições, mas nenhuma delas chegou até nós. “Catechismus Vaurensis” é o título, pelo qual costuma ser citado em estudos bibliográficos

2.      O Concilio Vaticano II
V. Fim principal do Concílio: defesa e difusão da doutrina
1. O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz.
2. Essa doutrina abarca o homem inteiro, composto de alma e corpo, e a nós, peregrinos nesta terra, manda-nos tender para a pátria celeste.
3. Isto mostra como é preciso ordenar a nossa vida mortal, de maneira que cumpramos os nossos deveres de cidadãos da terra e do céu, e consigamos deste modo o fim estabelecido por Deus. Quer dizer que todos os homens, tanto considerados individualmente como reunidos em sociedade, têm o dever de tender sem descanso, durante toda a vida, para a consecução dos bens celestiais, e de usarem só para este fim os bens terrenos sem que seu uso prejudique a eterna felicidade.
4. O Senhor disse: « Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça » (Mt 6, 33). Esta palavra « primeiro » exprime, antes de mais, em que direção devem mover-se os nossos pensamentos e as nossas forças; não devemos esquecer, porém, as outras palavras desta exortação do Senhor, isto é: « e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo » (Mt 6, 33). Na realidade, sempre existiram e existem ainda, na Igreja, os que, embora procurem com todas as forças praticar a perfeição evangélica, não se esquecem de ser úteis à sociedade. De fato, do seu exemplo de vida, constantemente praticado, e das suas iniciativas de caridade toma vigor e incremento o que há de mais alto e mais nobre na sociedade humana.
5. Mas, para que esta doutrina atinja os múltiplos níveis da atividade humana, que se referem aos indivíduos, às famílias e à vida social, é necessário primeiramente que a Igreja não se aparte do patrimônio sagrado da verdade, recebido dos seus maiores; e, ao mesmo tempo, deve também olhar para o presente, para as novas condições e formas de vida introduzidas no mundo hodierno, que abriram novos caminhos ao apostolado católico.
6. Por esta razão, a Igreja não assistiu indiferente ao admirável progresso das descobertas do gênero humano, e não lhes negou o justo apreço, mas, seguindo estes progressos, não deixa de avisar os homens para que, bem acima das coisas sensíveis, elevem os olhares para Deus, fonte de toda a sabedoria e beleza; e eles, aos quais foi dito: « Submetei a terra e dominai-a » (Gn 1, 28), não esqueçam o mandamento gravíssimo: « Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás » (Mt 4, 10; Lc 4, 8), para que não suceda que a fascinação efêmera das coisas visíveis impeça o verdadeiro progresso. (Discurso de sua Santidade Papa João XXIII na Abertura do Solene SS. Concílio 11 de Outubro de 1962)

3. Um Apelo do Conselho Vaticano II

O Concílio Vaticano II ((1962-1965) foi um dos mais importantes eventos da Igreja católica nos últimos anos,
“Neste espirito, a 25 de janeiro de 1985, convoquei uma Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, por ocasião do vigésimo aniversário do encerramento do Concilio. A finalidade desta Assembleia era celebrar as graças e os frutos espirituais do Concilio Vaticano II, aprofundar o seu ensinamento para aderir melhor a ele e promover o conhecimento e a aplicação do mesmo. Nessa ocasião, os Padres sinodais afirmaram: “Muitíssimos expressaram o desejo de” que seja composto um Catecismo ou compendio de toda a doutrina católica, tanto em matéria de fé como de moral, para que ele seja como um ponto de referencia para os catecismos ou compêndios que venham a ser preparados nas diversas regiões. A apresentação da doutrina deve ser bíblica e litúrgica, oferecendo ao mesmo tempo uma doutrina sã e adaptada à vida atual dos cristãos" [4]. Depois do encerramento do Sínodo, fiz meu este desejo, considerando que ele "corresponde a verdadeira necessidade da Igreja universal e das Igrejas particulares" Fidei Depositum

3.   Uma melhor Contemplação

Foi necessidade sentida pelos Bispos foi à reformulação do Catecismo.  O catecismo anterior - Catecismo Romano - foi redigido em 1566 por decreto do Concílio de Trento.

O Novo Catecismo confirma a doutrina básica da Igreja, mas atualiza a posição da Santa Sé frente às mudanças do mundo moderno. A Igreja, Guardiã do depósito da Revelação sabe como adaptá-la aos novos tempos sem afetar a integridade da doutrina.
- O trabalho foi confiado pelo Santo Padre primeiramente a uma comissão de doze
Cardeais e Bispos encarregados de preparar um projeto para o Catecismo.
catequistabrunovelasco.com
- Uma Comissão de redação composta de sete bispos trabalhou ativamente examinando
As observações enviadas por "numerosos teólogos, exegetas, catequistas e, sobretudo pelos.
“Bispos do mundo inteiro”. Vinte e cinco mil emendas propostas pelos fiéis do mundo inteiro foram cuidadosamente analisadas. Houve, portanto, um vasto intercâmbio até se chegar ao texto final de 672 páginas, escrito originalmente em francês. Ao apresentar oficialmente o Catecismo no dia 7 de dezembro próximo passado, o Santo Padre agradeceu às Comissões dizendo que "o esforço de por em evidência aquilo que no Anúncio Cristão é fundamental e essencial; o empenho em reexprimir, com urna linguagem mais correspondente às exigências do mundo de hoje, a verdade  Católica perene, são hoje coroados de êxito".


4.   Uma Estrada Segura

- O texto, redigido em francês e depois passado para o latim e traduzido para diversas.
Línguas e consta de quatro partes: Crer –celebrar – viver = comtemplar
§ Primeira parte: A profissão da fé
§ .Segunda parte: Os sacramentos da fé
§ Terceira parte: A vida da fé
§ .Quarta parte: A oração na vida da fé
Assim resumiu o  Santo Padre João Paulo II:
 “As quatro partes são ligadas umas às outras”.
O mistério cristão é o objeto da fé (primeira parte). Nessa parte encontramos uma exposição da doutrina que começa com a Revelação divina e a Sagrada Escritura e depois explica as Verdades contidas no Credo.
- “(O mistério cristão) é celebrado e comunicado nos atos litúrgicos (segunda parte)”. Ai
Temos todo o ensinamento da Igreja sobre os Sacramentos.
- “(O mistério cristão) está presente para iluminar e amparar os filhos de Deus no seu
Agir (terceira parte). Essa parte trata da moral cristã e dos Dez mandamentos.
- Por fim “(O mistério cristão)” fundamenta a nossa oração, cuja expressão privilegiada é.
O Pai Nosso, e constitui o objeto da nossa súplica e do nosso louvor e da nossa Intercessão.
(quarta parte).
- O Santo Padre refere-se ao Catecismo como sendo um dom precioso, rico, oportuno,
“que apresenta a Verdade revelada por Deus em Cristo e por Ele confiada à Igreja”.
“Um tal serviço à Verdade enche a Igreja de gratidão e de alegria, e infunde-lhe uma renovada.
“Coragem para atuar a sua missão no mundo”.
- Como Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre esse dom é profundamente radica do no.
passado, na Sagrada Escritura e na Tradição apostólica. Ao mesmo tempo é um dom para hoje da Igreja e é um dom dirigido para o futuro, para o terceiro milênio da era cristã que se aproxima. Diz
O Santo Padre: “No momento em que se aproxima o terceiro milênio da Era Cristã, este Catecismo põe-se a serviço da renovação da fé e do espírito missionário dos fiéis. Ele não é um simples texto de teologia ou catequese, mas um texto fundamental para atividade evangelizadora do povo de Deus”.
- O Vaticano II é explícito quando aborda a transmissão da doutrina: "É absolutamente necessário que toda doutrina seja apresentada com clareza e integridade" (Unitatis Redintegratio, II). O Novo Catecismo atende perfeitamente a esse requisito básico.

"As conclusões dos Bispos da América Latina em Santo Domingo em outubro do ano passado, antes de apresentarem "Jesus Cristo como evangelizador vivo em sua Igreja" (2a. parte) mostram Jesus Cristo como Evangelho do Pai".
- Não só sua mensagem e doutrina são importantes, mas sua Pessoa. Sua vida, seu amor, sua proximidade a todos, seu perdão, sua morte na Cruz e sua glória, todo o seu ser é a alma viva de seu Evangelho. Fiéis ao Mestre que os enviou para evangelizar, os apóstolos, analogamente não podem jamais apenas ensinar a doutrina de Cristo, devem antes, testemunhá-la com sua vida e sua morte. - Esta é a norma que vale sem exceção para todos os evangelizadores.
- A fé não é apenas uma adesão intelectual a uma doutrina ou ortodoxia com seus dogmas e mandamentos. Antes, a fé é essencialmente um encontro com o Deus vivo.
- Desde já, pela graça do batismo, o cristão vive não alguma vida nova, mas vive misteriosamente a vida do próprio Deus, participada inefavelmente. Assim diz são João: "Ainda não se manifestou o que seremos, mas desde já somos filhos de Deu” (1 Jo 3,2).
- A comunidade cristã não pode se contentar em falar as verdades divinas, mas deve ensinar a viver nesta nova comunhão com Deus. O Catequista que não vive na Graça santificante desmente por sua existência, por todo o seu ser, o significado mais pleno da palavra que anuncia.
- Toda essa vida divina é recebida, transmitida e vivida dentro da Igreja e em comunhão com ela.
- A íntima relação entre a mensagem da fé e a Igreja é dupla: A Igreja é sua depositária, mas a fé viva como contato com Deus trino, é a fonte na qual Igreja renova constantemente a sua.
Vida.

O texto não só apresentas definições, mas busca por meio de exemplos na Tradição, Sagrada Escritura, nas experiências e relatos dos Padres da Igreja e por fim nos Documentos que compõe o magistério da Igreja. 

5.   Alguns aspectos característicos do Novo Catecismo:

• O Catecismo destina-se aos pastores a fim de orientá-los e dar-lhes "um texto de referência seguro para o ensino da doutrina católica e particularmente para a composição de catecismos locais" (João Paulo 11- Fidei Depositum - Introdução ao Catecismo, 9).
 "O Catecismo é oferecido também a todos os fiéis que desejam conhecer melhor as inesgotáveis riquezas da salvação". Papa João Paulo II
- O Novo Catecismo centra tudo radicalmente em Jesus Cristo, fonte da existência na graça e modelo de toda justiça e santidade.
- "O seguimento de Cristo compreende o cumprimento dos Mandamentos. A Lei não está abolida, mas o homem é convidado a reencontrá-la na Pessoa do Mestre que é seu cumprimento perfeito".
- Como que resumindo a interação entre vocação divina, mandamento, pecado e Graça, o Catecismo sintetiza o grande tema da vida do cristão: "Chamado à bem aventurança, mas ferido pelo pecado, o homem tem necessidade de salvação por de Deus. A ajuda divina lhe advém em Cristo, mediante a lei que o orienta, e na graça que o sustenta".
- O Catecismo começa focalizando o homem e analisando sua dimensão transcendente. Em seguida mostra que "Deus vem ao encontro do homem pela Revelação e por Cristo, plenitude da Revelação”. A partir desse ponto o Catecismo abre toda a riqueza da religião de Jesus Cristo.
Assim não separa o que é do homem e o que é de Deus, encontrando a união que Cristo veio consumar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário