Encontro de Formação
Paroquia nossa Senhora das Mercês.
Em preparação para o Ano da Fé.
A Sagrada Escritura, a Tradição e o
Magistério.
O Concílio
Vaticano II na Constituição Dei Verbum ensina que “a Sagrada Tradição e a
Sagrada Escritura, constituem um só Sagrado Depósito da Palavra de Deus
confiado à Igreja” (n. 10). O mesmo documento define uma e outra fonte da
revelação divina: “A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus enquanto é redigida
sob a moção do Espírito Santo; a Sagrada Tradição, por sua vez, transmite
integralmente aos sucessores dos Apóstolos a Palavra de Deus confiada por
Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos para que, sob a luz do
Espírito de verdade, eles por sua pregação fielmente a conservem, exponham e
difundam” (n. 10).
Por Magistério
da Igreja, entende-se seja o oficio de guardar, interpretar e ensinar
autenticamente a Palavra de Deus, sejam aqueles por instituição divina, detém, na Igreja, este
ofício, ou seja, o Papa, Bispo de Roma, Sucessor do Apóstolo São Pedro, e os
demais Bispos, Sucessores dos Apóstolos, em união com o Papa. O Oficio de ensinar funda-se também em fontes documentais. As mais relevantes são, pois: o
Catecismo, o Código de Direito Canônico, os documentos papais, os documentos
das autoridades eclesiásticas; os documentos conciliares e todos os textos de
santos da Igreja, bem como os textos de seus doutores devidamente aprovados.
O Catecismo da Igreja Católica
1. Breve História
Ao invés de perguntamos sobre o
que é o catecismo, deveria se perguntar exatamente o que ele não. Ou seja, o
catecismo não é um livro, não é conjunto de doutrinas, não é uma enciclopédia
de termos e conceitos. Mas, é um caminho que nos fundamente a nossa experiência
de fé. O catecismo deve nos oferecer uma doutrina clara, mas antes de tudo deve
nos ensinar a viver como Jesus Cristo. é
um instrumento que nos auxilia no processo de transfiguração pessoal de cada
cristão.
A história diz catecismo, nem
sempre existiu como livro, designava Primitivamente, designava a instrução dos
catecúmenos, e o exame de religião que deviam prestar antes do batismo.
Verdade é que, na Alemanha, a
primeira obra catequética, com o título de “Catecismo”, se deve ao humanista e
reformador protestante André Altahamer. Publicou-a em 1528, na cidade de Nuremberg.
Em 1529 editava Lutero seus dois catecismos, cujo valor didático excedia, e em
todos os pontos de vista, ao de Althamer e outros reformadores. Consta que, por
ocasião da Dieta de Augsburgo, em 1530, os católicos compuseram também um
catecismo, do qual já não existe nenhum exemplar. O primeiro catecismo católico
na Alemanha, do qual temos notícia certa, é o do jesuíta Jorge Wicelius,
impresso cinco anos mais tarde, em 1533.
Cumpre notar que só na Alemanha existe, propriamente, uma prioridade cronológica a favor dos protestantes. Nas missões da América, como se verá mais adiante , houve catecismos católicos do feitio atual, que são anteriores a Althamer e Lutero.
Não cabe, pois, a Lutero, nem aos demais reformadores, a criação formal do Catecismo. Com efeito, Lutero só lhe usurpou o nome. Quanto à matéria, chegou até a inspirar-se diretamente em antigas tradições da Igreja. Seu pequeno Catecismo contém a explicação dos Mandamentos, do Símbolo, do Pai-Nosso, do Batismo e da Eucaristia.
Ora, desde que Santo Tomás de Aquino, em 1256, expôs em cinco opúsculos separados o Credo, o Pai- Nosso, a Saudação Angélica, o Decálogo e os Sacramentos, não é temerário dizer-se que já havia uma ordem tradicional de matérias.
Cumpre notar que só na Alemanha existe, propriamente, uma prioridade cronológica a favor dos protestantes. Nas missões da América, como se verá mais adiante , houve catecismos católicos do feitio atual, que são anteriores a Althamer e Lutero.
Não cabe, pois, a Lutero, nem aos demais reformadores, a criação formal do Catecismo. Com efeito, Lutero só lhe usurpou o nome. Quanto à matéria, chegou até a inspirar-se diretamente em antigas tradições da Igreja. Seu pequeno Catecismo contém a explicação dos Mandamentos, do Símbolo, do Pai-Nosso, do Batismo e da Eucaristia.
Ora, desde que Santo Tomás de Aquino, em 1256, expôs em cinco opúsculos separados o Credo, o Pai- Nosso, a Saudação Angélica, o Decálogo e os Sacramentos, não é temerário dizer-se que já havia uma ordem tradicional de matérias.
Mas o primeiro catecismo
propriamente dito foi elaborado por ordem do segundo Sínodo Provincial de
Lavaur, em 1368. Inspirando-se nos opúsculos de Santo Tomás, expõe, para uso do
clero, o nexo orgânico dos principais artigos da fé. Precursor remoto do
Catecismo Romano, o manual de Lavaur teve várias edições, mas nenhuma delas
chegou até nós. “Catechismus Vaurensis” é o título, pelo qual costuma ser
citado em estudos bibliográficos
2. O Concilio Vaticano II
V. Fim principal do Concílio: defesa e difusão
da doutrina
1. O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o
seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de
forma mais eficaz.
2. Essa doutrina abarca o homem inteiro, composto
de alma e corpo, e a nós, peregrinos nesta terra, manda-nos tender para a
pátria celeste.
3. Isto mostra como é preciso ordenar a nossa
vida mortal, de maneira que cumpramos os nossos deveres de cidadãos da terra e
do céu, e consigamos deste modo o fim estabelecido por Deus. Quer dizer que
todos os homens, tanto considerados individualmente como reunidos em sociedade,
têm o dever de tender sem descanso, durante toda a vida, para a consecução dos
bens celestiais, e de usarem só para este fim os bens terrenos sem que seu uso
prejudique a eterna felicidade.
4. O Senhor disse: « Procurai primeiro o Reino de
Deus e a sua justiça » (Mt 6, 33). Esta palavra « primeiro » exprime,
antes de mais, em que direção devem mover-se os nossos pensamentos e as nossas
forças; não devemos esquecer, porém, as outras palavras desta exortação do
Senhor, isto é: « e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo » (Mt
6, 33). Na realidade, sempre existiram e existem ainda, na Igreja, os que,
embora procurem com todas as forças praticar a perfeição evangélica, não se
esquecem de ser úteis à sociedade. De fato, do seu exemplo de vida,
constantemente praticado, e das suas iniciativas de caridade toma vigor e
incremento o que há de mais alto e mais nobre na sociedade humana.
5. Mas, para que esta doutrina atinja os
múltiplos níveis da atividade humana, que se referem aos indivíduos, às
famílias e à vida social, é necessário primeiramente que a Igreja não se aparte
do patrimônio sagrado da verdade, recebido dos seus maiores; e, ao mesmo tempo,
deve também olhar para o presente, para as novas condições e formas de vida
introduzidas no mundo hodierno, que abriram novos caminhos ao apostolado
católico.
6. Por esta razão, a Igreja não assistiu
indiferente ao admirável progresso das descobertas do gênero humano, e não lhes
negou o justo apreço, mas, seguindo estes progressos, não deixa de avisar os
homens para que, bem acima das coisas sensíveis, elevem os olhares para Deus,
fonte de toda a sabedoria e beleza; e eles, aos quais foi dito: « Submetei a
terra e dominai-a » (Gn 1, 28), não esqueçam o mandamento gravíssimo: «
Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás » (Mt 4, 10; Lc
4, 8), para que não suceda que a fascinação efêmera das coisas visíveis impeça
o verdadeiro progresso. (Discurso de sua Santidade Papa João XXIII na Abertura
do Solene SS. Concílio 11 de Outubro de 1962)
3. Um Apelo do Conselho Vaticano II
O Concílio Vaticano II
((1962-1965) foi um dos mais importantes eventos da Igreja católica nos últimos
anos,
“Neste espirito, a 25 de janeiro de 1985,
convoquei uma Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, por ocasião do
vigésimo aniversário do encerramento do Concilio. A finalidade desta Assembleia
era celebrar as graças e os frutos espirituais do Concilio Vaticano II,
aprofundar o seu ensinamento para aderir melhor a ele e promover o conhecimento
e a aplicação do mesmo. Nessa ocasião, os Padres sinodais afirmaram: “Muitíssimos
expressaram o desejo de” que seja composto um Catecismo ou compendio de toda a
doutrina católica, tanto em matéria de fé como de moral, para que ele seja como
um ponto de referencia para os catecismos ou compêndios que venham a ser
preparados nas diversas regiões. A apresentação da doutrina deve ser bíblica e litúrgica,
oferecendo ao mesmo tempo uma doutrina sã e adaptada à vida atual dos cristãos"
[4]. Depois do encerramento do Sínodo, fiz meu este
desejo, considerando que ele "corresponde a verdadeira necessidade da
Igreja universal e das Igrejas particulares" Fidei Depositum
3. Uma melhor Contemplação
Foi necessidade sentida pelos
Bispos foi à reformulação do Catecismo.
O catecismo anterior - Catecismo Romano - foi redigido em 1566 por
decreto do Concílio de Trento.
O Novo Catecismo confirma a
doutrina básica da Igreja, mas atualiza a posição da Santa Sé frente às
mudanças do mundo moderno. A Igreja, Guardiã do depósito da Revelação sabe como
adaptá-la aos novos tempos sem afetar a integridade da doutrina.
- O trabalho foi confiado pelo
Santo Padre primeiramente a uma comissão de doze
Cardeais e Bispos encarregados de
preparar um projeto para o Catecismo.
catequistabrunovelasco.com
- Uma Comissão de redação
composta de sete bispos trabalhou ativamente examinando
As observações enviadas por
"numerosos teólogos, exegetas, catequistas e, sobretudo pelos.
“Bispos do mundo inteiro”. Vinte
e cinco mil emendas propostas pelos fiéis do mundo inteiro foram cuidadosamente
analisadas. Houve, portanto, um vasto intercâmbio até se chegar ao texto final
de 672 páginas, escrito originalmente em francês. Ao apresentar oficialmente o
Catecismo no dia 7 de dezembro próximo passado, o Santo Padre agradeceu às
Comissões dizendo que "o esforço de por em evidência aquilo que no Anúncio
Cristão é fundamental e essencial; o empenho em reexprimir, com urna linguagem
mais correspondente às exigências do mundo de hoje, a verdade Católica perene, são hoje coroados de
êxito".
4. Uma Estrada Segura
- O texto, redigido em francês e
depois passado para o latim e traduzido para diversas.
Línguas e consta de quatro
partes: Crer –celebrar – viver = comtemplar
§ Primeira parte: A profissão da
fé
§ .Segunda parte: Os sacramentos
da fé
§ Terceira parte: A vida da fé
§ .Quarta parte: A oração na vida
da fé
Assim resumiu o Santo Padre João Paulo II:
“As quatro partes são ligadas umas às outras”.
O mistério cristão é o objeto da
fé (primeira parte). Nessa parte encontramos uma exposição da doutrina que
começa com a Revelação divina e a Sagrada Escritura e depois explica as
Verdades contidas no Credo.
- “(O mistério cristão) é
celebrado e comunicado nos atos litúrgicos (segunda parte)”. Ai
Temos todo o ensinamento da
Igreja sobre os Sacramentos.
- “(O mistério cristão) está
presente para iluminar e amparar os filhos de Deus no seu
Agir (terceira parte). Essa parte
trata da moral cristã e dos Dez mandamentos.
- Por fim “(O mistério cristão)”
fundamenta a nossa oração, cuja expressão privilegiada é.
O Pai Nosso, e constitui o objeto
da nossa súplica e do nosso louvor e da nossa Intercessão.
(quarta parte).
- O Santo Padre refere-se ao
Catecismo como sendo um dom precioso, rico, oportuno,
“que apresenta a Verdade revelada
por Deus em Cristo e por Ele confiada à Igreja”.
“Um tal serviço à Verdade enche a
Igreja de gratidão e de alegria, e infunde-lhe uma renovada.
“Coragem para atuar a sua missão
no mundo”.
- Como Cristo é o mesmo ontem,
hoje e sempre esse dom é profundamente radica do no.
passado, na Sagrada Escritura e
na Tradição apostólica. Ao mesmo tempo é um dom para hoje da Igreja e é um dom
dirigido para o futuro, para o terceiro milênio da era cristã que se aproxima.
Diz
O Santo Padre: “No momento em que
se aproxima o terceiro milênio da Era Cristã, este Catecismo põe-se a serviço
da renovação da fé e do espírito missionário dos fiéis. Ele não é um simples
texto de teologia ou catequese, mas um texto fundamental para atividade
evangelizadora do povo de Deus”.
- O Vaticano II é explícito
quando aborda a transmissão da doutrina: "É absolutamente necessário que
toda doutrina seja apresentada com clareza e integridade" (Unitatis
Redintegratio, II). O Novo Catecismo atende perfeitamente a esse requisito
básico.
"As conclusões dos Bispos da
América Latina em Santo Domingo em outubro do ano passado, antes de
apresentarem "Jesus Cristo como evangelizador vivo em sua Igreja"
(2a. parte) mostram Jesus Cristo como Evangelho do Pai".
- Não só sua mensagem e doutrina
são importantes, mas sua Pessoa. Sua vida, seu amor, sua proximidade a todos,
seu perdão, sua morte na Cruz e sua glória, todo o seu ser é a alma viva de seu
Evangelho. Fiéis ao Mestre que os enviou para evangelizar, os apóstolos, analogamente
não podem jamais apenas ensinar a doutrina de Cristo, devem antes,
testemunhá-la com sua vida e sua morte. - Esta é a norma que vale sem exceção
para todos os evangelizadores.
- A fé não é apenas uma adesão
intelectual a uma doutrina ou ortodoxia com seus dogmas e mandamentos. Antes, a
fé é essencialmente um encontro com o Deus vivo.
- Desde já, pela graça do
batismo, o cristão vive não alguma vida nova, mas vive misteriosamente a vida
do próprio Deus, participada inefavelmente. Assim diz são João: "Ainda não
se manifestou o que seremos, mas desde já somos filhos de Deu” (1 Jo 3,2).
- A comunidade cristã não pode se
contentar em falar as verdades divinas, mas deve ensinar a viver nesta nova
comunhão com Deus. O Catequista que não vive na Graça santificante desmente por
sua existência, por todo o seu ser, o significado mais pleno da palavra que
anuncia.
- Toda essa vida divina é
recebida, transmitida e vivida dentro da Igreja e em comunhão com ela.
- A íntima relação entre a
mensagem da fé e a Igreja é dupla: A Igreja é sua depositária, mas a fé viva
como contato com Deus trino, é a fonte na qual Igreja renova constantemente a sua.
Vida.
O texto não só apresentas
definições, mas busca por meio de exemplos na Tradição, Sagrada Escritura, nas
experiências e relatos dos Padres da Igreja e por fim nos Documentos que compõe
o magistério da Igreja.
5. Alguns aspectos característicos do Novo Catecismo:
• O Catecismo destina-se aos
pastores a fim de orientá-los e dar-lhes "um texto de referência seguro
para o ensino da doutrina católica e particularmente para a composição de
catecismos locais" (João Paulo 11- Fidei Depositum - Introdução ao
Catecismo, 9).
"O Catecismo é oferecido também a todos
os fiéis que desejam conhecer melhor as inesgotáveis riquezas da
salvação". Papa João Paulo II
- O Novo Catecismo centra tudo
radicalmente em Jesus Cristo, fonte da existência na graça e modelo de toda
justiça e santidade.
- "O seguimento de Cristo
compreende o cumprimento dos Mandamentos. A Lei não está abolida, mas o homem é
convidado a reencontrá-la na Pessoa do Mestre que é seu cumprimento perfeito".
- Como que resumindo a interação
entre vocação divina, mandamento, pecado e Graça, o Catecismo sintetiza o
grande tema da vida do cristão: "Chamado à bem aventurança, mas ferido pelo
pecado, o homem tem necessidade de salvação por de Deus. A ajuda divina lhe
advém em Cristo, mediante a lei que o orienta, e na graça que o sustenta".
- O Catecismo começa focalizando
o homem e analisando sua dimensão transcendente. Em seguida mostra que
"Deus vem ao encontro do homem pela Revelação e por Cristo, plenitude da
Revelação”. A partir desse ponto o Catecismo abre toda a riqueza da religião de
Jesus Cristo.
Assim não separa o que é do homem
e o que é de Deus, encontrando a união que Cristo veio consumar.
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