sábado, 14 de abril de 2012

Catecismo da Igreja II Encontro de Formação


II Encontro de Formação
Paroquia nossa Senhora das Mercês.
          Em preparação para o Ano da Fé.


PRIMEIRA SEÇÃO "EU CREIO" - "NÓS CREMOS" ( CIC nº 27- Nº136)
Quando professamos nossa fé, começamos dizendo: "Eu creio" ou "Nós cremos". Por isso, antes de expor a fé da Igreja tal como é confessada no Credo, celebrada na Liturgia, vivida na prática dos Mandamentos e na oração, perguntamo-nos o que significa "crer". A fé é a resposta do homem a Deus que se revela e a ele se doa, trazendo ao mesmo tempo uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último de sua vida. Por isso vamos considerar primeiro esta busca do homem (capitulo 1), em seguida a Revelação divina, pela qual Deus se apresenta ao homem (capítulo II), e finalmente a resposta da fé (capítulo III).
O HOMEM É "CAPAZ" DE DEUS  (CAPÍTULO I)
O homem é "capaz" de Deus (Capax Dei), fala o Catecismo. “Capaz” encontra-se entre aspas para nos dizer que o homem tem a capacidade de se comunicar com Deus, ou seja existe em cada homem elementos que o possibilita reconhecer a Deus ao mesmo tempo que refere-se a sua vocação (CCIC,2).

Recomendo aqui o filme: “O som do coração”.

 “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem” (CIC, 27).

O homem é criado por Deus e para Deus.
 Que o homem é criado por Deus o afirma a Escritura, no Livro do Gênesis: “E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher” (Gn 1,28). O Catecismo explicando essa passagem, no parágrafo 355, diz que “o homem ocupa um lugar único na criação: ele é “a imagem de Deus”; em sua própria natureza une o mundo espiritual e o mundo material; é criado “homem e mulher”; Deus o estabeleceu em sua amizade”. Em outro trecho, o ser humano é chamado “píncaro da obra da criação” (CIC, 343), ou seja, o ponto mais alto da criação, o ápice, o ponto mais alto da criação de Deus.

Deus não cessa de atrair o homem a si.
O próprio Cristo o fala no Evangelho que “ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai” (Jo 6,44); Ele também fala de si que, “quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 3,32). A Constituição Gaudium et Spes dirá que a pessoa humana é “a única criatura na terra que Deus quis para si” (GS,17).

Somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade
“toda a aspiração pela verdade e pela felicidade é, no fundo, uma busca daquilo que a sustenta absolutamente, que a satisfaz absolutamente, que a torna absolutamente útil” (YC,3). Esse “desejo natural de felicidade” é de origem divina, o próprio Deus o “colocou no coração do homem a fim de atraí-lo a si” (CIC, 1718) e, um dia, no Céu, esse anseio profundo será realizado (cf. CIC, 1024).
Cantado pelo salmista e reforçado por Santo Agostinho “como a corça bramindo por águas correntes, assim minha alma está bramindo por ti, ó meu Deus! Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42,1-3)
O Papa João Paulo II escreveu, certa vez, que “no mais intimo do coração do homem foi semeado o desejo e a nostalgia de Deus (Fides et Ratio, n. 24). Através daquele “senso de eternidade” do qual fala Coélet (Ecl 3,11) pulsa, no silencio do espírito humano, a voz de um Alguém, chamando-lhe para o alto e incitando-o a iniciar uma peregrinação sempre nova rumo ao Outro.
O que constatamos até aqui é que existe no ser humano essa “tendência”, esse chamado ao Transcendente. O Catecismo cita Santo Agostinho para reforçar essa idéia: “és grande, Senhor, e digno de todo o louvor... Fizeste-nos para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti” (Confissões I,1).
São João da Cruz escreveu outra frase belíssima a esse respeito: “se o homem busca a Deus, muito mais Deus busca o homem”. O homem busca a Deus através de seu “instinto”, dessa sua tendência às coisas do alto e através da razão. Deus vem ao encontro do homem, através da Revelação (como o veremos posteriormente). Mas, se por um lado, Deus não obriga o ser humano; do outro, Deus permanece fiel, “não cessa de chamar todo homem a procurá-lo” (CIC, 30). O ser humano, porém, pode aceitar, rejeitar, ignorar ou esquecer esse chamado. Ambos têm papel ativo nessa busca.

O Filme traz dois momentos importantes sobre a idéia do afastamento de Deus. O menino que sonha e lembram de sua mãe. E a mãe que descobre que o seu filho está vivo e o reconhece quando vê a sua foto.

Mas, como se dá o conhecimento da Divindade por parte do ser humano: “Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas ‘vias’ para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de ‘provas da existência de Deus’, não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de ‘argumentos convergentes e convincentes’ que permitem chegar a verdadeiras certezas. Estas ‘vias’ para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana”. (CIC,31).

A prova da existência de Deus
Essas provas não são e nem podem ser argumentos totalmente irrefutáveis (bem como não se pode negar de modo irrefutável a existência de Deus).
O papa João Paulo II, na encíclica Fides et Ratio, escreve o seguinte: “há que reconhecer que a busca da verdade nem sempre se desenrola com a referida transparência e coerência de raciocínio. Muitas vezes, as limitações naturais da razão e a inconstância do coração ofuscam e desviam a pesquisa pessoal. Outros interesses de vária ordem podem sobrepor-se à verdade. Acontece também que o próprio homem a evite, quando começa a entrevê-la, porque teme as suas exigências. Apesar disto, mesmo quando a evita, é sempre a verdade que preside à sua existência. Com efeito, nunca poderia fundar a sua vida sobre a dúvida, a incerteza ou a mentira; tal existência estaria constantemente ameaçada pelo medo e a angústia. Assim, pode-se definir o homem como aquele que procura a verdade” (FR,28). 
O Compêndio do Catecismo pergunta: “Como é que se pode conhecer Deus apenas com a luz da razão?”, ele mesmo o responde: “a partir da criação, isto é, do mundo e da pessoa humana, o homem pode, só pela razão, conhecer com certeza a Deus como origem e fim do universo e como sumo bem, verdade e beleza infinita” (CCIC, 3).

II. As vias de conhecimento de Deus
“Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas "vias" para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de "provas da existência de Deus", não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de "argumentos convergentes e convincentes" que permitem chegar a verdadeiras certezas.” CIC 31
Estas "vias" para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana.
“O homem: Com sua abertura à verdade e à beleza, com seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus. Mediante tudo isso percebe sinais de sua alma espiritual. Como "semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria" sua alma não pode ter origem senão em Deus.” CIC 33
As faculdades do homem o tomam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana. CIC 35

1. O mundo demonstra indícios da existência de Deus, através do movimento, das mudanças, da eventualidade, da ordem e da beleza de suas criaturas.

O próprio Paulo escreveu: “pois aquilo que é possível conhecer de Deus foi manifestado aos homens; e foi o próprio Deus quem o manifestou. De fato, desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, tais como o seu poder eterno e sua divindade, podem ser contempladas, através da inteligência, nas obras que ele realizou. Os homens, portanto, não têm desculpa” (Rm 1,19-20).

2. O ser humano: sua abertura à verdade, à beleza, o senso moral, a consciência, sua aspiração ao    Infinito e à felicidade; assim percebe sinais de sua alma espiritual. CIC. 33)

3. “Provas” sociológicas: Todas as sociedades, em todos os tempos apresentaram algum tipo de comportamento    religioso como já abordamos anteriormente.
   
4. As Cinco Vias De São Tomás de Aquino
a) Movimento: Se no mundo existe movimento e todo movimento tem uma causa exterior, ou se admite que a série é infinita (assim não se conseguiria explicar o movimento) ou que a série é finita e o primeiro motor é Deus;
b) Causalidade: Todas as coisas ou são causa ou são efeito, não existindo coisa alguma que seja causa de si mesma. Toda causa deve ter sido causada por outra. Ou se admite uma primeira causa não causada, Deus, ou uma série infinita que não explica nada;
c) Contingência: Na natureza existem coisas que se geram e se corrompem, não existindo sempre. Ou houve um ser que colocou existência em tudo ou a série é infinita e não se explica a existência;
d) Graus da Perfeição: Há graus de bondade, de verdade, de nobreza, de perfeição, o que implicitamente pressupõe um termo absoluto. Deverá, portanto, existir um bem, uma verdade em si: Deus;
e) Ordem: Existe ordem na natureza, o que pressupõe haver uma inteligência ordenadora: Deus.
    
5. “Provas” científicas: a ciência não consegue explicar, de forma inquestionável, a origem do universo, da origem da vida, a complexidade e ordem da natureza etc.        .                  
   
III. O conhecimento de Deus segundo a Igreja
Devido às condições históricas, o homem enfrenta dificuldade de conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão. Nesse contexto, a presença da Igreja, como mãe, que sustenta e ensina que Deus é o princípio e fim de todas as
coisas (CIC § 36) torna-se fundamental para o relacionamento do homem com
Deus.

A igreja como instrumento de iluminação da revelação de Deus para o
homem, preocupada com as verdades religiosas torna-se fundamental para o
homem em todo contexto histórico.

 IV.  Como falar de Deus?
Primeiramente, é importante falar de Deus por meio da razão humana.
“Esta convicção está na base de seu diálogo com as outras religiões, com a
filosofia e com as ciências, como também com os não-crentes e os ateus” (CIC
39).

Porém, devido ao nosso conhecimento limitado torna-se também limitado nossa forma de falar de Deus apenas com a razão. Assim, podemos falar de Deus através das múltiplas perfeições das criaturas (sua verdade, bondade e beleza) que refletem a perfeição divina, “pois a grandeza e beleza das criaturas fazem, por analogia, contemplar seu Autor” (Sabedoria 13, 5).
Ainda que nossa linguagem humana seja imperfeita e se esgote, sempre será aquém do Mistério de Deus. “Deus transcende a toda criatura” (CIC 42) e por isso somos impelidos pela fé a levar todos ao conhecimento de um Deus vivo. 


Capitulo II  Deus vai ao Encontro do Homem
Mediante a razão natural, o homem pode conhecer a Deus com certeza a partir de suas obras. as existe outra ordem de conhecimento que O homem de modo algum pode atingir por suas próprias forças, a da Revelação divina. Por uma decisão totalmente livre, Deus se revela e se doa ao homem. Fá-lo revelando seu mistério, seu projeto benevolente, que concebeu desde toda a eternidade em Cristo em prol de todos os homens. Revela plenamente seu projeto enviando seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo” (CIC 50)
Deus, além disso, por amor, revelou-se ao homem, vindo ao seu encontro; desta forma, lhe oferece uma resposta definitiva às perguntas que se faz sobre o sentido e o fim da vida humana.
"Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o mistério de sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tomam participantes da natureza divina". (CIC 51)
Deu-Se a conhecer em primeiro lugar, aos primeiros pais, Adão e Eva, depois da queda pelo pecado original, não os abandonou mas prometeu a salvação e ofereceu a sua aliança. Logo, com Abraão, elegeu o povo de Israel. Por fim, Deus se revelou plenamente enviando o seu próprio Filho, Jesus Cristo.
“O projeto divino da Revelação realiza-se ao mesmo tempo "por ações e por palavras, intimamente ligadas entre si e que se iluminam mutuamente". Este projeto comporta uma "pedagogia divina" peculiar: Deus comunica-se gradualmente com o homem, prepara-o por etapas a acolher a Revelação sobrenatural que faz de si mesmo e que vai culminar na Pessoa e na missão do Verbo encarnado, Jesus Cristo.” CIC 53


Jesus Cristo, Palavra de Deus Pai
Jesus Cristo é o Filho de Deus que se fez homem. É a palavra única, perfeita e definitiva de Deus Pai. Jesus Cristo já disse tudo o que Deus queria dizer a nós homens, de maneira que já há não existirá outra Revelação depois de Cristo. CIC 65

II. A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA  

“Deus "quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4), isto é, de Jesus Cristo. É preciso, pois, que Cristo seja anunciado a todos os povos e a todos os homens, e que desta forma a Revelação chegue até as extremidades do mundo”. CIC 74

As fontes da Revelação: Sagrada Escritura e Tradição
A Revelação de Deus pode ser encontrada na Sagrada Escritura e na Tradição divina. A sagrada Escritura é a Palavra de Deus transmitida por escrito, e consta nos livros inspirados por Deus que formam a Bíblia: 45 livros do Antigo Testamento ( antes da vinda de Jesus Cristo à terra) e 27 do Novo Testamento. A Tradição é a revelação divina encomendada por Cristo e o Espírito Santo aos Apóstolos, e transmitida íntegra, de viva voz à Igreja.
- oralmente - "pelos apóstolos, que na pregação oral, por exemplos e instituições, transmitiram aquelas coisas que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou aprenderam das sugestões do Espírito Santo"; - por escrito - "como também por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob inspiração do mesmo Espírito Santo, puseram por escrito a mensagem da salvação" CIC 76
 A Igreja, custodia e intérprete do depósito da fé
Cristo confiou à sua Igreja a Revelação de Deus, contida na Sagrada Escritura e na Tradição. A este tesouro nós o chamamos de depósito da fé. Cristo o confiou à Igreja para que o custodie, interprete, professe e pregue a todo mundo. Esta é a doutrina cristã, que a Igreja não cansa nunca de ensinar aos homens e mulheres de todas as idades e de todas as épocas.
"O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo", isto é, foi confiado aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma. CIC 85
 Conhecer a Bíblia
A Igreja tem grande veneração pela Sagrada Escritura, destacando os quatro evangelhos que ocupam um lugar verdadeiramente privilegiado, pois o seu centro é Jesus Cristo. Na Missa, depois de ler o Evangelho, o sacerdote o beija em sinal de veneração e respeito. É lógico que todo cristão procure conhecer a Sagrada Escritura, especialmente os Evangelhos, e que dedique um tempo para ler e meditar a Palavra de Deus. Como diz São Jerônimo: "desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo".
Segundo uma antiga tradição, podemos distinguir dois sentidos da Escritura: o sentido literal e o sentido espiritual, sendo este último subdividido em sentido alegórico, moral e analógico. A concordância profunda entre os quatro sentidos garante toda a sua riqueza à leitura viva da Escritura na Igreja. CIC 115
“Um dístico medieval resume a significação dos quatro sentidos: Littera gesta docei, quid credas allegoria, moralis quid agas, quo tendas anagogia. A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que deves crer; a moral, o que deves fazer; a anagogia, para onde deves caminhar.” CIC 118

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