II Encontro de Formação
Paroquia
nossa Senhora das Mercês.
Em preparação para o Ano da Fé.
PRIMEIRA SEÇÃO "EU
CREIO" - "NÓS CREMOS" ( CIC nº 27- Nº136)
Quando
professamos nossa fé, começamos dizendo: "Eu creio" ou "Nós
cremos". Por isso, antes de expor a fé da Igreja tal como é confessada no
Credo, celebrada na Liturgia, vivida na prática dos Mandamentos e na oração,
perguntamo-nos o que significa "crer". A fé é a resposta do homem a
Deus que se revela e a ele se doa, trazendo ao mesmo tempo uma luz superabundante
ao homem em busca do sentido último de sua vida. Por isso vamos considerar
primeiro esta busca do homem
(capitulo 1), em seguida a Revelação divina, pela qual Deus se apresenta ao
homem (capítulo II), e finalmente a resposta da fé (capítulo III).
O HOMEM É "CAPAZ" DE DEUS (CAPÍTULO I)
O homem é "capaz" de Deus
(Capax Dei), fala o Catecismo. “Capaz” encontra-se entre aspas para nos dizer
que o homem tem a capacidade de se comunicar com Deus, ou seja existe em cada
homem elementos que o possibilita reconhecer a Deus ao mesmo tempo que
refere-se a sua vocação (CCIC,2).
Recomendo aqui o filme: “O som do coração”.
“O desejo de Deus está inscrito no coração do
homem” (CIC, 27).
O
homem é criado por Deus e para Deus.
Que o homem é criado por Deus o afirma a
Escritura, no Livro do Gênesis: “E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de
Deus ele o criou; e os criou homem e mulher” (Gn 1,28). O Catecismo explicando
essa passagem, no parágrafo 355, diz que “o homem ocupa um lugar único na
criação: ele é “a imagem de Deus”; em sua própria natureza une o mundo
espiritual e o mundo material; é criado “homem e mulher”; Deus o estabeleceu em
sua amizade”. Em outro trecho, o ser humano é chamado “píncaro da obra da
criação” (CIC, 343), ou seja, o ponto mais alto da criação, o ápice, o ponto
mais alto da criação de Deus.
Deus
não cessa de atrair o homem a si.
O próprio Cristo o fala no Evangelho que
“ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai” (Jo 6,44); Ele
também fala de si que, “quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim”
(Jo 3,32). A Constituição Gaudium et Spes dirá que a pessoa humana é “a única
criatura na terra que Deus quis para si” (GS,17).
Somente
em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade
“toda a aspiração pela verdade e pela
felicidade é, no fundo, uma busca daquilo que a sustenta absolutamente, que a
satisfaz absolutamente, que a torna absolutamente útil” (YC,3). Esse “desejo
natural de felicidade” é de origem divina, o próprio Deus o “colocou no coração
do homem a fim de atraí-lo a si” (CIC, 1718) e, um dia, no Céu, esse anseio
profundo será realizado (cf. CIC, 1024).
Cantado pelo salmista e reforçado por
Santo Agostinho “como a corça bramindo por águas correntes, assim minha alma
está bramindo por ti, ó meu Deus! Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo”
(Sl 42,1-3)
O Papa João Paulo II escreveu, certa
vez, que “no mais intimo do coração do homem foi semeado o desejo e a nostalgia
de Deus (Fides et Ratio, n. 24). Através daquele “senso de eternidade” do qual
fala Coélet (Ecl 3,11) pulsa, no silencio do espírito humano, a voz de um
Alguém, chamando-lhe para o alto e incitando-o a iniciar uma peregrinação
sempre nova rumo ao Outro.
O que constatamos até aqui é que existe
no ser humano essa “tendência”, esse chamado ao Transcendente. O Catecismo cita
Santo Agostinho para reforçar essa idéia: “és grande, Senhor, e digno de todo o
louvor... Fizeste-nos para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não
repousar em Ti” (Confissões I,1).
São João da Cruz escreveu outra frase
belíssima a esse respeito: “se o homem busca a Deus, muito mais Deus busca o
homem”. O homem busca a Deus através de seu “instinto”, dessa sua tendência às
coisas do alto e através da razão. Deus vem ao encontro do homem, através da
Revelação (como o veremos posteriormente). Mas, se por um lado, Deus não obriga
o ser humano; do outro, Deus permanece fiel, “não cessa de chamar todo homem a
procurá-lo” (CIC, 30). O ser humano, porém, pode aceitar, rejeitar, ignorar ou
esquecer esse chamado. Ambos têm papel ativo nessa busca.
O
Filme traz dois momentos importantes sobre a idéia do afastamento de Deus. O
menino que sonha e lembram de sua mãe. E a mãe que descobre que o seu filho
está vivo e o reconhece quando vê a sua foto.
Mas, como se dá o conhecimento da
Divindade por parte do ser humano: “Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer
e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas ‘vias’ para aceder
ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de ‘provas da existência de Deus’,
não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de
‘argumentos convergentes e convincentes’ que permitem chegar a verdadeiras
certezas. Estas ‘vias’ para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação:
o mundo material e a pessoa humana”. (CIC,31).
A prova da existência de Deus
Essas provas não são e nem podem ser
argumentos totalmente irrefutáveis (bem como não se pode negar de modo
irrefutável a existência de Deus).
O papa João Paulo II, na encíclica Fides
et Ratio, escreve o seguinte: “há que reconhecer que a busca da verdade nem
sempre se desenrola com a referida transparência e coerência de raciocínio.
Muitas vezes, as limitações naturais da razão e a inconstância do coração
ofuscam e desviam a pesquisa pessoal. Outros interesses de vária ordem podem
sobrepor-se à verdade. Acontece também que o próprio homem a evite, quando
começa a entrevê-la, porque teme as suas exigências. Apesar disto, mesmo quando
a evita, é sempre a verdade que preside à sua existência. Com efeito, nunca
poderia fundar a sua vida sobre a dúvida, a incerteza ou a mentira; tal
existência estaria constantemente ameaçada pelo medo e a angústia. Assim,
pode-se definir o homem como aquele que procura a verdade” (FR,28).
O Compêndio do Catecismo pergunta: “Como
é que se pode conhecer Deus apenas com a luz da razão?”, ele mesmo o responde:
“a partir da criação, isto é, do mundo e da pessoa humana, o homem pode, só
pela razão, conhecer com certeza a Deus como origem e fim do universo e como
sumo bem, verdade e beleza infinita” (CCIC, 3).
II. As vias de conhecimento de Deus
“Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a
amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas "vias" para
aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de "provas da
existência de Deus", não no sentido das provas que as ciências naturais
buscam, mas no sentido de "argumentos convergentes e convincentes"
que permitem chegar a verdadeiras certezas.” CIC 31
Estas "vias" para chegar a Deus têm como
ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana.
“O homem: Com sua abertura à verdade e à beleza, com
seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência, com sua
aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência
de Deus. Mediante tudo isso percebe sinais de sua alma espiritual. Como
"semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só
matéria" sua alma não pode ter origem senão em Deus.” CIC 33
As faculdades do homem o tomam capaz de conhecer a
existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar em sua
intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher
esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à
fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana. CIC 35
1. O mundo demonstra indícios da
existência de Deus, através do movimento, das mudanças, da eventualidade,
da ordem e da beleza de suas criaturas.
O próprio Paulo escreveu: “pois aquilo que é possível
conhecer de Deus foi manifestado aos homens; e foi o próprio Deus quem o
manifestou. De fato, desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de
Deus, tais como o seu poder eterno e sua divindade, podem ser contempladas,
através da inteligência, nas obras que ele realizou. Os homens, portanto, não
têm desculpa” (Rm 1,19-20).
2. O ser humano: sua abertura à verdade, à beleza, o senso moral, a consciência, sua aspiração ao Infinito e à felicidade; assim percebe sinais de sua alma espiritual. CIC. 33)
3. “Provas” sociológicas: Todas as sociedades, em todos os tempos apresentaram algum tipo de comportamento religioso como já abordamos anteriormente.
4. As Cinco Vias De São Tomás de Aquino
2. O ser humano: sua abertura à verdade, à beleza, o senso moral, a consciência, sua aspiração ao Infinito e à felicidade; assim percebe sinais de sua alma espiritual. CIC. 33)
3. “Provas” sociológicas: Todas as sociedades, em todos os tempos apresentaram algum tipo de comportamento religioso como já abordamos anteriormente.
4. As Cinco Vias De São Tomás de Aquino
a) Movimento: Se no mundo existe movimento
e todo movimento tem uma causa exterior, ou se admite que a série é infinita
(assim não se conseguiria explicar o movimento) ou que a série é finita e o
primeiro motor é Deus;
b) Causalidade: Todas as coisas ou são causa ou são efeito, não existindo coisa alguma que seja causa de si mesma. Toda causa deve ter sido causada por outra. Ou se admite uma primeira causa não causada, Deus, ou uma série infinita que não explica nada;
c) Contingência: Na natureza existem coisas que se geram e se corrompem, não existindo sempre. Ou houve um ser que colocou existência em tudo ou a série é infinita e não se explica a existência;
d) Graus da Perfeição: Há graus de bondade, de verdade, de nobreza, de perfeição, o que implicitamente pressupõe um termo absoluto. Deverá, portanto, existir um bem, uma verdade em si: Deus;
e) Ordem: Existe ordem na natureza, o que pressupõe haver uma inteligência ordenadora: Deus.
5. “Provas” científicas: a ciência não consegue explicar, de forma inquestionável, a origem do universo, da origem da vida, a complexidade e ordem da natureza etc. .
b) Causalidade: Todas as coisas ou são causa ou são efeito, não existindo coisa alguma que seja causa de si mesma. Toda causa deve ter sido causada por outra. Ou se admite uma primeira causa não causada, Deus, ou uma série infinita que não explica nada;
c) Contingência: Na natureza existem coisas que se geram e se corrompem, não existindo sempre. Ou houve um ser que colocou existência em tudo ou a série é infinita e não se explica a existência;
d) Graus da Perfeição: Há graus de bondade, de verdade, de nobreza, de perfeição, o que implicitamente pressupõe um termo absoluto. Deverá, portanto, existir um bem, uma verdade em si: Deus;
e) Ordem: Existe ordem na natureza, o que pressupõe haver uma inteligência ordenadora: Deus.
5. “Provas” científicas: a ciência não consegue explicar, de forma inquestionável, a origem do universo, da origem da vida, a complexidade e ordem da natureza etc. .
III. O conhecimento de Deus segundo a Igreja
Devido às condições históricas, o homem enfrenta
dificuldade de conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão. Nesse contexto, a
presença da Igreja, como mãe, que sustenta e ensina que Deus é o princípio e
fim de todas as
coisas (CIC § 36) torna-se fundamental para o
relacionamento do homem com
Deus.
A igreja como instrumento de iluminação da revelação
de Deus para o
homem, preocupada com as verdades religiosas torna-se
fundamental para o
homem em todo contexto histórico.
IV. Como falar de Deus?
Primeiramente, é importante falar de Deus por meio da
razão humana.
“Esta convicção está na base de seu diálogo com as
outras religiões, com a
filosofia e com as ciências, como também com os
não-crentes e os ateus” (CIC
39).
Porém, devido ao nosso conhecimento limitado torna-se
também limitado nossa forma de falar de Deus apenas com a razão. Assim, podemos
falar de Deus através das múltiplas perfeições das criaturas (sua verdade,
bondade e beleza) que refletem a perfeição divina, “pois a grandeza e beleza
das criaturas fazem, por analogia, contemplar seu Autor” (Sabedoria 13, 5).
Ainda que nossa linguagem humana seja imperfeita e se
esgote, sempre será aquém do Mistério de Deus. “Deus transcende a toda criatura”
(CIC 42) e por isso somos impelidos pela fé a levar todos ao conhecimento de um
Deus vivo.
Capitulo II
Deus vai ao Encontro do Homem
“Mediante a razão natural, o homem pode
conhecer a Deus com certeza a partir de suas obras. as existe outra ordem de
conhecimento que O homem de modo algum pode atingir por suas próprias forças, a
da Revelação divina. Por uma decisão totalmente livre, Deus se revela e se doa
ao homem. Fá-lo revelando seu mistério, seu projeto benevolente, que concebeu
desde toda a eternidade em Cristo em prol de todos os homens. Revela plenamente
seu projeto enviando seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o
Espírito Santo” (CIC 50)
Deus, além disso, por amor, revelou-se ao homem, vindo
ao seu encontro; desta forma, lhe oferece uma resposta definitiva às perguntas
que se faz sobre o sentido e o fim da vida humana.
"Aprouve
a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o
mistério de sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo
feito carne, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tomam participantes da
natureza divina". (CIC 51)
Deu-Se a conhecer em primeiro lugar, aos primeiros
pais, Adão e Eva, depois da queda pelo pecado original, não os abandonou mas
prometeu a salvação e ofereceu a sua aliança. Logo, com Abraão, elegeu o povo
de Israel. Por fim, Deus se revelou plenamente enviando o seu próprio Filho,
Jesus Cristo.
“O projeto
divino da Revelação realiza-se ao mesmo tempo "por ações e por palavras,
intimamente ligadas entre si e que se iluminam mutuamente". Este projeto
comporta uma "pedagogia divina" peculiar: Deus comunica-se
gradualmente com o homem, prepara-o por etapas a acolher a Revelação
sobrenatural que faz de si mesmo e que vai culminar na Pessoa e na missão do
Verbo encarnado, Jesus Cristo.” CIC 53
Jesus Cristo, Palavra de Deus Pai
Jesus Cristo é o Filho de Deus que se fez homem. É a
palavra única, perfeita e definitiva de Deus Pai. Jesus Cristo já disse tudo o
que Deus queria dizer a nós homens, de maneira que já há não existirá outra
Revelação depois de Cristo. CIC 65
II. A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA
“Deus
"quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da
verdade" (1Tm 2,4), isto é, de Jesus Cristo. É preciso, pois, que Cristo seja
anunciado a todos os povos e a todos os homens, e que desta forma a Revelação
chegue até as extremidades do mundo”. CIC 74
As
fontes da Revelação: Sagrada Escritura e Tradição
A Revelação de Deus pode ser encontrada na Sagrada
Escritura e na Tradição divina. A sagrada Escritura é a Palavra de Deus
transmitida por escrito, e consta nos livros inspirados por Deus que formam a
Bíblia: 45 livros do Antigo Testamento ( antes da vinda de Jesus Cristo à
terra) e 27 do Novo Testamento. A Tradição é a revelação divina encomendada por
Cristo e o Espírito Santo aos Apóstolos, e transmitida íntegra, de viva voz à
Igreja.
-
oralmente - "pelos apóstolos,
que na pregação oral, por exemplos e instituições, transmitiram aquelas coisas
que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou
aprenderam das sugestões do Espírito Santo"; - por escrito -
"como também por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob
inspiração do mesmo Espírito Santo, puseram por escrito a mensagem da
salvação" CIC 76
A Igreja, custodia e intérprete do depósito da fé
Cristo confiou à sua Igreja a Revelação de Deus,
contida na Sagrada Escritura e na Tradição. A este tesouro nós o chamamos de
depósito da fé. Cristo o confiou à Igreja para que o custodie, interprete,
professe e pregue a todo mundo. Esta é a doutrina cristã, que a Igreja não
cansa nunca de ensinar aos homens e mulheres de todas as idades e de todas as
épocas.
"O ofício de interpretar autenticamente a Palavra
de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da
Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo", isto é, foi
confiado aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma. CIC
85
Conhecer a Bíblia
A Igreja tem grande veneração pela Sagrada Escritura,
destacando os quatro evangelhos que ocupam um lugar verdadeiramente
privilegiado, pois o seu centro é Jesus Cristo. Na Missa, depois de ler o
Evangelho, o sacerdote o beija em sinal de veneração e respeito. É lógico que
todo cristão procure conhecer a Sagrada Escritura, especialmente os Evangelhos,
e que dedique um tempo para ler e meditar a Palavra de Deus. Como diz São
Jerônimo: "desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo".
Segundo
uma antiga tradição, podemos distinguir dois sentidos da Escritura: o sentido literal
e o sentido espiritual, sendo este último subdividido em sentido alegórico,
moral e analógico. A concordância profunda entre os quatro sentidos garante
toda a sua riqueza à leitura viva da Escritura na Igreja. CIC 115
“Um dístico medieval resume a significação dos quatro
sentidos: Littera gesta docei, quid credas allegoria, moralis quid agas, quo
tendas anagogia. A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que deves crer;
a moral, o que deves fazer; a anagogia, para onde deves caminhar.” CIC 118
Nenhum comentário:
Postar um comentário