sábado, 28 de abril de 2012

Sagrada Escritura – A História da Salvação



INTRODUÇÃO
A Bíblia ou Sagrada Escritura narra o  modo escrito ao qual Deus revela o seu amor ao  homem. Amor Incondicional que ultrapassa a as barreiras do pecado, da incapacidade, incredulidade e orgulho.  
Essa revelação de Deus possui características próprias, quais são: (1) Histórica: Deus revelou sua vontade, em palavras e atos, no decurso da história humana, inserida no ambiente e contexto específico em que viveram os receptores dessa revelação. (2) Progressiva: A revelação não foi comunicada em todos os aspectos de uma só vez, mas foi progressivamente manifestada. A cada nova revelação algum aspecto, formal e externo, era acrescentado e outros confirmados. Contudo, isso não significa uma alteração na mensagem, pois a natureza e o sentido básico dessa revelação permaneceram os mesmos apesar das mudanças externas e formais. (3) Orgânica: Esse aspecto elucida o anterior. Significa que a mensagem foi dada inteira na sua forma embrionária. Todos os elementos estavam presentes como uma semente que mais tarde se transforma numa robusta árvore. (4) Adaptável: A revelação não era algo desassociado da vida das pessoas, mas funcionava como a mola mestra e o princípio motivador que guiava e nutria o sentido da existência dos recipientes, e que, corretamente interpretada, continua sendo adaptável aos nossos dias.
O entendimento dessas características e a compreensão do registro bíblico como INSPIRADO, INERRANTE e INFALÍVEL é fundamental para uma correta abordagem do estudo dessa lição. Abaixo um gráfico que pode ajudar:
I – O CRIADOR E A CRIAÇÃO
Apesar da ausência dos termos Rei e Reino no relato da Criação (Gn.1,2), a idéia de Reino está presente aqui e em toda a Escritura, principalmente no período da monarquia em Israel (Sl.103.19). Evidentemente elas não apresentam nenhuma definição absoluta para Reino de Deus. Mas se considerarmos o conceito mais básico de Reino, o que implicaria na presença de um Rei que governa soberano seu Reino, então não há dúvidas de que Deus Yahweh é o Rei absoluto e soberano sobre todas as coisas e nada escapa do seu domínio.
Na criação, mais do que em qualquer outro registro bíblico, é possível perceber Deus Yahweh usando suas prerrogativas reais. Em primeiro lugar como soberano absoluto Deus Yahweh criou, não por constrangimento ou necessidade, mas por livre vontade. Há muitos conceitos correlatos que poderíamos usar para identificarmos a motivação de Yahweh para criar, sendo que, aquela mais inclusiva é a de que Ele criou para revelar sua glória com vistas ao seu próprio deleite e adoração das suas criaturas (Ef.1.11).
O Reino de Deus (Em grego:  Basileia tou Theou) designa um governo ou domínio em que tem Deus por soberano ou governante. Porém, o midi ai qyak Deys Governa  é AMOR E SERVIÇO.
Em segundo lugar, o resultado da ação criadora do Modo de Deus governar foi a criação do Universo. A diversidade dos elementos presentes na criaçõ e a maneira como eles se relacionam harmoniosamente revelam a sabedoria de Yahweh..
Em terceiro lugar o UNIVERSO foi criado para funcionar a partir da dinâmica do próprio Deus. . Entre estes podemos destacar a maneira como este Deus decidiu relacionar-se com as criaturas. E em seguida partilhando a responsabilidade do homem em obedecer aos mandatos e as ordenanças presentes na estrutura da criação do reino cósmico.
O primeiro é o mandato cultural. Nele o homem é convocado a se relacionar com o Universo e exercer o papel da sujeição e domínio (Gn.1.28), guarda e cultivo (Gn.1.17). Extrair o máximo do lugar em que vive para produzir, por meio das capacidades que foi dotado, o habitat em que a vida humana deveria se desenvolver. O segundo é o mandato social. Ao criar homem e mulher, Deus Yahweh ordenou como deveria ser o relacionamento entre eles, forneceu princípios para o convívio social e determinou-lhes a fecundidade. O terceiro é o mandato espiritual. Nele, homem e mulher, deveriam responder ao Criador num relacionamento de vida e amor. Para tanto eles foram criados com suficientes condições (Imago Dei) para exercer este mandato. Desfrutando dos benefícios da comunhão com o criador e alertados quanto às implicações da quebra deste vínculo relacional com aquele que é Espírito (Gn.2.16,17).
II – Responsabilidade do Homem sobre a terra e a criação.
Após analise no registro da criação de Adão e Eva (Gn.1.26-30; 2.7-25), fica claro sua distinção em comparação com o restante da criação. Quanto a eles é mencionada uma deliberação específica precedendo sua criação. São designados como Imagem e Semelhança do Criador, o que implica numa relação-pactual de vida e amor com privilégios e obrigações.
Tendo sido criados no jardim chamado Édem, gozavam de todos os privilégios e obrigações dispostos pelo Criador. Entre as obrigações estava à proibição de não comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Nesta ordem residia o teste de obediência do mandato espiritual. Desobedecer traria a ruína e a morte a eles e sua posteridade, o que de fato veio a acontecer.
Não pode passar despercebido o agente da tentação: a serpente, Satanás. Ainda que a sua origem não seja discutida no texto, ele é apresentado como aquele por intermédio de quem penetrou na criação de Yahweh o mal e o pecado. Por conta disso, um outro reino tomou forma e se instalou no reino de Yahweh: o reino parasita de Satanás. É parasita porque não tem capacidade de existir por si próprio, mas depende de outro organismo vivo, o reino de Yahweh. Dessa maneira este reino penetrou na criação de Deus em todas as suas dimensões, principalmente no coração dos homens.
Cada um dos envolvidos na cena da tentação no Éden recebeu sua sentença condenatória. Todavia, a maldição não finalizou ao reino de Yahweh, por causa da excelência das suas virtudes, ele mitigou a maldição e ainda anunciou seu programa redentivo, dando inicio assim ao pacto da redenção.
III – O REINO, O PACTO E O MEDIADOR: DE ADÃO A MOISÉS
3.1 Em Adão
Deus Yahweh havia garantido a continuidade da raça humana quando mitigou as maldições do pacto. Mas ele foi além quando pré-anunciou o Evangelho: a boa notícia da restauração da Aliança, e dos efeitos da entrada do mal e do pecado. Um mediador que viria da semente da mulher foi anunciado como aquele que iria destruir o reino parasita. Ao mesmo tempo proclamou que, durante toda a história iria se desenvolver




vida e amor; e a semente de Satanás, homens e mulheres a serviço do reino parasita.
3.2 Em Noé (Gn.5.1-11.9)
Nos dias de Noé as condições morais, sociais e espirituais revelavam claramente a existência da antítese entre o Reino de Yahweh e o Reino Parasita de Satanás. O mandato cultural era cumprido por ambos, enquanto no social o reino parasita deixava marcas indeléveis, de maneira que o mandato espiritual era ignorado pela maioria que estava imersa nas dobras e recantos do reino parasita de Satanás.
Deus Yahweh usando suas prerrogativas reais anuncia o julgamento, a maldição do pacto. Noé, gracioso aos olhos de Yahweh, é usado por Ele para ser um agente pactual, um mediador. Através da arca, Deus Yahweh preservaria e continuaria a vida, administrando concomitantemente o pacto criacional e redentivo. Por meio desta ação manteria o Pacto e dava prosseguimento ao seu projeto.
3.2 Em Abraão (Gn.12-25)
A eleição e chamado de Abraão indicam claramente a soberania de Yahweh,. Em sua intenção de levar adiante o pacto criacional e redentivo, por livre vontade escolhe um homem que vivia comum e respeitado. A vocação de Abraão sinaliza a própria natureza pactual do relacionamento de Yahweh com seus súditos,  unilateral na sua iniciativa.
Os detalhes da chamada de Abraão (Gn.12.1-3) dão clara compreensão dos três temas integrados: Reino, Pacto e Mediador. É possível perceber a intenção régia de Yahweh na formação visível e nacional de um povo do Pacto – descendentes de Abraão. Por meio deles a redenção alcançaria níveis universais. Também é evidente que Abraão estava sendo colocado como uma pessoa pactual, um mediador.
A resposta de Abraão, seu desprendimento em obedecer prontamente, a circuncisão e os demais eventos da sua vida apontam o vínculo de vida e amor estabelecido na sua relação com Yahweh. Tornando-se um modelo de fé para as demais gerações .
3.3 Em Isaque, Jacó, Judá e José (Gn.26.1-50.26)
Em Isaque temos o cumprimento da promessa feita a Abraão. Seu nascimento excepcional, devido a esterilidade de Sara, fornecem claras evidências do poder régio de Yahweh sobre as leis do seu reino cósmico. Na ocasião do conflito de Sara com sua serva Hagar e seu filho Ismael, fica exposto que Isaque é o pilar sustentador que continuaria a linhagem pactual.
Em Jacó observamos que mais uma vez a soberania de Yahweh fica em relevo, quando ele, Jacó, é escolhido antes do nascimento para engrossar as fileiras dos agentes pactuais de Yahweh. A influência do modo de Deus reinar também são destacadas no caráter e personalidade de Jacó, no entanto, seu encontro transformador com Yahweh produz o vínculo de vida e amor e o modifica radicalmente, de maneira que seu novo nome, Israel, passará a identificar perpetuamente o povo da Aliança.
Em José, Deus Yahweh exerce seu controle sobre o destino das pessoas. Esse controle ultrapassa os limites individuais, de maneira que o curso das nações está condicionado ao controle providencial de Yahweh. Providência que age para o benefício do povo do pacto, como pode ser observado na qualidade mediatária de José. É no final do registro sobre José que encontramos mais uma vez Jacó na qualidade de mediador e porta voz de Yahweh (Gn.48). E na sua mensagem profética Judá é apresentado como o personagem régio, na sua linhagem está garantida, mais uma vez, a semente da mulher que iria esmagar a cabeça da serpente.
3.4 Em Moisés (Ex.1.1-18.27)
Muito tempo havia se passado e o povo do pacto estava preservado. Todavia, é no ambiente egípcio que os poderes antitéticos do reino de Deus assumem contornos excepcionais. Faraó, agente do reino de Satanás, percebendo que as crianças israelitas nasciam vigorosas e o número crescia cada vez mais, submete o povo a serviços pesados e providencia que o crescimento da prole israelense seja interrompido através da morte das crianças do sexo masculino.
É nesse contexto que Deus Yahweh lembra-se de todas as promessas pactuais, depois de uma série de acontecimentos preparatórios, surge o agente pactual de Yahweh, Moisés. Yahweh é desafiado e através do seu agente, usa seus poderes régios e humilha-o, juntamente com seus deuses, através de diversas pragas. O povo goza da redenção através do sangue, o cordeiro é o substituto dos primogênitos israelenses e dessa maneira a realeza de Yahweh e o pacto criacional e redentivo tem curso assegurado.
BIBLIOGRAFIA
Gerard Van Groningen, Criação e Consumação (São Paulo: Cultura Cristã, 2002). Vol. 1
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