sábado, 28 de abril de 2012

Sagrada Escritura – A História da Salvação



INTRODUÇÃO
A Bíblia ou Sagrada Escritura narra o  modo escrito ao qual Deus revela o seu amor ao  homem. Amor Incondicional que ultrapassa a as barreiras do pecado, da incapacidade, incredulidade e orgulho.  
Essa revelação de Deus possui características próprias, quais são: (1) Histórica: Deus revelou sua vontade, em palavras e atos, no decurso da história humana, inserida no ambiente e contexto específico em que viveram os receptores dessa revelação. (2) Progressiva: A revelação não foi comunicada em todos os aspectos de uma só vez, mas foi progressivamente manifestada. A cada nova revelação algum aspecto, formal e externo, era acrescentado e outros confirmados. Contudo, isso não significa uma alteração na mensagem, pois a natureza e o sentido básico dessa revelação permaneceram os mesmos apesar das mudanças externas e formais. (3) Orgânica: Esse aspecto elucida o anterior. Significa que a mensagem foi dada inteira na sua forma embrionária. Todos os elementos estavam presentes como uma semente que mais tarde se transforma numa robusta árvore. (4) Adaptável: A revelação não era algo desassociado da vida das pessoas, mas funcionava como a mola mestra e o princípio motivador que guiava e nutria o sentido da existência dos recipientes, e que, corretamente interpretada, continua sendo adaptável aos nossos dias.
O entendimento dessas características e a compreensão do registro bíblico como INSPIRADO, INERRANTE e INFALÍVEL é fundamental para uma correta abordagem do estudo dessa lição. Abaixo um gráfico que pode ajudar:
I – O CRIADOR E A CRIAÇÃO
Apesar da ausência dos termos Rei e Reino no relato da Criação (Gn.1,2), a idéia de Reino está presente aqui e em toda a Escritura, principalmente no período da monarquia em Israel (Sl.103.19). Evidentemente elas não apresentam nenhuma definição absoluta para Reino de Deus. Mas se considerarmos o conceito mais básico de Reino, o que implicaria na presença de um Rei que governa soberano seu Reino, então não há dúvidas de que Deus Yahweh é o Rei absoluto e soberano sobre todas as coisas e nada escapa do seu domínio.
Na criação, mais do que em qualquer outro registro bíblico, é possível perceber Deus Yahweh usando suas prerrogativas reais. Em primeiro lugar como soberano absoluto Deus Yahweh criou, não por constrangimento ou necessidade, mas por livre vontade. Há muitos conceitos correlatos que poderíamos usar para identificarmos a motivação de Yahweh para criar, sendo que, aquela mais inclusiva é a de que Ele criou para revelar sua glória com vistas ao seu próprio deleite e adoração das suas criaturas (Ef.1.11).
O Reino de Deus (Em grego:  Basileia tou Theou) designa um governo ou domínio em que tem Deus por soberano ou governante. Porém, o midi ai qyak Deys Governa  é AMOR E SERVIÇO.
Em segundo lugar, o resultado da ação criadora do Modo de Deus governar foi a criação do Universo. A diversidade dos elementos presentes na criaçõ e a maneira como eles se relacionam harmoniosamente revelam a sabedoria de Yahweh..
Em terceiro lugar o UNIVERSO foi criado para funcionar a partir da dinâmica do próprio Deus. . Entre estes podemos destacar a maneira como este Deus decidiu relacionar-se com as criaturas. E em seguida partilhando a responsabilidade do homem em obedecer aos mandatos e as ordenanças presentes na estrutura da criação do reino cósmico.
O primeiro é o mandato cultural. Nele o homem é convocado a se relacionar com o Universo e exercer o papel da sujeição e domínio (Gn.1.28), guarda e cultivo (Gn.1.17). Extrair o máximo do lugar em que vive para produzir, por meio das capacidades que foi dotado, o habitat em que a vida humana deveria se desenvolver. O segundo é o mandato social. Ao criar homem e mulher, Deus Yahweh ordenou como deveria ser o relacionamento entre eles, forneceu princípios para o convívio social e determinou-lhes a fecundidade. O terceiro é o mandato espiritual. Nele, homem e mulher, deveriam responder ao Criador num relacionamento de vida e amor. Para tanto eles foram criados com suficientes condições (Imago Dei) para exercer este mandato. Desfrutando dos benefícios da comunhão com o criador e alertados quanto às implicações da quebra deste vínculo relacional com aquele que é Espírito (Gn.2.16,17).
II – Responsabilidade do Homem sobre a terra e a criação.
Após analise no registro da criação de Adão e Eva (Gn.1.26-30; 2.7-25), fica claro sua distinção em comparação com o restante da criação. Quanto a eles é mencionada uma deliberação específica precedendo sua criação. São designados como Imagem e Semelhança do Criador, o que implica numa relação-pactual de vida e amor com privilégios e obrigações.
Tendo sido criados no jardim chamado Édem, gozavam de todos os privilégios e obrigações dispostos pelo Criador. Entre as obrigações estava à proibição de não comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Nesta ordem residia o teste de obediência do mandato espiritual. Desobedecer traria a ruína e a morte a eles e sua posteridade, o que de fato veio a acontecer.
Não pode passar despercebido o agente da tentação: a serpente, Satanás. Ainda que a sua origem não seja discutida no texto, ele é apresentado como aquele por intermédio de quem penetrou na criação de Yahweh o mal e o pecado. Por conta disso, um outro reino tomou forma e se instalou no reino de Yahweh: o reino parasita de Satanás. É parasita porque não tem capacidade de existir por si próprio, mas depende de outro organismo vivo, o reino de Yahweh. Dessa maneira este reino penetrou na criação de Deus em todas as suas dimensões, principalmente no coração dos homens.
Cada um dos envolvidos na cena da tentação no Éden recebeu sua sentença condenatória. Todavia, a maldição não finalizou ao reino de Yahweh, por causa da excelência das suas virtudes, ele mitigou a maldição e ainda anunciou seu programa redentivo, dando inicio assim ao pacto da redenção.
III – O REINO, O PACTO E O MEDIADOR: DE ADÃO A MOISÉS
3.1 Em Adão
Deus Yahweh havia garantido a continuidade da raça humana quando mitigou as maldições do pacto. Mas ele foi além quando pré-anunciou o Evangelho: a boa notícia da restauração da Aliança, e dos efeitos da entrada do mal e do pecado. Um mediador que viria da semente da mulher foi anunciado como aquele que iria destruir o reino parasita. Ao mesmo tempo proclamou que, durante toda a história iria se desenvolver




vida e amor; e a semente de Satanás, homens e mulheres a serviço do reino parasita.
3.2 Em Noé (Gn.5.1-11.9)
Nos dias de Noé as condições morais, sociais e espirituais revelavam claramente a existência da antítese entre o Reino de Yahweh e o Reino Parasita de Satanás. O mandato cultural era cumprido por ambos, enquanto no social o reino parasita deixava marcas indeléveis, de maneira que o mandato espiritual era ignorado pela maioria que estava imersa nas dobras e recantos do reino parasita de Satanás.
Deus Yahweh usando suas prerrogativas reais anuncia o julgamento, a maldição do pacto. Noé, gracioso aos olhos de Yahweh, é usado por Ele para ser um agente pactual, um mediador. Através da arca, Deus Yahweh preservaria e continuaria a vida, administrando concomitantemente o pacto criacional e redentivo. Por meio desta ação manteria o Pacto e dava prosseguimento ao seu projeto.
3.2 Em Abraão (Gn.12-25)
A eleição e chamado de Abraão indicam claramente a soberania de Yahweh,. Em sua intenção de levar adiante o pacto criacional e redentivo, por livre vontade escolhe um homem que vivia comum e respeitado. A vocação de Abraão sinaliza a própria natureza pactual do relacionamento de Yahweh com seus súditos,  unilateral na sua iniciativa.
Os detalhes da chamada de Abraão (Gn.12.1-3) dão clara compreensão dos três temas integrados: Reino, Pacto e Mediador. É possível perceber a intenção régia de Yahweh na formação visível e nacional de um povo do Pacto – descendentes de Abraão. Por meio deles a redenção alcançaria níveis universais. Também é evidente que Abraão estava sendo colocado como uma pessoa pactual, um mediador.
A resposta de Abraão, seu desprendimento em obedecer prontamente, a circuncisão e os demais eventos da sua vida apontam o vínculo de vida e amor estabelecido na sua relação com Yahweh. Tornando-se um modelo de fé para as demais gerações .
3.3 Em Isaque, Jacó, Judá e José (Gn.26.1-50.26)
Em Isaque temos o cumprimento da promessa feita a Abraão. Seu nascimento excepcional, devido a esterilidade de Sara, fornecem claras evidências do poder régio de Yahweh sobre as leis do seu reino cósmico. Na ocasião do conflito de Sara com sua serva Hagar e seu filho Ismael, fica exposto que Isaque é o pilar sustentador que continuaria a linhagem pactual.
Em Jacó observamos que mais uma vez a soberania de Yahweh fica em relevo, quando ele, Jacó, é escolhido antes do nascimento para engrossar as fileiras dos agentes pactuais de Yahweh. A influência do modo de Deus reinar também são destacadas no caráter e personalidade de Jacó, no entanto, seu encontro transformador com Yahweh produz o vínculo de vida e amor e o modifica radicalmente, de maneira que seu novo nome, Israel, passará a identificar perpetuamente o povo da Aliança.
Em José, Deus Yahweh exerce seu controle sobre o destino das pessoas. Esse controle ultrapassa os limites individuais, de maneira que o curso das nações está condicionado ao controle providencial de Yahweh. Providência que age para o benefício do povo do pacto, como pode ser observado na qualidade mediatária de José. É no final do registro sobre José que encontramos mais uma vez Jacó na qualidade de mediador e porta voz de Yahweh (Gn.48). E na sua mensagem profética Judá é apresentado como o personagem régio, na sua linhagem está garantida, mais uma vez, a semente da mulher que iria esmagar a cabeça da serpente.
3.4 Em Moisés (Ex.1.1-18.27)
Muito tempo havia se passado e o povo do pacto estava preservado. Todavia, é no ambiente egípcio que os poderes antitéticos do reino de Deus assumem contornos excepcionais. Faraó, agente do reino de Satanás, percebendo que as crianças israelitas nasciam vigorosas e o número crescia cada vez mais, submete o povo a serviços pesados e providencia que o crescimento da prole israelense seja interrompido através da morte das crianças do sexo masculino.
É nesse contexto que Deus Yahweh lembra-se de todas as promessas pactuais, depois de uma série de acontecimentos preparatórios, surge o agente pactual de Yahweh, Moisés. Yahweh é desafiado e através do seu agente, usa seus poderes régios e humilha-o, juntamente com seus deuses, através de diversas pragas. O povo goza da redenção através do sangue, o cordeiro é o substituto dos primogênitos israelenses e dessa maneira a realeza de Yahweh e o pacto criacional e redentivo tem curso assegurado.
BIBLIOGRAFIA
Gerard Van Groningen, Criação e Consumação (São Paulo: Cultura Cristã, 2002). Vol. 1
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sábado, 14 de abril de 2012

Catecismo da Igreja II Encontro de Formação


II Encontro de Formação
Paroquia nossa Senhora das Mercês.
          Em preparação para o Ano da Fé.


PRIMEIRA SEÇÃO "EU CREIO" - "NÓS CREMOS" ( CIC nº 27- Nº136)
Quando professamos nossa fé, começamos dizendo: "Eu creio" ou "Nós cremos". Por isso, antes de expor a fé da Igreja tal como é confessada no Credo, celebrada na Liturgia, vivida na prática dos Mandamentos e na oração, perguntamo-nos o que significa "crer". A fé é a resposta do homem a Deus que se revela e a ele se doa, trazendo ao mesmo tempo uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último de sua vida. Por isso vamos considerar primeiro esta busca do homem (capitulo 1), em seguida a Revelação divina, pela qual Deus se apresenta ao homem (capítulo II), e finalmente a resposta da fé (capítulo III).
O HOMEM É "CAPAZ" DE DEUS  (CAPÍTULO I)
O homem é "capaz" de Deus (Capax Dei), fala o Catecismo. “Capaz” encontra-se entre aspas para nos dizer que o homem tem a capacidade de se comunicar com Deus, ou seja existe em cada homem elementos que o possibilita reconhecer a Deus ao mesmo tempo que refere-se a sua vocação (CCIC,2).

Recomendo aqui o filme: “O som do coração”.

 “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem” (CIC, 27).

O homem é criado por Deus e para Deus.
 Que o homem é criado por Deus o afirma a Escritura, no Livro do Gênesis: “E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher” (Gn 1,28). O Catecismo explicando essa passagem, no parágrafo 355, diz que “o homem ocupa um lugar único na criação: ele é “a imagem de Deus”; em sua própria natureza une o mundo espiritual e o mundo material; é criado “homem e mulher”; Deus o estabeleceu em sua amizade”. Em outro trecho, o ser humano é chamado “píncaro da obra da criação” (CIC, 343), ou seja, o ponto mais alto da criação, o ápice, o ponto mais alto da criação de Deus.

Deus não cessa de atrair o homem a si.
O próprio Cristo o fala no Evangelho que “ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai” (Jo 6,44); Ele também fala de si que, “quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 3,32). A Constituição Gaudium et Spes dirá que a pessoa humana é “a única criatura na terra que Deus quis para si” (GS,17).

Somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade
“toda a aspiração pela verdade e pela felicidade é, no fundo, uma busca daquilo que a sustenta absolutamente, que a satisfaz absolutamente, que a torna absolutamente útil” (YC,3). Esse “desejo natural de felicidade” é de origem divina, o próprio Deus o “colocou no coração do homem a fim de atraí-lo a si” (CIC, 1718) e, um dia, no Céu, esse anseio profundo será realizado (cf. CIC, 1024).
Cantado pelo salmista e reforçado por Santo Agostinho “como a corça bramindo por águas correntes, assim minha alma está bramindo por ti, ó meu Deus! Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42,1-3)
O Papa João Paulo II escreveu, certa vez, que “no mais intimo do coração do homem foi semeado o desejo e a nostalgia de Deus (Fides et Ratio, n. 24). Através daquele “senso de eternidade” do qual fala Coélet (Ecl 3,11) pulsa, no silencio do espírito humano, a voz de um Alguém, chamando-lhe para o alto e incitando-o a iniciar uma peregrinação sempre nova rumo ao Outro.
O que constatamos até aqui é que existe no ser humano essa “tendência”, esse chamado ao Transcendente. O Catecismo cita Santo Agostinho para reforçar essa idéia: “és grande, Senhor, e digno de todo o louvor... Fizeste-nos para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti” (Confissões I,1).
São João da Cruz escreveu outra frase belíssima a esse respeito: “se o homem busca a Deus, muito mais Deus busca o homem”. O homem busca a Deus através de seu “instinto”, dessa sua tendência às coisas do alto e através da razão. Deus vem ao encontro do homem, através da Revelação (como o veremos posteriormente). Mas, se por um lado, Deus não obriga o ser humano; do outro, Deus permanece fiel, “não cessa de chamar todo homem a procurá-lo” (CIC, 30). O ser humano, porém, pode aceitar, rejeitar, ignorar ou esquecer esse chamado. Ambos têm papel ativo nessa busca.

O Filme traz dois momentos importantes sobre a idéia do afastamento de Deus. O menino que sonha e lembram de sua mãe. E a mãe que descobre que o seu filho está vivo e o reconhece quando vê a sua foto.

Mas, como se dá o conhecimento da Divindade por parte do ser humano: “Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas ‘vias’ para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de ‘provas da existência de Deus’, não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de ‘argumentos convergentes e convincentes’ que permitem chegar a verdadeiras certezas. Estas ‘vias’ para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana”. (CIC,31).

A prova da existência de Deus
Essas provas não são e nem podem ser argumentos totalmente irrefutáveis (bem como não se pode negar de modo irrefutável a existência de Deus).
O papa João Paulo II, na encíclica Fides et Ratio, escreve o seguinte: “há que reconhecer que a busca da verdade nem sempre se desenrola com a referida transparência e coerência de raciocínio. Muitas vezes, as limitações naturais da razão e a inconstância do coração ofuscam e desviam a pesquisa pessoal. Outros interesses de vária ordem podem sobrepor-se à verdade. Acontece também que o próprio homem a evite, quando começa a entrevê-la, porque teme as suas exigências. Apesar disto, mesmo quando a evita, é sempre a verdade que preside à sua existência. Com efeito, nunca poderia fundar a sua vida sobre a dúvida, a incerteza ou a mentira; tal existência estaria constantemente ameaçada pelo medo e a angústia. Assim, pode-se definir o homem como aquele que procura a verdade” (FR,28). 
O Compêndio do Catecismo pergunta: “Como é que se pode conhecer Deus apenas com a luz da razão?”, ele mesmo o responde: “a partir da criação, isto é, do mundo e da pessoa humana, o homem pode, só pela razão, conhecer com certeza a Deus como origem e fim do universo e como sumo bem, verdade e beleza infinita” (CCIC, 3).

II. As vias de conhecimento de Deus
“Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas "vias" para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de "provas da existência de Deus", não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de "argumentos convergentes e convincentes" que permitem chegar a verdadeiras certezas.” CIC 31
Estas "vias" para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana.
“O homem: Com sua abertura à verdade e à beleza, com seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus. Mediante tudo isso percebe sinais de sua alma espiritual. Como "semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria" sua alma não pode ter origem senão em Deus.” CIC 33
As faculdades do homem o tomam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana. CIC 35

1. O mundo demonstra indícios da existência de Deus, através do movimento, das mudanças, da eventualidade, da ordem e da beleza de suas criaturas.

O próprio Paulo escreveu: “pois aquilo que é possível conhecer de Deus foi manifestado aos homens; e foi o próprio Deus quem o manifestou. De fato, desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, tais como o seu poder eterno e sua divindade, podem ser contempladas, através da inteligência, nas obras que ele realizou. Os homens, portanto, não têm desculpa” (Rm 1,19-20).

2. O ser humano: sua abertura à verdade, à beleza, o senso moral, a consciência, sua aspiração ao    Infinito e à felicidade; assim percebe sinais de sua alma espiritual. CIC. 33)

3. “Provas” sociológicas: Todas as sociedades, em todos os tempos apresentaram algum tipo de comportamento    religioso como já abordamos anteriormente.
   
4. As Cinco Vias De São Tomás de Aquino
a) Movimento: Se no mundo existe movimento e todo movimento tem uma causa exterior, ou se admite que a série é infinita (assim não se conseguiria explicar o movimento) ou que a série é finita e o primeiro motor é Deus;
b) Causalidade: Todas as coisas ou são causa ou são efeito, não existindo coisa alguma que seja causa de si mesma. Toda causa deve ter sido causada por outra. Ou se admite uma primeira causa não causada, Deus, ou uma série infinita que não explica nada;
c) Contingência: Na natureza existem coisas que se geram e se corrompem, não existindo sempre. Ou houve um ser que colocou existência em tudo ou a série é infinita e não se explica a existência;
d) Graus da Perfeição: Há graus de bondade, de verdade, de nobreza, de perfeição, o que implicitamente pressupõe um termo absoluto. Deverá, portanto, existir um bem, uma verdade em si: Deus;
e) Ordem: Existe ordem na natureza, o que pressupõe haver uma inteligência ordenadora: Deus.
    
5. “Provas” científicas: a ciência não consegue explicar, de forma inquestionável, a origem do universo, da origem da vida, a complexidade e ordem da natureza etc.        .                  
   
III. O conhecimento de Deus segundo a Igreja
Devido às condições históricas, o homem enfrenta dificuldade de conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão. Nesse contexto, a presença da Igreja, como mãe, que sustenta e ensina que Deus é o princípio e fim de todas as
coisas (CIC § 36) torna-se fundamental para o relacionamento do homem com
Deus.

A igreja como instrumento de iluminação da revelação de Deus para o
homem, preocupada com as verdades religiosas torna-se fundamental para o
homem em todo contexto histórico.

 IV.  Como falar de Deus?
Primeiramente, é importante falar de Deus por meio da razão humana.
“Esta convicção está na base de seu diálogo com as outras religiões, com a
filosofia e com as ciências, como também com os não-crentes e os ateus” (CIC
39).

Porém, devido ao nosso conhecimento limitado torna-se também limitado nossa forma de falar de Deus apenas com a razão. Assim, podemos falar de Deus através das múltiplas perfeições das criaturas (sua verdade, bondade e beleza) que refletem a perfeição divina, “pois a grandeza e beleza das criaturas fazem, por analogia, contemplar seu Autor” (Sabedoria 13, 5).
Ainda que nossa linguagem humana seja imperfeita e se esgote, sempre será aquém do Mistério de Deus. “Deus transcende a toda criatura” (CIC 42) e por isso somos impelidos pela fé a levar todos ao conhecimento de um Deus vivo. 


Capitulo II  Deus vai ao Encontro do Homem
Mediante a razão natural, o homem pode conhecer a Deus com certeza a partir de suas obras. as existe outra ordem de conhecimento que O homem de modo algum pode atingir por suas próprias forças, a da Revelação divina. Por uma decisão totalmente livre, Deus se revela e se doa ao homem. Fá-lo revelando seu mistério, seu projeto benevolente, que concebeu desde toda a eternidade em Cristo em prol de todos os homens. Revela plenamente seu projeto enviando seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo” (CIC 50)
Deus, além disso, por amor, revelou-se ao homem, vindo ao seu encontro; desta forma, lhe oferece uma resposta definitiva às perguntas que se faz sobre o sentido e o fim da vida humana.
"Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o mistério de sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tomam participantes da natureza divina". (CIC 51)
Deu-Se a conhecer em primeiro lugar, aos primeiros pais, Adão e Eva, depois da queda pelo pecado original, não os abandonou mas prometeu a salvação e ofereceu a sua aliança. Logo, com Abraão, elegeu o povo de Israel. Por fim, Deus se revelou plenamente enviando o seu próprio Filho, Jesus Cristo.
“O projeto divino da Revelação realiza-se ao mesmo tempo "por ações e por palavras, intimamente ligadas entre si e que se iluminam mutuamente". Este projeto comporta uma "pedagogia divina" peculiar: Deus comunica-se gradualmente com o homem, prepara-o por etapas a acolher a Revelação sobrenatural que faz de si mesmo e que vai culminar na Pessoa e na missão do Verbo encarnado, Jesus Cristo.” CIC 53


Jesus Cristo, Palavra de Deus Pai
Jesus Cristo é o Filho de Deus que se fez homem. É a palavra única, perfeita e definitiva de Deus Pai. Jesus Cristo já disse tudo o que Deus queria dizer a nós homens, de maneira que já há não existirá outra Revelação depois de Cristo. CIC 65

II. A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA  

“Deus "quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4), isto é, de Jesus Cristo. É preciso, pois, que Cristo seja anunciado a todos os povos e a todos os homens, e que desta forma a Revelação chegue até as extremidades do mundo”. CIC 74

As fontes da Revelação: Sagrada Escritura e Tradição
A Revelação de Deus pode ser encontrada na Sagrada Escritura e na Tradição divina. A sagrada Escritura é a Palavra de Deus transmitida por escrito, e consta nos livros inspirados por Deus que formam a Bíblia: 45 livros do Antigo Testamento ( antes da vinda de Jesus Cristo à terra) e 27 do Novo Testamento. A Tradição é a revelação divina encomendada por Cristo e o Espírito Santo aos Apóstolos, e transmitida íntegra, de viva voz à Igreja.
- oralmente - "pelos apóstolos, que na pregação oral, por exemplos e instituições, transmitiram aquelas coisas que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou aprenderam das sugestões do Espírito Santo"; - por escrito - "como também por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob inspiração do mesmo Espírito Santo, puseram por escrito a mensagem da salvação" CIC 76
 A Igreja, custodia e intérprete do depósito da fé
Cristo confiou à sua Igreja a Revelação de Deus, contida na Sagrada Escritura e na Tradição. A este tesouro nós o chamamos de depósito da fé. Cristo o confiou à Igreja para que o custodie, interprete, professe e pregue a todo mundo. Esta é a doutrina cristã, que a Igreja não cansa nunca de ensinar aos homens e mulheres de todas as idades e de todas as épocas.
"O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo", isto é, foi confiado aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma. CIC 85
 Conhecer a Bíblia
A Igreja tem grande veneração pela Sagrada Escritura, destacando os quatro evangelhos que ocupam um lugar verdadeiramente privilegiado, pois o seu centro é Jesus Cristo. Na Missa, depois de ler o Evangelho, o sacerdote o beija em sinal de veneração e respeito. É lógico que todo cristão procure conhecer a Sagrada Escritura, especialmente os Evangelhos, e que dedique um tempo para ler e meditar a Palavra de Deus. Como diz São Jerônimo: "desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo".
Segundo uma antiga tradição, podemos distinguir dois sentidos da Escritura: o sentido literal e o sentido espiritual, sendo este último subdividido em sentido alegórico, moral e analógico. A concordância profunda entre os quatro sentidos garante toda a sua riqueza à leitura viva da Escritura na Igreja. CIC 115
“Um dístico medieval resume a significação dos quatro sentidos: Littera gesta docei, quid credas allegoria, moralis quid agas, quo tendas anagogia. A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que deves crer; a moral, o que deves fazer; a anagogia, para onde deves caminhar.” CIC 118