sexta-feira, 18 de maio de 2012

Catecismo III encontro -CREIO EM DEUS, PAI TODO PODEROSO


A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS: CRER (144/175)
A fé é um grande dom de Deus, necessário para a nossa salvação; e a resposta do homem à revelação divina é crer no Ele nos falou. Faz-se necessário destacar que a Palavra de Deus (Dabar/Logos) é se equivale a ação de Deus. E Deus Disse. Gen 1. 
Fé dom de Deus doado ao homem
1.Pela fé podemos conhecer muitas coisas sobre Deus. Sabemos com toda certeza o que Deus existe porque - mediante as coisas criadas - pode-se chegar a demonstrar a Sua existência. Mas existem questões fundamentais para o homem: como é Deus em si mesmo?, quem é Jesus Cristo?, o que há depois da vida?, questionamentos estes que não podem chegar a conhecer-se, ainda que se pense muito neles, se Deus não os tivesse revelado. Nós os conhecemos pela fé..
2. O que é a fé? A fé é uma virtude sobrenatural. Pela fé cremos em Deus e em tudo o que Deus nos revelou. Como o motivo que nos move a crer é a autoridade divina - não a evidência das verdades reveladas -, a inteligência do homem não está determinada a 3.
A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ – II Seção
O Credo, resumo das verdades que devemos acreditar.
 Desde o princípio os crer, e crê livremente, movida pela graça de Deus.  Desde o principio os cristãos dispuseram de Símbolos ou Fórmulas de fé, que resumiam o ensinamento da Revelação divina. Ocupam um lugar particular na vida da Igreja o Símbolo dos Apóstolos e o Símbolo de Nicéia-Constantinopla. 186/187
1. Essência do Símbolo da fé. 190
Creio em Deus Pai, em Deus Filho, em Deus Espírito Santo.
Creio na Santíssima Trindade.
Creio em Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro.
Creio que Santa Maria é a Mãe de Deus de nossa Mãe.
Creio, Senhor, mas aumenta minha fé.
Creio que a Igreja Católica é minha Mãe.

CREIO EM DEUS, PAI TODO PODEROSO
As primeiras palavras que dizemos no credo são: "Creio em Deus, Pai todo poderoso" (Símbolo dos Apóstolos), ou "Creio em um só Deus, Pai todo poderoso" (Símbolo de Nicéia-Constantinopla).
2. A profissão de fé cristã começa por Deus.  Deus é o princípio e o fim de todas as coisas. E começa por Deus Pai, por que Deus Pai é a primeira pessoa da Santíssima Trindade. Deus cuida com a sua providência de todas as coisas, mas especialmente cuida do homem. É nosso Pai do céu; em conseqüência, somos seus filhos: somos filhos de Deus! Jesus nos ensinou a rezar: "Pai Nosso, que estás no céu" (Mateus 6,9).

3. Creio em um só Deus. Esta é a grande verdade, a verdade absoluta: Deus é um e único, não há mais de que um só Deus. Iahwéh já o tinha manifestado ao povo de Israel: "Escuta Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força" (Deuteronômio 6,4-5), e pelo ensinamento do Filho de Deus sabemos que o Deus único em essência existe em três pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito Santo. 199
4. O nome de Deus. Deus revelou Seu nome: "Eu sou o que sou" (Êxodo 3,14), Iahwéh. Quer dizer, Deus é, Deus é o que existe por si mesmo, sem depender de ninguém, princípio sem princípio, razão de ser de tudo o que é, origem de tudo, causa de tudo, fonte de todo ser, ser soberano, ser supremo: Deus! Jesus Cristo é quem revelou o conteúdo deste Nome, com um sentido novo: Deus Pai. 203/220
5 Deus Pai. A afirmação da paternidade divina é o primeiro artigo do Símbolo e inicia a confissão da fé no Mistério Trinitário. A revelação da paternidade de Deus no mistério inefável da Trindade de pessoas na única essência, nos facilita o caminho para compreender que Deus é também nosso Pai. Mas jamais o teríamos imaginado, se Deus não nos tivesse revelado.; nossa filiação em relação a Deus é por adoção, mediante o dom sobrenatural da graça que Deus nos infunde no Batismo.  232/237
6.  O Mistério da Trindade: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, único Deus, única essência, em três pessoas realmente distintas. Junto com a confissão da fé em Deus Uno e Trino, proclamam-se também o Mistério da Encarnação, que é realizado pelo Filho de Deus, para redimir os homens, e o Mistério da Santificação, que se atribui ao Espírito Santo. O segredo divino mais importante da Fé que Jesus Cristo nos revelou é o MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE. Jesus falou de seu Pai, que é Deus; do Espírito Santo, que também é Deus; e afirmou que ELE E O PAI SÃO UMA MESMA COISA (João 10,30), porque é o Filho de Deus. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são um único Deus -não três deuses - porque tem a mesma natureza divina, ainda que sendo três Pessoas realmente distintas. Que Deus é UM em essência e TRINO em pessoas é a revelação de sua vida íntima, maior e mais profundo de todos os mistérios; além de ser o mistério fundamental de nossa fé e de nossa vida cristã. Temos de procurar conhece-Lo e vive-Lo! O Credo, ou Símbolo é a explicação do mistério trinitário: o que Deus é e o que fez por suas criaturas ao criá-las, ao redimi-las e ao santificá-las. 238/267
6. Deus Pai todo poderoso. A onipotência, posto que vai falar da criação, que é obra de poder e se atribui ao Pai. Deus é Deus, onipotente e clemente, que está próximo de nós com Sua Providência, para ajudar-nos. 268/274
DEUS CRIOU O MUNDO POR AMOR
"No princípio, Deus criou o céu e a terra" (Gênesis 1,1). Assim começa a Bíblia, e o primeiro capítulo do Gênesis relata de maneira gráfica como Deus criou o mundo. Sem utilizar nenhum material pré existente, sem nenhum instrumento, Deus foi criando todas as coisas: o céu e a terra, os animais e as plantas... e por último o homem. Deus criou o mundo do nada. A criação inteira é fruto do amor e onipotência de Deus: as coisas pequenas - ervas e insetos -, e as grandes: o sol, a lua, os sistemas planetários, as nebulosas, os mares.... O ser mais perfeito da criação visível é o homem. E Deus continua cuidando e governando tudo com Suas leis. Que linda é a Criação! Ao contempla-la é fácil dar glória e louvor a Deus. É tanta a dignidade do trabalho humano, que, como diz a Sagrada Escritura, o homem foi criado liderar sobre a criação de um modo inteligente. Afirmar que Deus é criador o mundo, tal como se confessa no Credo: "Creio em Deus, Pai Todo Poderoso, Criador do céu e da terra".  279
7. Deus criou o mundo do nada. Com um só instante de Seu querer e tudo criou do nada. Antes de que Deus tudo criasse, não existia nada.
8. Deus criou tudo para Sua glória e honra.  Ao contemplar a grandeza do mundo  nos maravilhamos e louvamos a Deus, autor de tudo. O mundo é uma manifestação da perfeição divina, um reflexo do que Deus é. 293
9. Ter confiança em Deus. O conhecimento da Providência que Deus exerce sobre o mundo e sobre cada um de nós, deve levar-nos a uma decisão confiada de pormo-nos em Suas mãos, para que de verdade e para sempre seja Ele a fonte de nossa serenidade, segurança e alegria. 302

10. Deus Criou os Anjos. Na Sagrada Escritura encontram-se muitas passagens nas quais vemos a intervenção dos anjos: ao nascer Jesus um anjo anuncia aos pastores a boa notícia; o arcanjo Rafael aparece na história de Tobias, e o arcanjo Gabriel é quem anuncia à Virgem que Deus quer que ela seja Sua Mãe; outro anjo tira Pedro do cárcere; etc. 328
11. A proteção dos Anjos da Guarda. No Antigo Testamento há um livro muito bonito, no qual se narra que Tobias devia fazer uma longa viagem, cheia de perigos. Então, busca um companheiro de viagem, e Deus envia o arcanjo Rafael que o acompanha e lhe mostra o bom caminho, devolvendo-o feliz a sua casa. Nós também vamos a caminho do céu; neste caminho existem muitos perigos para a nossa alma e o nosso corpo. Deus nos dá um companheiro de viagem que está sempre a nosso lado, ainda que não o vejamos: é o Anjo da Guarda. Nosso Anjo nos ama como o melhor dos amigos, nos protege dia e noite, e nos fala ao coração convidando-nos a fazer as coisas boas. Quando rezamos, ele apresenta nossa oração a Deus.
12. Deus criou o Homem livre e responsável. Após Deus ter criado todas as coisas, criou o homem: Adão e Eva, de quem todos descendemos. Deus cria a todos os homens. A alma é o que dá vida ao corpo. Tudo isto quer dizer que cada um de nós fomos criados por Deus. 355
13. Deus criou o homem com corpo e alma. O livro do Gênesis nos diz que Deus formou o corpo do homem "do barro da terra", e lhe soprou no rosto "alento de vida".
14. A "imagem e semelhança" de Deus. 356/362
A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. Por ter sido criado à imagem de Deus, o ser humano tem a dignidade de PESSOA.
O HOMEM É UM SER INTELIGENTE. O homem pode pensar e expressar seu pensamento.
O HOMEM É UM SER LIVRE. O homem pode escolher; pode fazer uma coisa ou outra; pode fazer o bem ou o mal, pode cumprir ou não as leis que o Senhor lhe deu.
O HOMEM É REI E SENHOR DO UNIVERSO. Deus entregou o mundo ao homem para que o submetesse e transformasse
O HOMEM É IMAGEM DE DEUS, SOBRETUDO, PELA GRAÇA. A graça recebida no  Batismo o faz participantes da natureza divina, elevando- nos à filho de Deus.
15. O homem é responsável por seus atos
A matéria carece de responsabilidade. Os animais também não são responsáveis. Só o homem é responsável do que faz.
16. Cumprir sempre a vontade de Deus. 374
17. A Desobediência. Deus criou Adão e Eva, os encheu de dons sobrenaturais e preter naturais e os colocou no paraíso terrestre. Aí, eram muito felizes: eram amigos de Deus e não sofriam nenhum mal; trabalhavam sem cansar-se. Depois de ser felizes na terra, passariam - sem morrer - a gozar de Deus para sempre, no céu. Mas Adão e Eva cometeram um pecado gravíssimo: o pecado original.
18. Tentados pelo demônio, pai da mentira, Adão e Eva desobedeceram a Deus e pecaram. Foi um pecado de soberba, pois quiseram ser como Deus, e se submeteram ao demônio. Com este pecado perderam a amizade divina (graça), quebrada a harmonia interior, sentiram a inclinação ao mal. Ficaram submetidos à concupiscência - inclinação ao pecado -, que não é pecado, mas incita ao mal. 391
4. Os homens nascem com este pecado e sofrem suas conseqüências. 396
6. Deus teve piedade dos homens e lhes prometeu um Redentor. Apesar do pecado, Deus se compadeceu dos homens e lhes prometeu a futura redenção: prometeu que do gênero humano sairia um Redentor - Jesus Cristo -, que salvaria a humanidade do pecado e de suas conseqüências.
Bibliografia
Autor: Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela
Fonte: Livro "Curso de Catequesis" do Editorial Palavra, España
Tradução: Pe. Antônio Carlos Rossi Keller







DGA - Diretrizes de Evangelização - 2011/2015

O que são as Diretrizes?
As Diretrizes Gerais, nomeadas pela sigla “DGAE”, são feitas a cada quatro anos e norteiam todos os planos diocesanos de pastoral, ou seja, apontam os rumos da ação evangelizadora no Brasil. O planejamento pastoral começou há quase 50 anos em nosso país, com um Plano de Emergência, que nos anos seguintes tomou o nome de “Pastoral de Conjunto”, “Pastoral Orgânica”, e, por fim, “Diretrizes Gerais”. Todos esses nomes atenderam a uma só finalidade: planejar a ação da Igreja como um corpo unido, ligado à Santa Sé, porém voltado para a realidade própria do Brasil. Um testemunho de unidade, porém respeitando as diferentes situações das dioceses nesse imenso país. As diretrizes não são normas, não são estatutos para serem obedecidos, mas também não são meras sugestões. Elas entendem acolher, e colocar, em palavras, o sopro do Espírito Santo. Pretendem ser expressão da encarnação do Reino de Cristo, na nossa história atual. E, nessa medida, nos obrigam, sim, a conhecê-las a fundo e moldar a nossa ação evangelizadora diocesana no rumo por elas apontado.
Um plano de “urgências”
As novas Diretrizes não são exatamente uma novidade. Elas retomam as diretrizes anteriores, que já estavam ajustadas com o Documento de Aparecida. Mas desde a Conferência de Aparecida (2007) já passaram quatro anos, muito progresso foi feito, há também dificuldades que vão surgindo. Por isso é preciso aprofundar, fazer novas escolhas, repropor as mesmas prioridades com outros acentos. Nesse meio tempo aconteceu o Sínodo da Palavra de Deus e a Exortação do Papa Bento XVI, a Verbum Domini, repleta de novas inspirações. Há uma percepção de que a cultura atual, a sociedade, a nossa gente, os comportamentos, os relacionamentos, e a própria fé, passam por uma transformação tão rápida e profunda, que é urgente também uma nova maneira de evangelizar. Há um fato contraditório: uma parte do mundo foge da religião, há posturas fortes contra a Igreja, um vale-tudo moral escancarado. Por outro lado, há uma procura também forte pela religião, mas por uma religião de milagres e prodígios, sem amor a Deus e ao próximo, sem ligar para a salvação em Cristo, o que vale é a prosperidade, a saúde física e afetiva. Há religiões fechadas em si mesmas, de crença cega, pouco racionais. Nesse contexto, há muitos dos nossos cristãos que desanimam, ou trocam de religião por bobagem, por não estarem muito comprometidos. O urgente, na visão das Diretrizes, não é a gente se afastar do mundo, da sociedade, e de seus problemas, mas buscar uma base mais sólida da nossa fé, para evangelizar com novo entusiasmo e com clareza de propostas.
Marcas do Nosso Tempo
Para evangelizar, o discípulo missionário precisa conhecer a realidade, perscrutando-a com olhos de fé, em atitude de discernimento (17). Dada a complexidade da realidade, seu conhecimento implica uma evangélica visão crítica, condição para uma ação eclesial assentada em fundamentos sólidos (18).
Característica marcante de nosso tempo são mudanças profundas, de caráter global, atingindo tudo e a todos (19). A crise de referenciais de sentido, critérios de juízo, de valores, deixa as pessoas estressadas e desnorteadas. Daí o surgimento, de um lado, do relativismo e, de outro, do fundamentalismo, bem como de um laicismo militante (20).
São cinco as “urgências na evangelização”, apontadas nas Diretrizes Gerais. Mas antes há um ponto de partida, sem o qual as propostas ficam sem nexo. Penso que todas as nossas lideranças, desde o padre, o diácono, os ministros, catequistas, as coordenações dos movimentos, as pastorais, vão estudar, juntos esse texto que nos coloca em sintonia com toda a Igreja. Mas faço aqui um resumo, não para substituir a leitura, mas para despertar o apetite dos Conselhos Paroquias de Evangelização, na busca de novos desafios.
Partir de Jesus Cristo
Em tempo de transformações radicais, faz-se necessário “voltar às fontes”. Assim, o ponto de partida para toda a evangelização é voltar a Jesus Cristo, recomeçar a partir dele. O que é que nele nos encanta? O que nos faz arder o coração? O que nos faz deixar tudo de lado para afirmar um amor incondicional a Ele? Como Ele se apresenta nos evangelhos? Há duas coisas que resumem o que há de mais decisivo em Jesus: estar voltado para os outros, para os discípulos, para os mais pobres, para os irmãos, e o oferecimento generoso de sua própria vida, que tem a sua expressão máxima na cruz. Em tempos de forte individualismo, de culto de si mesmo, de procura de satisfação pessoal, esse lado de Jesus desaparece por completo. Não há mais amor a Deus e ao próximo, perdão aos inimigos, nem comunhão de vida com os irmãos. As cinco
“Superar o medíocre pragmatismo da vida quotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas, na verdade, a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez” (DAp )
DGAE – DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA 2011-2015 (CNBB)
urgências nos ajudam a voltar a Jesus Cristo com amor renovado.
1ª urgência – Igreja em permanente estado de missão – Quem se apaixona por Jesus Cristo deve igualmente transbordar Jesus Cristo, no testemunho e anúncio da sua mensagem. E isso é urgente por causa da grande desinformação e até deformação da sua imagem, e da sua proposta nos dias de hoje. E os primeiros interlocutores desta missão somos nós mesmos, na medida em que estamos também nesse turbilhão de transformações. É urgente, porque o mundo que se afasta de Cristo e do seu Reino, começa perigosamente a destruir-se: aí estão a violência, a corrupção, o desrespeito, ameaças à vida e à convivência. Cada comunidade deve se perguntar: quais os grupos humanos que mais precisam da boa nova do evangelho: os afastados da igreja? Os jovens? Os doentes? Os presos? Moradores de rua? Não basta constatar, é preciso ir ao encontro deles: visitas aos locais de trabalho, moradias de estudantes, periferias, assentamentos, prisões, hospitais, visitação permanente nas casas. O nosso projeto missionário diocesano está caminhando. Mas, e nas paróquias e comunidades, como viver em permanente missão?
2ª urgência – Igreja: casa da iniciação à vida cristã – Antigamente se tinha como pressuposto que as crianças aprendiam a religião na família. Não havia necessidade de preparação para o batismo. A catequese era breve e já estava feita a “iniciação”, quer dizer a preparação para o encontro com Cristo, para a vida toda. Hoje não é mais assim. A preparação imediata ao batismo e ao matrimônio acaba tendo pouco efeito. É preciso retomar a iniciação em todas as fases da vida, refazendo, fortalecendo e renovando o conhecimento e a convivência com Cristo em cada etapa. Daí a necessidade de uma catequese geral, básica para todos, e ainda uma formação mais especializada para aqueles que assumem o trabalho da evangelização. Uma catequese permanente. Voltar a Jesus Cristo, nesse caso, se faz com estudo, dedicação à Palavra de Deus, liturgia bem preparada e vivida como encontro vivo com Cristo. Criar ocasiões, lugares e horários diversificados em que a comunidade ofereça a formação a todos os grupos, com pessoas preparadas para isso. Como organizar essa catequese geral em cada comunidade?
3ª urgência – Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral Bíblia na mão e no coração – A Exortação Verbum Domini, do papa Bento XVI não deixa dúvida de que só será possível voltar a Jesus Cristo, Palavra de Deus encarnada, se tivermos intimidade com a Palavra de Deus escrita, a Bíblia. Bombardeados o tempo todo por questões que desafiam a fé, a ética e a esperança, precisamos estar familiarizados com a Palavra de Deus, para nos manter firmes, e converter os corações daqueles que nos questionam. Começa que nem todos têm a Bíblia, sobretudo os mais pobres. É possível nos movermos para oferecer a todos a Sagrada Escritura? E tendo a Bíblia, como utilizá-la? Aí é que entra a Paróquia como formadora de multiplicadores do conhecimento bíblico, nos grupos de reflexão permanentes. Os leigos que cursaram, ou estão cursando o nosso Curso de Teologia, estão pondo em prática os seus conhecimentos na comunidade? É possível fazer de cada comunidade uma escola de interpretação e conhecimento da Palavra? Nesse ponto, a preparação de bons leitores para a Liturgia, e também uma homilia bem preparada, têm sempre bom resultado.
4ª urgência – Igreja: comunidade de comunidades - O Documento de Aparecida fala em “setorização das Paróquias” e “rede de comunidades”. Lembro-me de que esse ponto foi proposto em nossa Assembleia Diocesana, mas não sabíamos por onde começar. Agora vão-se aclarando caminhos. Sempre foi claro para nós que sem vida em comunidade não há como viver a proposta cristã. E de fato existem muitas formas de pequenas comunidades, dentro da grande comunidade que é a Igreja. Os movimentos, os grupos de reflexão e de oração, os grupos por faixa etária – jovens, idosos, casais e outros – formam pequenas comunidades de vida que realmente ligam e comprometem os que delas participam. Mas há uma grande parcela que vive na grande comunidade, sem vínculos fraternos fortes. Vêm à missa, cumprem corretamente os preceitos, e vão pra casa, sem criar laços mais profundos. O primeiro desafio é aproximá-los de uma experiência comunitária mais forte. O segundo desafio – é feio reconhecer! – é superar certos conflitos, competições, ciúmes, isolamentos, que ainda existem entre certos grupos, para formar uma verdadeira rede de comunidades muito unidas, apesar de suas peculiaridades. É possível articular uma pastoral de conjunto, bem planejada, que promova a partilha e a comunhão em todos os níveis?
5ª urgência - Igreja a serviço da vida plena para todos – Última urgência das Direrizes, não por ser menos importante, mas por ser decorrente de todas as outras. Ela é importante, como a colheita no final de todas as etapas do trabalho do agricultor. É a prova dos nove da fé. “O Evangelho da vida está no centro da mensagem de Jesus” já dizia o beato João Paulo II. Não vamos voltar a Jesus sem o compromisso forte com a dignidade da vida, desde a vida não nascida, passando pelas condições de vida dos excluídos e ignorados em sua dor, até o abandono dos idosos. A vida ceifada cedo pela droga, pela violência, a ignorância, a vida dos seres humanos tratados como objetos, na prostituição e na exploração do subemprego. O desprezo à vida é tão frequente que já achamos normal. E achamos que a nossa vida cristã está perfeita, quando recebemos a santa comunhão com devoção, e ponto. Nossa Diocese está dando um passo decisivo, na linha de uma ação social organizada, por meio da Cáritas, mas esse é só um aspecto. Chegar ao ponto de cada cristão ficar com a consciência ferida, acaso não tenha praticado ao menos um gesto corajoso de amor a cada dia.

sábado, 28 de abril de 2012

Sagrada Escritura – A História da Salvação



INTRODUÇÃO
A Bíblia ou Sagrada Escritura narra o  modo escrito ao qual Deus revela o seu amor ao  homem. Amor Incondicional que ultrapassa a as barreiras do pecado, da incapacidade, incredulidade e orgulho.  
Essa revelação de Deus possui características próprias, quais são: (1) Histórica: Deus revelou sua vontade, em palavras e atos, no decurso da história humana, inserida no ambiente e contexto específico em que viveram os receptores dessa revelação. (2) Progressiva: A revelação não foi comunicada em todos os aspectos de uma só vez, mas foi progressivamente manifestada. A cada nova revelação algum aspecto, formal e externo, era acrescentado e outros confirmados. Contudo, isso não significa uma alteração na mensagem, pois a natureza e o sentido básico dessa revelação permaneceram os mesmos apesar das mudanças externas e formais. (3) Orgânica: Esse aspecto elucida o anterior. Significa que a mensagem foi dada inteira na sua forma embrionária. Todos os elementos estavam presentes como uma semente que mais tarde se transforma numa robusta árvore. (4) Adaptável: A revelação não era algo desassociado da vida das pessoas, mas funcionava como a mola mestra e o princípio motivador que guiava e nutria o sentido da existência dos recipientes, e que, corretamente interpretada, continua sendo adaptável aos nossos dias.
O entendimento dessas características e a compreensão do registro bíblico como INSPIRADO, INERRANTE e INFALÍVEL é fundamental para uma correta abordagem do estudo dessa lição. Abaixo um gráfico que pode ajudar:
I – O CRIADOR E A CRIAÇÃO
Apesar da ausência dos termos Rei e Reino no relato da Criação (Gn.1,2), a idéia de Reino está presente aqui e em toda a Escritura, principalmente no período da monarquia em Israel (Sl.103.19). Evidentemente elas não apresentam nenhuma definição absoluta para Reino de Deus. Mas se considerarmos o conceito mais básico de Reino, o que implicaria na presença de um Rei que governa soberano seu Reino, então não há dúvidas de que Deus Yahweh é o Rei absoluto e soberano sobre todas as coisas e nada escapa do seu domínio.
Na criação, mais do que em qualquer outro registro bíblico, é possível perceber Deus Yahweh usando suas prerrogativas reais. Em primeiro lugar como soberano absoluto Deus Yahweh criou, não por constrangimento ou necessidade, mas por livre vontade. Há muitos conceitos correlatos que poderíamos usar para identificarmos a motivação de Yahweh para criar, sendo que, aquela mais inclusiva é a de que Ele criou para revelar sua glória com vistas ao seu próprio deleite e adoração das suas criaturas (Ef.1.11).
O Reino de Deus (Em grego:  Basileia tou Theou) designa um governo ou domínio em que tem Deus por soberano ou governante. Porém, o midi ai qyak Deys Governa  é AMOR E SERVIÇO.
Em segundo lugar, o resultado da ação criadora do Modo de Deus governar foi a criação do Universo. A diversidade dos elementos presentes na criaçõ e a maneira como eles se relacionam harmoniosamente revelam a sabedoria de Yahweh..
Em terceiro lugar o UNIVERSO foi criado para funcionar a partir da dinâmica do próprio Deus. . Entre estes podemos destacar a maneira como este Deus decidiu relacionar-se com as criaturas. E em seguida partilhando a responsabilidade do homem em obedecer aos mandatos e as ordenanças presentes na estrutura da criação do reino cósmico.
O primeiro é o mandato cultural. Nele o homem é convocado a se relacionar com o Universo e exercer o papel da sujeição e domínio (Gn.1.28), guarda e cultivo (Gn.1.17). Extrair o máximo do lugar em que vive para produzir, por meio das capacidades que foi dotado, o habitat em que a vida humana deveria se desenvolver. O segundo é o mandato social. Ao criar homem e mulher, Deus Yahweh ordenou como deveria ser o relacionamento entre eles, forneceu princípios para o convívio social e determinou-lhes a fecundidade. O terceiro é o mandato espiritual. Nele, homem e mulher, deveriam responder ao Criador num relacionamento de vida e amor. Para tanto eles foram criados com suficientes condições (Imago Dei) para exercer este mandato. Desfrutando dos benefícios da comunhão com o criador e alertados quanto às implicações da quebra deste vínculo relacional com aquele que é Espírito (Gn.2.16,17).
II – Responsabilidade do Homem sobre a terra e a criação.
Após analise no registro da criação de Adão e Eva (Gn.1.26-30; 2.7-25), fica claro sua distinção em comparação com o restante da criação. Quanto a eles é mencionada uma deliberação específica precedendo sua criação. São designados como Imagem e Semelhança do Criador, o que implica numa relação-pactual de vida e amor com privilégios e obrigações.
Tendo sido criados no jardim chamado Édem, gozavam de todos os privilégios e obrigações dispostos pelo Criador. Entre as obrigações estava à proibição de não comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Nesta ordem residia o teste de obediência do mandato espiritual. Desobedecer traria a ruína e a morte a eles e sua posteridade, o que de fato veio a acontecer.
Não pode passar despercebido o agente da tentação: a serpente, Satanás. Ainda que a sua origem não seja discutida no texto, ele é apresentado como aquele por intermédio de quem penetrou na criação de Yahweh o mal e o pecado. Por conta disso, um outro reino tomou forma e se instalou no reino de Yahweh: o reino parasita de Satanás. É parasita porque não tem capacidade de existir por si próprio, mas depende de outro organismo vivo, o reino de Yahweh. Dessa maneira este reino penetrou na criação de Deus em todas as suas dimensões, principalmente no coração dos homens.
Cada um dos envolvidos na cena da tentação no Éden recebeu sua sentença condenatória. Todavia, a maldição não finalizou ao reino de Yahweh, por causa da excelência das suas virtudes, ele mitigou a maldição e ainda anunciou seu programa redentivo, dando inicio assim ao pacto da redenção.
III – O REINO, O PACTO E O MEDIADOR: DE ADÃO A MOISÉS
3.1 Em Adão
Deus Yahweh havia garantido a continuidade da raça humana quando mitigou as maldições do pacto. Mas ele foi além quando pré-anunciou o Evangelho: a boa notícia da restauração da Aliança, e dos efeitos da entrada do mal e do pecado. Um mediador que viria da semente da mulher foi anunciado como aquele que iria destruir o reino parasita. Ao mesmo tempo proclamou que, durante toda a história iria se desenvolver




vida e amor; e a semente de Satanás, homens e mulheres a serviço do reino parasita.
3.2 Em Noé (Gn.5.1-11.9)
Nos dias de Noé as condições morais, sociais e espirituais revelavam claramente a existência da antítese entre o Reino de Yahweh e o Reino Parasita de Satanás. O mandato cultural era cumprido por ambos, enquanto no social o reino parasita deixava marcas indeléveis, de maneira que o mandato espiritual era ignorado pela maioria que estava imersa nas dobras e recantos do reino parasita de Satanás.
Deus Yahweh usando suas prerrogativas reais anuncia o julgamento, a maldição do pacto. Noé, gracioso aos olhos de Yahweh, é usado por Ele para ser um agente pactual, um mediador. Através da arca, Deus Yahweh preservaria e continuaria a vida, administrando concomitantemente o pacto criacional e redentivo. Por meio desta ação manteria o Pacto e dava prosseguimento ao seu projeto.
3.2 Em Abraão (Gn.12-25)
A eleição e chamado de Abraão indicam claramente a soberania de Yahweh,. Em sua intenção de levar adiante o pacto criacional e redentivo, por livre vontade escolhe um homem que vivia comum e respeitado. A vocação de Abraão sinaliza a própria natureza pactual do relacionamento de Yahweh com seus súditos,  unilateral na sua iniciativa.
Os detalhes da chamada de Abraão (Gn.12.1-3) dão clara compreensão dos três temas integrados: Reino, Pacto e Mediador. É possível perceber a intenção régia de Yahweh na formação visível e nacional de um povo do Pacto – descendentes de Abraão. Por meio deles a redenção alcançaria níveis universais. Também é evidente que Abraão estava sendo colocado como uma pessoa pactual, um mediador.
A resposta de Abraão, seu desprendimento em obedecer prontamente, a circuncisão e os demais eventos da sua vida apontam o vínculo de vida e amor estabelecido na sua relação com Yahweh. Tornando-se um modelo de fé para as demais gerações .
3.3 Em Isaque, Jacó, Judá e José (Gn.26.1-50.26)
Em Isaque temos o cumprimento da promessa feita a Abraão. Seu nascimento excepcional, devido a esterilidade de Sara, fornecem claras evidências do poder régio de Yahweh sobre as leis do seu reino cósmico. Na ocasião do conflito de Sara com sua serva Hagar e seu filho Ismael, fica exposto que Isaque é o pilar sustentador que continuaria a linhagem pactual.
Em Jacó observamos que mais uma vez a soberania de Yahweh fica em relevo, quando ele, Jacó, é escolhido antes do nascimento para engrossar as fileiras dos agentes pactuais de Yahweh. A influência do modo de Deus reinar também são destacadas no caráter e personalidade de Jacó, no entanto, seu encontro transformador com Yahweh produz o vínculo de vida e amor e o modifica radicalmente, de maneira que seu novo nome, Israel, passará a identificar perpetuamente o povo da Aliança.
Em José, Deus Yahweh exerce seu controle sobre o destino das pessoas. Esse controle ultrapassa os limites individuais, de maneira que o curso das nações está condicionado ao controle providencial de Yahweh. Providência que age para o benefício do povo do pacto, como pode ser observado na qualidade mediatária de José. É no final do registro sobre José que encontramos mais uma vez Jacó na qualidade de mediador e porta voz de Yahweh (Gn.48). E na sua mensagem profética Judá é apresentado como o personagem régio, na sua linhagem está garantida, mais uma vez, a semente da mulher que iria esmagar a cabeça da serpente.
3.4 Em Moisés (Ex.1.1-18.27)
Muito tempo havia se passado e o povo do pacto estava preservado. Todavia, é no ambiente egípcio que os poderes antitéticos do reino de Deus assumem contornos excepcionais. Faraó, agente do reino de Satanás, percebendo que as crianças israelitas nasciam vigorosas e o número crescia cada vez mais, submete o povo a serviços pesados e providencia que o crescimento da prole israelense seja interrompido através da morte das crianças do sexo masculino.
É nesse contexto que Deus Yahweh lembra-se de todas as promessas pactuais, depois de uma série de acontecimentos preparatórios, surge o agente pactual de Yahweh, Moisés. Yahweh é desafiado e através do seu agente, usa seus poderes régios e humilha-o, juntamente com seus deuses, através de diversas pragas. O povo goza da redenção através do sangue, o cordeiro é o substituto dos primogênitos israelenses e dessa maneira a realeza de Yahweh e o pacto criacional e redentivo tem curso assegurado.
BIBLIOGRAFIA
Gerard Van Groningen, Criação e Consumação (São Paulo: Cultura Cristã, 2002). Vol. 1
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sábado, 14 de abril de 2012

Catecismo da Igreja II Encontro de Formação


II Encontro de Formação
Paroquia nossa Senhora das Mercês.
          Em preparação para o Ano da Fé.


PRIMEIRA SEÇÃO "EU CREIO" - "NÓS CREMOS" ( CIC nº 27- Nº136)
Quando professamos nossa fé, começamos dizendo: "Eu creio" ou "Nós cremos". Por isso, antes de expor a fé da Igreja tal como é confessada no Credo, celebrada na Liturgia, vivida na prática dos Mandamentos e na oração, perguntamo-nos o que significa "crer". A fé é a resposta do homem a Deus que se revela e a ele se doa, trazendo ao mesmo tempo uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último de sua vida. Por isso vamos considerar primeiro esta busca do homem (capitulo 1), em seguida a Revelação divina, pela qual Deus se apresenta ao homem (capítulo II), e finalmente a resposta da fé (capítulo III).
O HOMEM É "CAPAZ" DE DEUS  (CAPÍTULO I)
O homem é "capaz" de Deus (Capax Dei), fala o Catecismo. “Capaz” encontra-se entre aspas para nos dizer que o homem tem a capacidade de se comunicar com Deus, ou seja existe em cada homem elementos que o possibilita reconhecer a Deus ao mesmo tempo que refere-se a sua vocação (CCIC,2).

Recomendo aqui o filme: “O som do coração”.

 “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem” (CIC, 27).

O homem é criado por Deus e para Deus.
 Que o homem é criado por Deus o afirma a Escritura, no Livro do Gênesis: “E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher” (Gn 1,28). O Catecismo explicando essa passagem, no parágrafo 355, diz que “o homem ocupa um lugar único na criação: ele é “a imagem de Deus”; em sua própria natureza une o mundo espiritual e o mundo material; é criado “homem e mulher”; Deus o estabeleceu em sua amizade”. Em outro trecho, o ser humano é chamado “píncaro da obra da criação” (CIC, 343), ou seja, o ponto mais alto da criação, o ápice, o ponto mais alto da criação de Deus.

Deus não cessa de atrair o homem a si.
O próprio Cristo o fala no Evangelho que “ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai” (Jo 6,44); Ele também fala de si que, “quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 3,32). A Constituição Gaudium et Spes dirá que a pessoa humana é “a única criatura na terra que Deus quis para si” (GS,17).

Somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade
“toda a aspiração pela verdade e pela felicidade é, no fundo, uma busca daquilo que a sustenta absolutamente, que a satisfaz absolutamente, que a torna absolutamente útil” (YC,3). Esse “desejo natural de felicidade” é de origem divina, o próprio Deus o “colocou no coração do homem a fim de atraí-lo a si” (CIC, 1718) e, um dia, no Céu, esse anseio profundo será realizado (cf. CIC, 1024).
Cantado pelo salmista e reforçado por Santo Agostinho “como a corça bramindo por águas correntes, assim minha alma está bramindo por ti, ó meu Deus! Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42,1-3)
O Papa João Paulo II escreveu, certa vez, que “no mais intimo do coração do homem foi semeado o desejo e a nostalgia de Deus (Fides et Ratio, n. 24). Através daquele “senso de eternidade” do qual fala Coélet (Ecl 3,11) pulsa, no silencio do espírito humano, a voz de um Alguém, chamando-lhe para o alto e incitando-o a iniciar uma peregrinação sempre nova rumo ao Outro.
O que constatamos até aqui é que existe no ser humano essa “tendência”, esse chamado ao Transcendente. O Catecismo cita Santo Agostinho para reforçar essa idéia: “és grande, Senhor, e digno de todo o louvor... Fizeste-nos para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti” (Confissões I,1).
São João da Cruz escreveu outra frase belíssima a esse respeito: “se o homem busca a Deus, muito mais Deus busca o homem”. O homem busca a Deus através de seu “instinto”, dessa sua tendência às coisas do alto e através da razão. Deus vem ao encontro do homem, através da Revelação (como o veremos posteriormente). Mas, se por um lado, Deus não obriga o ser humano; do outro, Deus permanece fiel, “não cessa de chamar todo homem a procurá-lo” (CIC, 30). O ser humano, porém, pode aceitar, rejeitar, ignorar ou esquecer esse chamado. Ambos têm papel ativo nessa busca.

O Filme traz dois momentos importantes sobre a idéia do afastamento de Deus. O menino que sonha e lembram de sua mãe. E a mãe que descobre que o seu filho está vivo e o reconhece quando vê a sua foto.

Mas, como se dá o conhecimento da Divindade por parte do ser humano: “Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas ‘vias’ para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de ‘provas da existência de Deus’, não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de ‘argumentos convergentes e convincentes’ que permitem chegar a verdadeiras certezas. Estas ‘vias’ para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana”. (CIC,31).

A prova da existência de Deus
Essas provas não são e nem podem ser argumentos totalmente irrefutáveis (bem como não se pode negar de modo irrefutável a existência de Deus).
O papa João Paulo II, na encíclica Fides et Ratio, escreve o seguinte: “há que reconhecer que a busca da verdade nem sempre se desenrola com a referida transparência e coerência de raciocínio. Muitas vezes, as limitações naturais da razão e a inconstância do coração ofuscam e desviam a pesquisa pessoal. Outros interesses de vária ordem podem sobrepor-se à verdade. Acontece também que o próprio homem a evite, quando começa a entrevê-la, porque teme as suas exigências. Apesar disto, mesmo quando a evita, é sempre a verdade que preside à sua existência. Com efeito, nunca poderia fundar a sua vida sobre a dúvida, a incerteza ou a mentira; tal existência estaria constantemente ameaçada pelo medo e a angústia. Assim, pode-se definir o homem como aquele que procura a verdade” (FR,28). 
O Compêndio do Catecismo pergunta: “Como é que se pode conhecer Deus apenas com a luz da razão?”, ele mesmo o responde: “a partir da criação, isto é, do mundo e da pessoa humana, o homem pode, só pela razão, conhecer com certeza a Deus como origem e fim do universo e como sumo bem, verdade e beleza infinita” (CCIC, 3).

II. As vias de conhecimento de Deus
“Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas "vias" para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de "provas da existência de Deus", não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de "argumentos convergentes e convincentes" que permitem chegar a verdadeiras certezas.” CIC 31
Estas "vias" para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana.
“O homem: Com sua abertura à verdade e à beleza, com seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus. Mediante tudo isso percebe sinais de sua alma espiritual. Como "semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria" sua alma não pode ter origem senão em Deus.” CIC 33
As faculdades do homem o tomam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana. CIC 35

1. O mundo demonstra indícios da existência de Deus, através do movimento, das mudanças, da eventualidade, da ordem e da beleza de suas criaturas.

O próprio Paulo escreveu: “pois aquilo que é possível conhecer de Deus foi manifestado aos homens; e foi o próprio Deus quem o manifestou. De fato, desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, tais como o seu poder eterno e sua divindade, podem ser contempladas, através da inteligência, nas obras que ele realizou. Os homens, portanto, não têm desculpa” (Rm 1,19-20).

2. O ser humano: sua abertura à verdade, à beleza, o senso moral, a consciência, sua aspiração ao    Infinito e à felicidade; assim percebe sinais de sua alma espiritual. CIC. 33)

3. “Provas” sociológicas: Todas as sociedades, em todos os tempos apresentaram algum tipo de comportamento    religioso como já abordamos anteriormente.
   
4. As Cinco Vias De São Tomás de Aquino
a) Movimento: Se no mundo existe movimento e todo movimento tem uma causa exterior, ou se admite que a série é infinita (assim não se conseguiria explicar o movimento) ou que a série é finita e o primeiro motor é Deus;
b) Causalidade: Todas as coisas ou são causa ou são efeito, não existindo coisa alguma que seja causa de si mesma. Toda causa deve ter sido causada por outra. Ou se admite uma primeira causa não causada, Deus, ou uma série infinita que não explica nada;
c) Contingência: Na natureza existem coisas que se geram e se corrompem, não existindo sempre. Ou houve um ser que colocou existência em tudo ou a série é infinita e não se explica a existência;
d) Graus da Perfeição: Há graus de bondade, de verdade, de nobreza, de perfeição, o que implicitamente pressupõe um termo absoluto. Deverá, portanto, existir um bem, uma verdade em si: Deus;
e) Ordem: Existe ordem na natureza, o que pressupõe haver uma inteligência ordenadora: Deus.
    
5. “Provas” científicas: a ciência não consegue explicar, de forma inquestionável, a origem do universo, da origem da vida, a complexidade e ordem da natureza etc.        .                  
   
III. O conhecimento de Deus segundo a Igreja
Devido às condições históricas, o homem enfrenta dificuldade de conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão. Nesse contexto, a presença da Igreja, como mãe, que sustenta e ensina que Deus é o princípio e fim de todas as
coisas (CIC § 36) torna-se fundamental para o relacionamento do homem com
Deus.

A igreja como instrumento de iluminação da revelação de Deus para o
homem, preocupada com as verdades religiosas torna-se fundamental para o
homem em todo contexto histórico.

 IV.  Como falar de Deus?
Primeiramente, é importante falar de Deus por meio da razão humana.
“Esta convicção está na base de seu diálogo com as outras religiões, com a
filosofia e com as ciências, como também com os não-crentes e os ateus” (CIC
39).

Porém, devido ao nosso conhecimento limitado torna-se também limitado nossa forma de falar de Deus apenas com a razão. Assim, podemos falar de Deus através das múltiplas perfeições das criaturas (sua verdade, bondade e beleza) que refletem a perfeição divina, “pois a grandeza e beleza das criaturas fazem, por analogia, contemplar seu Autor” (Sabedoria 13, 5).
Ainda que nossa linguagem humana seja imperfeita e se esgote, sempre será aquém do Mistério de Deus. “Deus transcende a toda criatura” (CIC 42) e por isso somos impelidos pela fé a levar todos ao conhecimento de um Deus vivo. 


Capitulo II  Deus vai ao Encontro do Homem
Mediante a razão natural, o homem pode conhecer a Deus com certeza a partir de suas obras. as existe outra ordem de conhecimento que O homem de modo algum pode atingir por suas próprias forças, a da Revelação divina. Por uma decisão totalmente livre, Deus se revela e se doa ao homem. Fá-lo revelando seu mistério, seu projeto benevolente, que concebeu desde toda a eternidade em Cristo em prol de todos os homens. Revela plenamente seu projeto enviando seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo” (CIC 50)
Deus, além disso, por amor, revelou-se ao homem, vindo ao seu encontro; desta forma, lhe oferece uma resposta definitiva às perguntas que se faz sobre o sentido e o fim da vida humana.
"Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o mistério de sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tomam participantes da natureza divina". (CIC 51)
Deu-Se a conhecer em primeiro lugar, aos primeiros pais, Adão e Eva, depois da queda pelo pecado original, não os abandonou mas prometeu a salvação e ofereceu a sua aliança. Logo, com Abraão, elegeu o povo de Israel. Por fim, Deus se revelou plenamente enviando o seu próprio Filho, Jesus Cristo.
“O projeto divino da Revelação realiza-se ao mesmo tempo "por ações e por palavras, intimamente ligadas entre si e que se iluminam mutuamente". Este projeto comporta uma "pedagogia divina" peculiar: Deus comunica-se gradualmente com o homem, prepara-o por etapas a acolher a Revelação sobrenatural que faz de si mesmo e que vai culminar na Pessoa e na missão do Verbo encarnado, Jesus Cristo.” CIC 53


Jesus Cristo, Palavra de Deus Pai
Jesus Cristo é o Filho de Deus que se fez homem. É a palavra única, perfeita e definitiva de Deus Pai. Jesus Cristo já disse tudo o que Deus queria dizer a nós homens, de maneira que já há não existirá outra Revelação depois de Cristo. CIC 65

II. A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA  

“Deus "quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4), isto é, de Jesus Cristo. É preciso, pois, que Cristo seja anunciado a todos os povos e a todos os homens, e que desta forma a Revelação chegue até as extremidades do mundo”. CIC 74

As fontes da Revelação: Sagrada Escritura e Tradição
A Revelação de Deus pode ser encontrada na Sagrada Escritura e na Tradição divina. A sagrada Escritura é a Palavra de Deus transmitida por escrito, e consta nos livros inspirados por Deus que formam a Bíblia: 45 livros do Antigo Testamento ( antes da vinda de Jesus Cristo à terra) e 27 do Novo Testamento. A Tradição é a revelação divina encomendada por Cristo e o Espírito Santo aos Apóstolos, e transmitida íntegra, de viva voz à Igreja.
- oralmente - "pelos apóstolos, que na pregação oral, por exemplos e instituições, transmitiram aquelas coisas que ou receberam das palavras, da convivência e das obras de Cristo ou aprenderam das sugestões do Espírito Santo"; - por escrito - "como também por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob inspiração do mesmo Espírito Santo, puseram por escrito a mensagem da salvação" CIC 76
 A Igreja, custodia e intérprete do depósito da fé
Cristo confiou à sua Igreja a Revelação de Deus, contida na Sagrada Escritura e na Tradição. A este tesouro nós o chamamos de depósito da fé. Cristo o confiou à Igreja para que o custodie, interprete, professe e pregue a todo mundo. Esta é a doutrina cristã, que a Igreja não cansa nunca de ensinar aos homens e mulheres de todas as idades e de todas as épocas.
"O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo", isto é, foi confiado aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma. CIC 85
 Conhecer a Bíblia
A Igreja tem grande veneração pela Sagrada Escritura, destacando os quatro evangelhos que ocupam um lugar verdadeiramente privilegiado, pois o seu centro é Jesus Cristo. Na Missa, depois de ler o Evangelho, o sacerdote o beija em sinal de veneração e respeito. É lógico que todo cristão procure conhecer a Sagrada Escritura, especialmente os Evangelhos, e que dedique um tempo para ler e meditar a Palavra de Deus. Como diz São Jerônimo: "desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo".
Segundo uma antiga tradição, podemos distinguir dois sentidos da Escritura: o sentido literal e o sentido espiritual, sendo este último subdividido em sentido alegórico, moral e analógico. A concordância profunda entre os quatro sentidos garante toda a sua riqueza à leitura viva da Escritura na Igreja. CIC 115
“Um dístico medieval resume a significação dos quatro sentidos: Littera gesta docei, quid credas allegoria, moralis quid agas, quo tendas anagogia. A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que deves crer; a moral, o que deves fazer; a anagogia, para onde deves caminhar.” CIC 118

quinta-feira, 15 de março de 2012

Catecismo da Igreja Católica

Encontro de Formação
Paroquia nossa Senhora das Mercês.
          Em preparação para o Ano da Fé.

A Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério.
O Concílio Vaticano II na Constituição Dei Verbum ensina que “a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura, constituem um só Sagrado Depósito da Palavra de Deus confiado à Igreja” (n. 10). O mesmo documento define uma e outra fonte da revelação divina: “A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus enquanto é redigida sob a moção do Espírito Santo; a Sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos para que, sob a luz do Espírito de verdade, eles por sua pregação fielmente a conservem, exponham e difundam” (n. 10).

Por Magistério da Igreja, entende-se seja o oficio de guardar, interpretar e ensinar autenticamente a Palavra de Deus, sejam aqueles por instituição divina, detém, na Igreja, este ofício, ou seja, o Papa, Bispo de Roma, Sucessor do Apóstolo São Pedro, e os demais Bispos, Sucessores dos Apóstolos, em união com o Papa. O Oficio de ensinar funda-se também em fontes documentais. As mais relevantes são, pois: o Catecismo, o Código de Direito Canônico, os documentos papais, os documentos das autoridades eclesiásticas; os documentos conciliares e todos os textos de santos da Igreja, bem como os textos de seus doutores devidamente aprovados.


O Catecismo da Igreja Católica

1.   Breve História
Ao invés de perguntamos sobre o que é o catecismo, deveria se perguntar exatamente o que ele não. Ou seja, o catecismo não é um livro, não é conjunto de doutrinas, não é uma enciclopédia de termos e conceitos. Mas, é um caminho que nos fundamente a nossa experiência de fé. O catecismo deve nos oferecer uma doutrina clara, mas antes de tudo deve nos ensinar a viver como Jesus Cristo.  é um instrumento que nos auxilia no processo de transfiguração pessoal de cada cristão.

A história diz catecismo, nem sempre existiu como livro, designava Primitivamente, designava a instrução dos catecúmenos, e o exame de religião que deviam prestar antes do batismo.

Verdade é que, na Alemanha, a primeira obra catequética, com o título de “Catecismo”, se deve ao humanista e reformador protestante André Altahamer. Publicou-a em 1528, na cidade de Nuremberg. Em 1529 editava Lutero seus dois catecismos, cujo valor didático excedia, e em todos os pontos de vista, ao de Althamer e outros reformadores. Consta que, por ocasião da Dieta de Augsburgo, em 1530, os católicos compuseram também um catecismo, do qual já não existe nenhum exemplar. O primeiro catecismo católico na Alemanha, do qual temos notícia certa, é o do jesuíta Jorge Wicelius, impresso cinco anos mais tarde, em 1533.
Cumpre notar que só na Alemanha existe, propriamente, uma prioridade cronológica a favor dos protestantes. Nas missões da América, como se verá mais adiante , houve catecismos católicos do feitio atual, que são anteriores a Althamer e Lutero.

Não cabe, pois, a Lutero, nem aos demais reformadores, a criação formal do Catecismo. Com efeito, Lutero só lhe usurpou o nome. Quanto à matéria, chegou até a inspirar-se diretamente em antigas tradições da Igreja. Seu pequeno Catecismo contém a explicação dos Mandamentos, do Símbolo, do Pai-Nosso, do Batismo e da Eucaristia.

Ora, desde que Santo Tomás de Aquino, em 1256, expôs em cinco opúsculos separados o Credo, o Pai- Nosso, a Saudação Angélica, o Decálogo e os Sacramentos, não é temerário dizer-se que já havia uma ordem tradicional de matérias.

Mas o primeiro catecismo propriamente dito foi elaborado por ordem do segundo Sínodo Provincial de Lavaur, em 1368. Inspirando-se nos opúsculos de Santo Tomás, expõe, para uso do clero, o nexo orgânico dos principais artigos da fé. Precursor remoto do Catecismo Romano, o manual de Lavaur teve várias edições, mas nenhuma delas chegou até nós. “Catechismus Vaurensis” é o título, pelo qual costuma ser citado em estudos bibliográficos

2.      O Concilio Vaticano II
V. Fim principal do Concílio: defesa e difusão da doutrina
1. O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz.
2. Essa doutrina abarca o homem inteiro, composto de alma e corpo, e a nós, peregrinos nesta terra, manda-nos tender para a pátria celeste.
3. Isto mostra como é preciso ordenar a nossa vida mortal, de maneira que cumpramos os nossos deveres de cidadãos da terra e do céu, e consigamos deste modo o fim estabelecido por Deus. Quer dizer que todos os homens, tanto considerados individualmente como reunidos em sociedade, têm o dever de tender sem descanso, durante toda a vida, para a consecução dos bens celestiais, e de usarem só para este fim os bens terrenos sem que seu uso prejudique a eterna felicidade.
4. O Senhor disse: « Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça » (Mt 6, 33). Esta palavra « primeiro » exprime, antes de mais, em que direção devem mover-se os nossos pensamentos e as nossas forças; não devemos esquecer, porém, as outras palavras desta exortação do Senhor, isto é: « e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo » (Mt 6, 33). Na realidade, sempre existiram e existem ainda, na Igreja, os que, embora procurem com todas as forças praticar a perfeição evangélica, não se esquecem de ser úteis à sociedade. De fato, do seu exemplo de vida, constantemente praticado, e das suas iniciativas de caridade toma vigor e incremento o que há de mais alto e mais nobre na sociedade humana.
5. Mas, para que esta doutrina atinja os múltiplos níveis da atividade humana, que se referem aos indivíduos, às famílias e à vida social, é necessário primeiramente que a Igreja não se aparte do patrimônio sagrado da verdade, recebido dos seus maiores; e, ao mesmo tempo, deve também olhar para o presente, para as novas condições e formas de vida introduzidas no mundo hodierno, que abriram novos caminhos ao apostolado católico.
6. Por esta razão, a Igreja não assistiu indiferente ao admirável progresso das descobertas do gênero humano, e não lhes negou o justo apreço, mas, seguindo estes progressos, não deixa de avisar os homens para que, bem acima das coisas sensíveis, elevem os olhares para Deus, fonte de toda a sabedoria e beleza; e eles, aos quais foi dito: « Submetei a terra e dominai-a » (Gn 1, 28), não esqueçam o mandamento gravíssimo: « Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás » (Mt 4, 10; Lc 4, 8), para que não suceda que a fascinação efêmera das coisas visíveis impeça o verdadeiro progresso. (Discurso de sua Santidade Papa João XXIII na Abertura do Solene SS. Concílio 11 de Outubro de 1962)

3. Um Apelo do Conselho Vaticano II

O Concílio Vaticano II ((1962-1965) foi um dos mais importantes eventos da Igreja católica nos últimos anos,
“Neste espirito, a 25 de janeiro de 1985, convoquei uma Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, por ocasião do vigésimo aniversário do encerramento do Concilio. A finalidade desta Assembleia era celebrar as graças e os frutos espirituais do Concilio Vaticano II, aprofundar o seu ensinamento para aderir melhor a ele e promover o conhecimento e a aplicação do mesmo. Nessa ocasião, os Padres sinodais afirmaram: “Muitíssimos expressaram o desejo de” que seja composto um Catecismo ou compendio de toda a doutrina católica, tanto em matéria de fé como de moral, para que ele seja como um ponto de referencia para os catecismos ou compêndios que venham a ser preparados nas diversas regiões. A apresentação da doutrina deve ser bíblica e litúrgica, oferecendo ao mesmo tempo uma doutrina sã e adaptada à vida atual dos cristãos" [4]. Depois do encerramento do Sínodo, fiz meu este desejo, considerando que ele "corresponde a verdadeira necessidade da Igreja universal e das Igrejas particulares" Fidei Depositum

3.   Uma melhor Contemplação

Foi necessidade sentida pelos Bispos foi à reformulação do Catecismo.  O catecismo anterior - Catecismo Romano - foi redigido em 1566 por decreto do Concílio de Trento.

O Novo Catecismo confirma a doutrina básica da Igreja, mas atualiza a posição da Santa Sé frente às mudanças do mundo moderno. A Igreja, Guardiã do depósito da Revelação sabe como adaptá-la aos novos tempos sem afetar a integridade da doutrina.
- O trabalho foi confiado pelo Santo Padre primeiramente a uma comissão de doze
Cardeais e Bispos encarregados de preparar um projeto para o Catecismo.
catequistabrunovelasco.com
- Uma Comissão de redação composta de sete bispos trabalhou ativamente examinando
As observações enviadas por "numerosos teólogos, exegetas, catequistas e, sobretudo pelos.
“Bispos do mundo inteiro”. Vinte e cinco mil emendas propostas pelos fiéis do mundo inteiro foram cuidadosamente analisadas. Houve, portanto, um vasto intercâmbio até se chegar ao texto final de 672 páginas, escrito originalmente em francês. Ao apresentar oficialmente o Catecismo no dia 7 de dezembro próximo passado, o Santo Padre agradeceu às Comissões dizendo que "o esforço de por em evidência aquilo que no Anúncio Cristão é fundamental e essencial; o empenho em reexprimir, com urna linguagem mais correspondente às exigências do mundo de hoje, a verdade  Católica perene, são hoje coroados de êxito".


4.   Uma Estrada Segura

- O texto, redigido em francês e depois passado para o latim e traduzido para diversas.
Línguas e consta de quatro partes: Crer –celebrar – viver = comtemplar
§ Primeira parte: A profissão da fé
§ .Segunda parte: Os sacramentos da fé
§ Terceira parte: A vida da fé
§ .Quarta parte: A oração na vida da fé
Assim resumiu o  Santo Padre João Paulo II:
 “As quatro partes são ligadas umas às outras”.
O mistério cristão é o objeto da fé (primeira parte). Nessa parte encontramos uma exposição da doutrina que começa com a Revelação divina e a Sagrada Escritura e depois explica as Verdades contidas no Credo.
- “(O mistério cristão) é celebrado e comunicado nos atos litúrgicos (segunda parte)”. Ai
Temos todo o ensinamento da Igreja sobre os Sacramentos.
- “(O mistério cristão) está presente para iluminar e amparar os filhos de Deus no seu
Agir (terceira parte). Essa parte trata da moral cristã e dos Dez mandamentos.
- Por fim “(O mistério cristão)” fundamenta a nossa oração, cuja expressão privilegiada é.
O Pai Nosso, e constitui o objeto da nossa súplica e do nosso louvor e da nossa Intercessão.
(quarta parte).
- O Santo Padre refere-se ao Catecismo como sendo um dom precioso, rico, oportuno,
“que apresenta a Verdade revelada por Deus em Cristo e por Ele confiada à Igreja”.
“Um tal serviço à Verdade enche a Igreja de gratidão e de alegria, e infunde-lhe uma renovada.
“Coragem para atuar a sua missão no mundo”.
- Como Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre esse dom é profundamente radica do no.
passado, na Sagrada Escritura e na Tradição apostólica. Ao mesmo tempo é um dom para hoje da Igreja e é um dom dirigido para o futuro, para o terceiro milênio da era cristã que se aproxima. Diz
O Santo Padre: “No momento em que se aproxima o terceiro milênio da Era Cristã, este Catecismo põe-se a serviço da renovação da fé e do espírito missionário dos fiéis. Ele não é um simples texto de teologia ou catequese, mas um texto fundamental para atividade evangelizadora do povo de Deus”.
- O Vaticano II é explícito quando aborda a transmissão da doutrina: "É absolutamente necessário que toda doutrina seja apresentada com clareza e integridade" (Unitatis Redintegratio, II). O Novo Catecismo atende perfeitamente a esse requisito básico.

"As conclusões dos Bispos da América Latina em Santo Domingo em outubro do ano passado, antes de apresentarem "Jesus Cristo como evangelizador vivo em sua Igreja" (2a. parte) mostram Jesus Cristo como Evangelho do Pai".
- Não só sua mensagem e doutrina são importantes, mas sua Pessoa. Sua vida, seu amor, sua proximidade a todos, seu perdão, sua morte na Cruz e sua glória, todo o seu ser é a alma viva de seu Evangelho. Fiéis ao Mestre que os enviou para evangelizar, os apóstolos, analogamente não podem jamais apenas ensinar a doutrina de Cristo, devem antes, testemunhá-la com sua vida e sua morte. - Esta é a norma que vale sem exceção para todos os evangelizadores.
- A fé não é apenas uma adesão intelectual a uma doutrina ou ortodoxia com seus dogmas e mandamentos. Antes, a fé é essencialmente um encontro com o Deus vivo.
- Desde já, pela graça do batismo, o cristão vive não alguma vida nova, mas vive misteriosamente a vida do próprio Deus, participada inefavelmente. Assim diz são João: "Ainda não se manifestou o que seremos, mas desde já somos filhos de Deu” (1 Jo 3,2).
- A comunidade cristã não pode se contentar em falar as verdades divinas, mas deve ensinar a viver nesta nova comunhão com Deus. O Catequista que não vive na Graça santificante desmente por sua existência, por todo o seu ser, o significado mais pleno da palavra que anuncia.
- Toda essa vida divina é recebida, transmitida e vivida dentro da Igreja e em comunhão com ela.
- A íntima relação entre a mensagem da fé e a Igreja é dupla: A Igreja é sua depositária, mas a fé viva como contato com Deus trino, é a fonte na qual Igreja renova constantemente a sua.
Vida.

O texto não só apresentas definições, mas busca por meio de exemplos na Tradição, Sagrada Escritura, nas experiências e relatos dos Padres da Igreja e por fim nos Documentos que compõe o magistério da Igreja. 

5.   Alguns aspectos característicos do Novo Catecismo:

• O Catecismo destina-se aos pastores a fim de orientá-los e dar-lhes "um texto de referência seguro para o ensino da doutrina católica e particularmente para a composição de catecismos locais" (João Paulo 11- Fidei Depositum - Introdução ao Catecismo, 9).
 "O Catecismo é oferecido também a todos os fiéis que desejam conhecer melhor as inesgotáveis riquezas da salvação". Papa João Paulo II
- O Novo Catecismo centra tudo radicalmente em Jesus Cristo, fonte da existência na graça e modelo de toda justiça e santidade.
- "O seguimento de Cristo compreende o cumprimento dos Mandamentos. A Lei não está abolida, mas o homem é convidado a reencontrá-la na Pessoa do Mestre que é seu cumprimento perfeito".
- Como que resumindo a interação entre vocação divina, mandamento, pecado e Graça, o Catecismo sintetiza o grande tema da vida do cristão: "Chamado à bem aventurança, mas ferido pelo pecado, o homem tem necessidade de salvação por de Deus. A ajuda divina lhe advém em Cristo, mediante a lei que o orienta, e na graça que o sustenta".
- O Catecismo começa focalizando o homem e analisando sua dimensão transcendente. Em seguida mostra que "Deus vem ao encontro do homem pela Revelação e por Cristo, plenitude da Revelação”. A partir desse ponto o Catecismo abre toda a riqueza da religião de Jesus Cristo.
Assim não separa o que é do homem e o que é de Deus, encontrando a união que Cristo veio consumar.