segunda-feira, 6 de maio de 2013

Nossa Senhora na Sagrada Escritura


Nossa Senhora na Sagrada Escritura


1. Presença de Maria no Antigo testamento.
Existe um paradoxo na Sagrada Escritura em relação a Presença de Nossa Senhora, encontra-se nesta poucas referência, porém, profundas reflexões. E não deveria ser o contrário, já que Maria se intitula “Humilde serva” (Lc 1, 38). A semelhança da mulher judia, que se dedica fomentar e dar vida a casa (DOMUS). Deus reserva a mulher um papel singular na História da Salvação, será a mulher a companheira do homem (Gên. 2,18-22), a genetriz de novas vidas (Gên. 1,28).
Assim estás características da Mulher aparecerá ao longo da sagrada escritura, o que permite intuir também, a presença de Nossa Senhora de dois modos.

1.1 Figurada: Quando a luz da vida outras enxergou a imagem de Nossa Senhora. Eva (Gên 1-2); Sara (Gên. 17, 15-16); Rebeca (Gên. 27); Tamar (Gên. 38) Rute (RT. 4); Débora (Juí. 4,4), Judite e Ester.
1.2. Predita: Quando por meio dos Profetas Deus nos fala a respeito de Cristo e nos revela a participação de Nossa Senhora.
"Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisar a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar." (Gn 3,15)
E dentre as alusões a nossa Senhora uma idéia, que deve ser contemplado em primeiro lugar está a questão da restauração. Da qual se destaca o livro do profeta Oséias. De modo particular. 
 “Por isso a atrairei, conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração. Dar-lhe-ei as suas vinhas e o vale de Acor, como porta de esperança. Aí ela se tornará como no tempo de sua juventude, como nos dias em que subiu da terra do Egito.  Naquele dia - diz o Senhor - tu me chamarás: Meu marido, e não mais: Meu Baal.  Não lhe deixarei mais na boca os nomes de Baal e ninguém pronunciará tais nomes. Farei para eles, naquele dia, uma aliança com os animais selvagens, as aves do céu e os répteis da terra; farei desaparecer da terra o arco, a espada e a guerra, e os farei repousar com segurança.  Desposar-te-ei para sempre, desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com benevolência e ternura. “ Os 2,16-21
Esta recuperação se dará por meio do Messias, o Rei Salvador. Ao qual será contemplado nas profecias de Samuel, no período de Davi.
“Quando chegar o fim de teus dias e repousares com os teus pais, então suscitarei depois de ti a tua posteridade, aquele que sairá de tuas entranhas, e firmarei o seu reino. Ele me construirá um templo, e firmarei para sempre o seu trono real. Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Se ele cometer alguma falta, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de homens, mas não lhe tirarei a minha graça, como a retirei de Saul, a quem afastei de ti. Tua casa e teu reino estão estabelecidos para sempre diante de mim, e o teu trono está firme para sempre.” (II Sm. 7, 12-14)
Após a queda do Império de Israel, as profecias tornam-se de cunho Messiânico.
"E tu, Belém, chamada Efrata, tu és pequenina entre os milhares de Judá; mas de ti é que me há de sair o Messias, aquele que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade. Por isso Deus os abandonará até ao tempo em que der à luz aquela Virgem que há de dar à luz o Dominador, e então as relíquias de seus irmãos se juntarão aos filhos de Israel." (Mq 5,2-3)
"Pois por isso o mesmo Senhor vos dará este sinal: uma virgem conceberá e dará a luz um filho, e seu nome será Emanuel." (Is. 7,14)
O termo usado em hebraico “almah” jovem mulher. Mas, a versão dos setentas trouxe a
tradução grega de pathernos, ou seja, virgem.
"E o Senhor disse-me: Esta porta estará fechada; não se abrirá, e ninguém passará por ela; porque o Senhor Deus de Israel entrou por esta porta, e ela estará fechada mesmo para o príncipe." (Ez 44,2)
As profecias se revelam também tendo como pano de fundo as cidades.  Sião, Jerusalém e  Israel. Os textos delineiam aspectos fundamentais da Imaculada Conceição. da Virgindade, da Maternidade e de modo alusivo a Assunção  de Maria.  
“Solta gritos de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, ó Israel! Alegra-te e rejubila-te de todo o teu coração, filha de Jerusalém! O Senhor revogou a sentença pronunciada contra ti, e afastou o teu inimigo. O rei de Israel, que é o Senhor, está no meio de ti; não conhecerás mais a desgraça. Naquele dia, dir-se-á em Jerusalém: Não temas, Sião! Não se enfraqueçam os teus braços! O Senhor teu Deus está no meio de ti como herói Salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e te renova seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito. como num dia de festa. Suprimirei os que te feriram, tirarei a vergonha que pesa sobre ti.” (Sof. 3,14-18)
“Solta gritos de alegria, regozija-te, filha de Sião. Eis que venho residir no meio de ti - oráculo do Senhor.” (Zc. 2,14)
“Escutai esse tumulto que se levanta da cidade, esse barulho que vem do templo. Escutai, é o Senhor que trata seus inimigos como o merecem. Antes da hora ela deu à luz, antes de sentir as dores, deu à luz um filho. Quem jamais ouviu tal coisa, quem jamais viu coisa semelhante? É possível um país nascer num dia? Pode uma nação ser criada repentinamente? Desde as primeiras dores Sião deu à luz seus filhos.  Para que não desse à luz abriria eu o seio materno?, diz o Senhor. Eu que dou a fecundidade, o fecharia?, diz teu Deus.” (Is. 66, 6-9)
“Dá gritos de alegria, estéril, tu que não tens filhos; entoa cânticos de júbilo, tu que não dás à luz, porque os filhos da desamparada serão mais numerosos do que os da mulher casada, declara o Senhor. Amplia o espaço da tua tenda, desdobra sem constrangimento as telas que te abrigam, alonga tuas cordas, consolida tuas estacas,  pois deverás estender-te à direita e à esquerda; teus descendentes vão invadir as nações, povoar as cidades desertas. Nada temas, não serás desapontada. Não te sintas perturbada, não terás do que te envergonhar, porque vais esquecer-te da vileza de tua mocidade. Já não te lembrarás do opróbrio de tua viuvez, pois teu esposo é o teu Criador: chama-se o Senhor dos exércitos; teu Redentor é o Santo de Israel: chama-se o Deus de toda a terra. Como uma mulher abandonada e aflita, eu te chamo. Pode-se repudiar uma mulher desposada na juventude? - diz o Senhor teu Deus.” (Is. 54, 1-3)

3. Nossa Senhora Novo Testamento
Evangelho de Mateus.
O Evangelho de Mateus faz poucas referências a Nossa senhora. Destaca-se pela narração da Genealogia. Ao qual que de modo incomum acrescenta quatro mulheres: Tamar, Rute, Raquel e Betsabé. Por fim descreve que Jesus filho de Maria , não como de costume de José.
“Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.” (Mt. 1,16)
“Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo.” (Mt. 1-18)
“Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram” (Mt. 2,11)

Evangelho de Marcos
O Evangelho de Marcos é dado como o primeiro evangelho escrito e não traz nenhuma referência em relação ao Nascimento de Jesus. Apenas no sexto capitulo.
“Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito.” (Mc. 6,3)
De um modo particular a profissão de carpinteiro de Jesus ganha destaque. Mas, deve-se observar que a expressão carpinteiro só ganha força no sec. XII, o termo original é “Teknon”, artesão.  Ao qual nos permite compreender a questão espiritual desta profissão. O artesão, aquele que retira de dentro, o que faz da matéria prima arte. O artista primeiro do mundo é Deus. Que faz o homem do barro, que da forma o que está disforme. (Gên.1).
Existe outro texto em marcos que cita a Mãe de Jesus, porém, não explicitamente o nome Maria. Não existe nenhum problema neste fato de modo particular, mas, o contexto de toda a cena exige um olhar cuidados, para equívocos  na compreensão e intenção do texto.
“Jesus falava assim porque tinham dito: "Ele tem um espírito imundo." Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo. Ora, a multidão estava sentada ao redor dele; e disseram-lhe: "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram." Ele respondeu-lhes: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?" E, correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: "Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe." (Mc. 3, 30-35)
Evangelho de Lucas
Passou para História com o terceiro evangelho a ser escrito e é o que traz mais referencias sobre Nossa Senhora. Os dois primeiro capítulos reúnem a experiência da natividade de Nossa Senhor e depois a infância de Jesus.  Depois, Maria será citada em (Lc. 8,9-12), já citada nos evangelhos de Marcos e Mateus.
Mas, toda compreensão da missão e papael de Nossa Senhora se dá de modo fundamental na Anunciação
“No entanto, o povo estava esperando Zacarias; e admirava-se de ele se demorar tanto tempo no santuário. Ao sair, não lhes podia falar, e compreenderam que tivera no santuário uma visão. Ele lhes explicava isto por acenos; e permaneceu mudo. Decorridos os dias do seu ministério, retirou-se para sua casa. Algum tempo depois Isabel, sua mulher, concebeu; e por cinco meses se ocultava, dizendo:  Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens. No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível. Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.” (Lc. 1, 21-38)
A narrativa da anunciação tem um estilo profético (cof. Jui. 6, 11-27, Is. 6, Jr.1 e Ez 2, 1-10).
Mas o melhor texto a ser colocado em paralelo é o texto da Tentação (Gên. 3)
O diálogo entre Maria e o Anjo Gabriel, tendo como ponto fundamental “A Vontade de Deus” em relação direta ao dialogo de Eva com a serpente (Diabo, anjo decaído) onde o ponto fundamental e a desobediência.
A narrativa após o nascimento de Jesus e visita dos pastores e Anjos Lucas traz a imagem discreta de Maria.
“Guardava tudo no Coração.” (Lc 2, 19)
Frase quês e repetirá no contexto de mãe e mestra de Jesus.
“Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.” (Lc. 2, 51)
Talves em virtude disto Lucas não registrara a presença de Maria na crucifixão, talvez por já ter previsto toda a dor de Maria junto a Ana e Simeão. “Uma espada de dor traspassára o seu coração” (Lc. 2,35)
Evangelho de João
Em sua profundidade João nos traz dois momentos aos quais Nossa Senhora se faz presente. Nas Bodas de Cana e no Calvário. O primeiro que Inaugura e o segundo que conclui. Nestes dois momentos Nossa Senhora será chamada por  Jesus de “Mulher”.
Deve-se ter clara a linguagem simbólica, neste caso se faz referencia a Maria, como a Nova Eva.
"E, faltando o vinho, a Mãe de Jesus disse-Lhe: Não têm vinho." (Jo 2,3)
A resposta de Jesus traz um semitismo, só compreendido a luz de uma tradução que mantenha o espírito da língua.
“O que interessa a mim, ou a ti?”
"Disse Sua Mãe aos que serviam: Fazei tudo que Ele vos disser." (Jo 2,5)
No texto referente ao Calvário recupera-se a imagem de perseverança e amo. Mesmo não compreendendo e sofrendo as dores da morte do Filho Maria continua ali.
"Entretanto, estavam de pé junto à Cruz de Jesus Sua Mãe,..."(Jo 19,25)
"Jesus, pois, tendo visto sua Mãe e o discípulo que Ele amava, o qual estava presente, disse a Sua Mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua Mãe. E, desta hora por diante, a levou o discípulo para sua casa." (Jo 19, 26-27)

Fontes
ALMEIDA, T. M. C. Vozes da mãe do silêncio. São Paulo: Attar Editorial. 2003.
AUTRAN, A. M. Maria na Bíblia. São Paulo: Ave Maria. 1992.
Com Maria a Mãe de Jesus/ Murilo S.R. Krieger - São Paulo: Paulinas, 2001.
Quem És Tu, Maria?Jean Claude Michel – São Paulo: Ave Maria. 1996.
Bíblia de Jerusalém – São Paulo: Paulos-2002


Dogma da Assunção de Maria


Dogma da Assunção de Maria

1. Definição solene do dogma

"Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial". Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na fé divina e católica. Para que chegue ao conhecimento de toda a Igreja esta nossa definição da assunção corpórea da virgem Maria ao céu, queremos que se conservem esta carta para perpétua memória; mandamos também que, aos seus transuntos ou cópias, mesmo impressas, desde que sejam subscritas pela mão de algum notário público, e munidas com o selo de alguma pessoa constituída em dignidade eclesiástica, se lhes dê o mesmo crédito que à presente, se fosse apresentada e mostrada. A ninguém, pois, seja lícito infringir esta nossa declaração, proclamação e definição, ou temerariamente opor-se-lhe e contrariá-la. Se alguém presumir intentá-lo, saiba que incorre na indignação de Deus onipotente e dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo. (Munificentissimus Deus, 44-47)
Os dogmas mariano desenvolveu-se lentamente ao longo de toda história da Igreja e somente a partir da relação de Maria com Cristo, seu Filho.
 Lex orandi, Lex credendi

A fé nos ensina que Maria foi assunta ao céu em corpo e alma, isto é, foi glorificada de forma total e completa. Ela já é o que somos chamados a ser após a ressurreição da carne. Este dogma que fundamentação particular na Tradição e devoção da Igreja, foi o ultimo a ser proferido. De modo que o dogma tem um papel importante em confirmar, educar e proclamar a Fé da Igreja.

2.O que nos diz a Bíblia?
A Bíblia silencia sobre a Assunção de Maria. A Palavra de Deus, que poucos dados nos apresentam para uma biografia mariana, não entra em pormenores sobre o final de sua existência. Há, contudo, algumas passagens que, embora não sejam referências diretas, foram interpretadas pela grande Tradição da Igreja como referentes à sua glorificação:
"Levantai-vos, Senhor, para vir ao vosso repouso, vós e a arca de vossa majestade" (Sl 131(132),8). A arca era o lugar da presença divina e tornou-se imagem de Maria. A primeira arca levou as duas tábuas da Lei; era o símbolo da presença de Deus e, enquanto presença de Deus, era incorruptível. Maria, na qual repousou não um símbolo, mas o próprio Deus, foi glorificada sem conhecer a corrupção.
Apocalipse 12: sobre a mulher vestida de luz, as trevas não têm mais poder. Maria participa da glória do Filho, assim como participou de sua vida, perseguição e morte.
Marcos 9 3,5: Sobre a Transfiguração de Jesus ao qual se encontra Elias e Moises. Ao qual Moisés, a sagrada escritura nos relata que foi sepultado por Deus (Deut. 34, 5-6). E Elias que foi arrebatado pelo carro de Fogo (IIRs. 2, 11)


3. Dormição de Nossa Senhora
Como a morte é a consequência do primeiro pecado, pecado original, e Nossa Senhora foi concebida sem pecado original, não estava sujeita à morte e então, para falar da morte de Nossa Senhora, emprega-se esta expressão de Dormição de Nossa Senhora. 1.
 O Concílio Vaticano II retomou os termos da Bula de definição do dogma da Assunção e afirma :
- A Virgem Imaculada, que fora preservada de toda a mancha da culpa original, terminando o curso da sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma. (LG 59).
Também o Catecismo da Igreja Católica, em referência à Assunção e citando a Liturgia bizantina, diz :
966. - No teu parto guardaste a virgindade e na tua dormição não abandonaste o mundo, ó Mãe de Deus; alcançaste a fonte da vida. Tu que concebeste o Deus vivo e que, pelas tuas orações hás-de livrar as nossas almas da morte. (Tropário da festa da Dormição, 15 de Agosto).
Pio XII, ao definir o dogma da Assunção, não quis negar o fato da morte de Maria, mas apenas não julgou oportuno afirmar solenemente a morte da Mãe de Deus, como verdade que devia ser admitida pelos crentes.
1. Refletindo sobre o destino de Maria e sobre a sua relação com o Filho divino, parece legítimo julgar que Maria de Nazaré teria experimentado na sua carne o fato real da morte.
Dado que Cristo morreu, seria difícil afirmar o contrário no que diz respeito a Maria.
Os santos Padres sempre raciocinaram no sentido de uma morte real de Maria, configurada com a morte de seu Filho, (sem todavia se admitir a corrupção), e a sua glorificação celeste.
2. A Revelação da morte apresenta-se como o castigo do pecado; todavia o fato de a Igreja proclamar Maria liberta do pecado original por singular privilégio da Mãe de Deus, não nos leva a concluir que Ela recebesse também o privilégio da imortalidade corporal.
A Mãe não é superior ao Filho, que assumiu a  morte, dando-lhe novo significado e transformando-a em instrumento de salvação.
Maria pôde assim compartilhar o sofrimento e a morte em vista da Redenção da Humanidade.
3. O Novo Testamento, por sua vez, não oferece qualquer notícia sobre as circunstâncias da morte de Maria.
Este silêncio leva a supor que esta se tenha verificado normalmente sem qualquer pormenor digno de menção.
Quanto aos motivos da morte de Maria, não parecem fundadas as opiniões que lhe quereriam excluir causas naturais.
Mais importante é a busca da atitude espiritual da Virgem no momento da sua despedida deste mundo, como uma morte por amor.
5. No final da sua existência terrena, Maria terá experimentado, como Paulo e mais do que ele, o desejo de se libertar do corpo para estar com Cristo para sempre.
A experiência da morte enriqueceu a pessoa da Virgem : passando pela sorte comum de todos os seres humanos, ela pode exercer com mais eficácia a sua maternidade espiritual em relação àqueles que chegam à hora suprema da vida".
No Oriente e nas Gálias e ainda noutras regiões, a festa principal de Nossa Senhora era, porém, a da sua morte e subida ao céu em corpo e alma, a que( ...) os latinos chamavam ; Dormitio, Transitus, Depositio, Pausatio, Natale ou Assumptio.
Todavia foi esta última que prevaleceu, e isto não está em contradição com o fato da tradição geral de que Nossa Senhora fora levada para o céu em corpo e alma, que já nos vem desde o século VI na Igreja Oriental e em Roma foi adotada no século VII em que o papa Sérgio I ordenou uma procissão solene em honra desta festa tradicional.

4. O que o dogma da Assunção ensina ao homem de hoje?
A definição dogmática diz que Maria foi assunta ao céu. Sua Assunção mostra o valor do corpo humano, templo do Espírito Santo. Também ele é chamado à glorificação. Nosso corpo não nos é dado para ser instrumento do pecado, para a busca do prazer pelo prazer, mas para a glória de Deus.
O dogma da Assunção nos dá uma certeza: Maria já alcançou a realização final. Tornou-se, assim, um sinal para a Igreja que, olhando para ela, crê com renovada convicção nos cumprimentos das promessas de Deus. Também nós somos chamados a estar, um dia, com a Santíssima Trindade. Olhando para o que Deus já realizou em Maria, os cristãos animam-se a lutar contra o pecado e a construir um mundo justo e solidário, para participar, um dia, do Reino definitivo.
Uma mulher já participa da glória que está reservada à humanidade. Nasce, para nós, um desafio: lutar em favor das mulheres que, humilhadas, não têm podido deixar transparecer sua grande vocação. Em Maria, a dignidade da mulher é reconhecida pelo Criador. Quanto nosso mundo precisa caminhar e progredir para chegar a esse mesmo reconhecimento!
É preciso estarmos atentos a um risco: a verdade sobre a Assunção de Maria, sobre sua glorificação antecipada, pode fazer com que passemos a vê-la distante de nós, muito acima de nossa vida e de nossa realidade. Crer na Assunção é proclamar que aquela mulher que deu à luz num estábulo, entre animais, que teve seu coração traspassado, viveu no exílio, foi exaltada por Deus e, por isso mesmo, está muito mais próxima de nós. A Assunção mostra as preferências de Deus por aqueles que são pobres, pequenos e pouco considerados neste mundo.

Fontes Consultadas:
Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana. São Paulo: Loyola. 2000. 310
Com Maria a Mãe de Jesus/ Murilo S.R. Krieger - São Paulo: Paulinas, 2001.
Quem És Tu, Maria?Jean Claude Michel – São Paulo: Ave Maria. 1996.
http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus_po.html.
www.catequistabrunovelasco.com



Mãe de Deus (Theotokos)


Mãe de Deus (Theotokos)

Síntese do Artigo “ Maternidade divina de Maria - André Phillipe Pereira[1]
“A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus.” (Catecismo da Igreja Católica, §495)
1. Lex orandi, Lex credendi
O dogma mariano desenvolveu-se lentamente ao longo de toda história da Igreja. O uso do termo Theotokos foi formalmente afirmado como dogma no Terceiro Concílio Ecumênico realizado em Éfeso, em 431.
2. Sagrada Escritura
O Titulo de “Mãe de Deus” nos é apresentado em diversas passagens da Sagrada Escritura e a semelhança do Dogma a respeito da Virgindade Perpetua de Nossa Senhora possuem fortes referencias na Sagrada Escritura.
·        A saudação do anjo: Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo. (Lc. 1:28).
·        O anúncio da Encarnação: Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho a quem porás o nome de Jesus. (Lc. 1:30-33).
·        Por obra e graça do Espírito Santo: O Espírito Santo descerá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o que nascer será chamado Santo, Filho de Deus. (Lc. 1:35-37).
·        Por Cristo na Cruz: Jesus, vendo a sua Mãe e, junto d'Ela, o discípulo que amava, disse à sua Mãe: "Mulher, eis aí o teu filho." Depois disse ao discípulo: "Eis aí a tua Mãe." E daquela hora em diante o discípulo a levou para sua casa. (Jô.19:26-27)
3. Compreensão Histórica
  A fé católica na maternidade divina de Maria é professada, já desde o começo do séc. II, de forma clara, por Santo Inácio de Antioquia, São Justino, Santo Irineu e pelos grandes do séc. III. É provável que o título de Mãe de Deus (Theotokos) tivesse já sido usado por Hipólito de Roma e Orígenes, mas de qualquer forma, já aparece nos textos cristãos no fim do século terceiro, início do quarto, principalmente nos escritos de Alexandre de Alexandria, a julgar pela antiqüíssima oração: “Sub tuum praesidium confugimus, Sancta Dei Genitrix”, reagindo à doutrina de Ário.
O título Theotokos,  é o mais compreensível vocábulo inventado no oriente para designar Maria no cristianismo do Oriente e, na opinião de muitos, o mais problemático. Esse título não possuía o significado simples de Mãe de Deus, como é traduzido usualmente nas línguas ocidentais, mas o significado mais preciso e completo é “aquela que deu à luz Deus” (PELIKAN, 1996, p. 83).
Este título se espalhou entre a Igreja do oriente. Em 428, Nestório o questiona indo contra o título tradicional.  “Nestório era Patriarca de Constantinopla, bispo famoso como orador sacro, como líder organizador, como conhecedor das escrituras. Ensinava que Maria era só mãe do Cristo-homem, porque lhe parecia absurdo uma criatura ser mãe do criador e assim achava que melhor se chamássemos a Virgem Maria como Chrisotokos, ou seja, Mãe de Cristo.
O Concílio de Éfeso (431) declarou herética a posição de Nestório que, humildemente, se retirou da vida pública e voltou à vida que levava antes de ser Bispo e patriarca, a vida de monge.” (NEOTTI, 2004, p. 25).
Este título é fruto de uma experiência de fé que se tornou consciente de tudo o que implicava a confissão de Jesus Cristo, Filho de Deus e Deus.  “Jesus é título pessoal, Filho de Deus, Maria, sua Mãe, é efetivamente Mãe de Deus. Ela não é, evidentemente, Mãe de sua divindade: Deus, como Deus, não pode, por hipótese, ter mãe. Maria é Mãe do Verbo encarnado: é aquela que, por geração, lhe deu sua humanidade. Mas Aquele que foi carnal e humanamente gerado nela é o próprio Filho de Deus, que assim tornou-se o Filho de Maria (SESBOÜÉ 2005, p. 482).
 Contrariando a Tradição comum da Igreja, que como sabemos é enraizada na Sagrada Escritura, Nestório se posiciona afirmando que não. Mas não se poderia dizer que o Verbo de Deus morreu na cruz se não se afirmasse, antes, que o mesmo foi gerado por Maria. Se assim for, nesse caso interpõem uma separação concreta entre o Verbo de Deus e o Homem Jesus.
 Esse ponto que causando confusão e escândalo em 428, levou à convocação do concílio de Éfeso em 431, cujo principal problema levantado era Cristológico.  Como vimos o Concílio de Éfeso teve três assuntos, nós nos voltaremos aqui apenas em sua dimensão propriamente mariana.
A maternidade divina de Maria foi solenemente proclamada no Concílio de Éfeso em 431, tornando dogmaticamente oficial aquilo que a devoção popular já afirmara.
Nas palavras do primeiro Anatematismo de Cirilo de Alexandria contra Nestório: “se alguém não confessar que Emanuel é verdadeiramente Deus e que portanto a Santa Virgem é a Mãe de Deus (Theotokos), pois que dela nasceu de modo carnal e como a Palavra de Deus revestida de carne, que seja excomungado”. Além disso, foi em honra da proclamação de Maria como Theotokos pelo Concílio de Éfeso que, logo após esse sínodo, o Papa Sixto III constituiu o mais importante santuário dedicado a Maria no Ocidente, a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma (PELIKAN, 1996, p. 84).
Ensinamos, segundo a reta doutrina, que a gloriosa, santa e sempre Virgem Maria é proclamada, pelos católicos, própria e verdadeiramente, Mãe de Deus e Mãe do Verbo de Deus, nela encarnado. Ele, de fato, nos últimos tempos, se encarnou, própria e verdadeiramente, dignando-se nascer da santa e gloriosa Virgem-Mãe. Se, portanto, o Filho de Deus nela Se encarnou, própria e verdadeiramente, e dela nasceu, por essa mesma razão confessamos que ela é, própria e verdadeiramente, Mãe de Deus, que nela Se encarnou e dela nasceu. E, na realidade, não se pense que o Senhor Jesus recebeu, por honra ou graça, o nome de Deus, como achava o tolo Nestório; como também verdadeiramente não se vá pensar que ele tomou da Virgem, não um corpo humano, mas uma aparência de corpo ou qualquer coisa de irreal (Carta Olim quidem de João II, apud COLLANTES, 2003, p. 392).
A verdade é que o novo realce dado a esse título levou os crentes a considerar com maior devoção a grandeza de Maria e seu papel junto de seu Filho. A maternidade divina de Maria constitui a mais alta missão, depois da que recebeu Cristo, na face da terra, e esta missão exige a graça divina em toda a sua plenitude.
Na verdade, desta sublime missão de Mãe de Deus nascem, como duma misteriosa e limpidíssima fonte, todos os privilégios e graças, que adornam, duma forma admirável e numa abundância extraordinária, a sua alma e a sua vida. Por isso, com razão declara Santo Tomás de Aquino que a Bem-Aventurada Virgem Maria, pelo fato de ser Mãe de Deus, recebe do bem infinito, que é Deus, uma certa dignidade infinita (NEOTTI, 2004, p. 26).
A partir do Concílio de Éfeso, a maternidade divina de Maria é doutrina da Igreja, por isso desde esse Concílio as gerações começam a proclamar Bem-aventurada a Virgem Santíssima, Santa Mãe de Deus.
No encerramento do Concílio de Éfeso, estando a cidade cheia do povo com tochas nas mãos para uma grande procissão em honra da Mãe de Deus, um anônimo redigiu uma oração que um dos bispos proclamou, e transcrevendo-a aqui encerro este item.
“Nós vos saudamos Maria, Mãe de Deus, tesouro Venerável do mundo inteiro! Luz jamais extinta! Templo jamais destruído, que abrigais Aquele que não pode ser contido! Mãe e Virgem! Por vós a Trindade é santificada! Por vós a Cruz é venerada no mundo inteiro! Por vós o santo Batismo é dado aos que crêem! Por vós é derramado o óleo da alegria! Por vós as igrejas são fundadas no mundo inteiro! Por vós os povos são conduzidos à conversão. Amém!” (NEOTTI, 2004, p. 26).
4. Maria a Santa Mãe de Deus no Concílio Vaticano II
“Que sublime humildade, é escolhida para ser Mãe de Deus e se proclama a serva.” (São Bernardo de Claraval).
Em diferentes ocasiões, o magistério da Igreja considerou a missão educativa de Maria, abordando os vários aspectos desta missão, o Concílio Vaticano II deu-nos um critério fundamental para formular retamente a doutrina mariana, como afirma Autran, “a fidelidade à Sagrada Escritura do jeito como ela é lida e interpretada pela Igreja” (1992, p. 14). A Constituição Dogmática Lumen Gentium principalmente nos números 55 a 59 é um exemplo eloqüente de como propor a figura de Maria e falar dela à luz da palavra de Deus descrita na Bíblia. Vou fixar este item nesta Constituição Dogmática.
Num momento de extrema importância da renovação eclesial, a Virgem Maria aparece, na Lumen Gentium, como estrela, como sinal para a nova humanidade, renascida e fortalecida em Jesus Cristo e no Seu mistério de amor. Avelar afirma que “é no quadro mais amplo da História da Salvação que, neste documento conciliar, a vocação-missão educativa da Mãe de Jesus emerge em toda a sua grandeza” (2002, p. 71).
Querendo Deus, sumamente benigno e sábio, realizar a redenção do mundo, “quando chegou a plenitude dos tempos, mandou o seu Filho, nascido de mulher... para que recebêssemos a adoção de filhos” (GL 4,4-5). “O qual, por amor de nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria”9. Este mistério divino da salvação nos é revelado e continuado na Igreja, que o Senhor constituiu como seu corpo, e na qual os fiéis que aderem a Cristo, sua cabeça e estão em comunhão com todos os seus santos, devem também, e “em primeiro lugar, venerar a memória da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo”10 (LG, 52).
Enquanto o Concílio Vaticano II, fala explicitamente da maternidade de Maria, aponta para a dimensão pedagógica da existência daquela que, ao gerar à vida o Salvador, torna-se, inevitavelmente, mãe e mestra da nova humanidade, mãe e mestra espiritual de todos os seguidores de Jesus, mãe e mestra da Igreja.
Assim, o Concílio Vaticano II ampliou o horizonte de compreensão da maternidade de Maria. Renovou a interpretação de Maria e de sua missão ao utilizar critérios antropológicos, uma vez que põe Maria muito próxima de Deus e também muito próxima dos filhos de Deus (AVELAR, 2002, p. 72).
No número 53 da Lumen Gentium, o Concílio nos mostra que a Virgem Maria, na anunciação do anjo recebeu o Verbo de Deus, recebeu no seu coração e também no seu corpo, dando a vida ao mundo, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. “...foi enriquecida com a sublime prerrogativa e dignidade de Mãe de Deus Filho...”, e a Igreja católica honra-a como mãe amantíssima, dedicando-lhe afeto e piedade.
A Bem-Aventurada Virgem, predestinada, desde toda a eternidade, junto com a encarnação do Verbo divino, para ser Mãe de Deus, foi na terra, por disposição da divina providência, a Mãe do Redentor divino, mais que ninguém sua companheira generosa e a humilde escrava do Senhor.
O Concílio quer esclarecer a função da Bem-Aventurada Virgem no mistério do Verbo encarnado e do corpo místico e os deveres dos homens para com a Mãe de Deus, “que é Mãe de Cristo e dos homens, em especial dos fiéis” (LG 54). 308
A Virgem Maria que foi adornada, desde sua conceição, com as belas virtudes e grau de santidade, quando ouviu a saudação do anjo que Deus enviara e que chamou-a “cheia de graça”11, prontamente responde “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”12. “Assim Maria, filha de Adão, consentindo na palavra divina, tornou-se Mãe de Jesus...” (LG 56).
Portanto, como afirmam os Santos Padres, Maria cooperou na obra da salvação de todos os homens com a liberdade da fé e obediência plena. Compararam dizendo que “a morte veio por Eva, e a vida por Maria” (LG 66). O Concílio Vaticano II, é bastante explícito em ressaltar o aspecto educativo da vida de Maria que, gerando na terra o próprio Filho de Deus Pai, pela fé e pela obediência, exerce a missão da maternidade divina, mediante a qual ela se torna também mãe, educadora e modelo da Igreja.
Essa função de Maria começou desde o início, já quando Maria estava com Deus em seu ventre. Ao visitar Isabel, leva o Senhor, e Isabel a proclama bem-aventurada porque acreditou na promessa de salvação. Essa função continua quando a Virgem Mãe apresenta seu Filho aos Magos, os quais O adoram. Ao apresentar o Menino no templo, da boca do Simeão brota a profecia da Redenção. Quando o Menino ficou no templo sozinho, Maria e José O encontram e Ele diz que estava se ocupando das coisas de seu Pai, ou seja, nossa salvação. Enquanto todas essas cosias aconteciam a Virgem Mãe guardava todas as coisas em seu coração como sabemos a partir do Evangelho.
Assim também a bem-aventurada Virgem avançou no caminho da fé, e conservou fielmente a união com seu Filho até a cruz, junto da qual, por desígnio de Deus, se manteve de pé13, sofreu profundamente com o seu Unigênito e associou-se de coração maternal ao seu sacrifício, consentindo amorosamente na imolação da vítima que havia gerado. (LG 58).
Enfim, Maria concebeu a Cristo, gerando-O, alimentando-O, apresentando-O no templo do Pai, sofrendo com seu Filho que morria na cruz, cooperando de modo absolutamente singular na obra do Salvador para restaurar a vida sobrenatural dos fiéis.
Fontes.
ALMEIDA, T. M. C. Vozes da mãe do silêncio. São Paulo: Attar Editorial. 2003.
AUTRAN, A. M. Maria na Bíblia. São Paulo: Ave Maria. 1992.
BUCKER, B.; BOFF, L.; AVELAR, M. C. Maria e a Trindade. São Paulo: Paulus. 2002.
Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana. São Paulo: Loyola. 2000. 310
COLLANTES, J. A fé católica, documentos do magistério da Igreja. Goiás; Rio de Janeiro: 2003.
Documentos da Igreja. Encíclicas de João Paulo II. São Paulo: Paulus. 1997.
Documentos do Concílio Vaticano II. Documentos da Igreja. São Paulo: Paulus. 1997.
DONFRIED, K. P. Maria no Novo Testamento. São Paulo: Paulinas. 1985.
LAURENTIN, R. Breve tratado de teologia mariana. Rio de Janeiro: Vozes. 1965.
MULLER, A. SATTLER, D. Mariologia. In: SCHNEIDER, T. (Org). Manual de dogmática. v. l. 3. 2. Ed. Petrópolis: Vozes. 2002.
NEOTTI, C. Imaculada Conceição de Maria. 150 anos da Proclamação do dogma. Rio de Janeiro: Marques Saraiva. 2004.
PELIKAN, J. Maria através dos séculos. Seu papel na história da cultura. São Paulo: Companhia das Letras. 1996.
ROPS, D. A Igreja dos apóstolos e mártires. São Paulo: Quadrante. 1988
SESBOÜÉ, B., A Virgem Maria. In SESBOÜÉ, B.; BOUGEOIS, H.; TIHON, P. (Dir.), Os sinais da salvação (séculos XII – XX). A História dos Dogmas, v. 3. São Paulo: Loyola. 2005.



[1]Mestrando em Teologia na PUCPR. Bacharel em Teologia pela PUCPR. Bolsista CAPES-PROSUP.
E-mail: andpp@bol.com.br.

Maria sempre Virgem


Maria, sempre virgem (Aeiparthenos)

 A Igreja tem constantemente manifestado a própria fé na virgindade perpétua de Maria. Os textos mais antigos, quando se referem à concepção de Jesus, chamam Maria simplesmente “Virgem”, deixando contudo entender que consideravam essa qualidade como um fato permanente, referido à sua vida inteira. Os cristãos dos primeiros séculos expressaram essa convicção de fé mediante o termo grego aeiparthenos ´ “sempre´virgem” ´ criado para qualificar de modo singular e eficaz a pessoa de Maria, e exprimir numa só palavra a fé da Igreja na sua virgindade perpétua. Encontramo´lo usado no segundo símbolo de fé de Santo Epifânio, no ano 374, em relação à Encarnação: o Filho de Deus “encarnou´Se, isto é, foi gerado de modo perfeito por Santa Maria, a sempre Virgem, por obra do Espírito Santo” (Ancoratus, 119,5; DS 44).
A definição dogmática da virgindade de maria aconteceu no terceiro Concílio de latrão, de 649, pelo papa Martinho I  
1. Definição 
 Mediante uma fórmula sintética, a tradição da igreja apresentou Maria como “virgem antes do parto, no parto, e depois do parto”, reafirmando, através da indicação destes três momentos, que ela jamais cessou de ser virgem. Das três, a afirmação da virgindade “antes do parto”, é, sem dúvida, a mais importante, porque se refere à concepção de Jesus e toca diretamente o próprio mistério da Encarnação. Desde o início ela está constantemente presente na fé da igreja. A virgindade “no parto” e “depois do parto”, embora contida implicitamente no título de virgem, atribuído a Maria já nos primórdios da Igreja, torna´se objeto de aprofundamento doutrinal no momento em que alguns começam implicitamente a pô´la em duvida. O Papa Ormisdas esclarece que “o Filho de Deus Se tornou filho do homem, nascido no tempo como um homem, abrindo no nascimento o seio da Mãe (cf. Lc. 2, 23) e, pelo poder de Deus, não destruindo a virgindade da Mãe” (DS 368). A doutrina é confirmada pelo Concílio Vaticano Il, no qual se afirma que o Filho primogênito de Maria “não só não lesou a sua integridade virginal, mas antes a consagrou” (LG,57). Quanto à virgindade depois do parto, deve´se antes de tudo observar que não há motivos para pensar que a vontade de permanecer virgem, manifestada por Maria no momento da Anunciação (Lc. 1,34), tenha sucessivamente mudado. Além disso, o sentido imediato das palavras: “Mulher, eis aí o teu filho”, “Eis aí a tua Mãe” (Jo. 19,2627), que Jesus da cruz dirige a Maria e ao discípulo predileto, faz supor uma situação que exclui a presença de outros filhos nascidos de Maria.
Assim expressa um poema composto pelo bispo Sofrônio, do VII século:
 “Salve, ó Mãe de Deus, não desposada! Salve, ó virgem integérrima depois do parto! Salve admirável espetáculo maior que todos os prodígios! Quem pode descrever teu esplendor? Quem pode cantar o teu mistério?”
2. O que afirma o Dogma da Virgindade de Maria.
Ao declarar a virgindade de Maria, a Igreja afirma que ela concebeu sem a concorrência do sêmen masculino. Para quem crê, os Evangelhos são suficientemente elucidativos.
“O anjo Gabriel foi enviado da parte de Deus … a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria” (Lc 1,26-27).
Nesta perícope, o Evangelista afirma duas vezes a virgindade da escolhida para ser a Mãe de Jesus.
A pergunta “como isso seria possível, porque ela não conhecia homem (a expressão ‘conhecer’, em hebraico significa ter relações conjugais), o anjo lhe responde: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra” (Lc 1,35).
O Evangelista Mateus é linearmente claro:
 “Maria estava prometida em casamento a José. Mas antes de morarem juntos, ficou grávida do Espírito Santo” (Mt 1,18).
A partir de exegeses sobre Dogma, surgiram várias hipotes.
Voto de virgindade de Maria, em oposição à cultura hebraica e a mentalidade do Antigo Testamento.
Que a virgindade perpétua decorra natural e indiscutível a partir do momento em que Maria é possuída pelo Espírito Santo, tornando-se um inaudito milagre vivo, contendo dentro de si o Filho de Deus, seguramente acima de barreiras ou limites biológicos.
Sendo Maria uma mulher prática, consciente e piedosa que, a partir da concepção milagrosa, combina com José, já então ciente do mistério (Mt 1,20-21), uma vida matrimonial virginal. Como é dito nos Evangelhos José, “homem justo” (Mt 1,19), e Maria, “cheia de graça” (Lc 1,28), não poderiam renunciar a um relacionamento conjugal diante de um Deus que descera dos céus e “armara sua tenda” (Jo 1,14) na mais íntima intimidade da vida dos dois?
Por fim, as palavras do anjo do anjo, dita no contexto da Anunciação: “Para Deus nada é impossível” (Lc 1,38) nos permite confia e não se perder em especulações evasivas.
3. A Virgindade antes da concepção.
Primeiramente os evangelhos de Mateus e Lucas iniciam com “fatídica” lista genealógica, que para alguém desatento perde a riqueza deste texto. De modo Abrupto é interrompida.
   “Jacó gerou José.. esposo de Maria, da qual nasceu Jesus que chamamos Cristo” (MT 1,16)
O texto nós traz a informação Jesus nasceu da virgem Maria, é denominado Cristo. E por fim ao relacionar a esponsal de Maria com José explicará toda a dinâmica de proteção e envolvimento de José para com Jesus.
Em Lucas o texto da Anunciação traz novos elementos.
Uma virgem da casa de Davi – Prometida em casamento a José
O Casamento era tido em duas fases: O noivado, que correspondia a um ano ao qual se vislumbrava um contrato firmado, ao qual se evocava a dignidade e pureza do noivo e da noiva.
A perturbação de Nossa Senhora (Lc. 1,34), porém, nota-se a diferença a Zacarias (Lc. 1,5-22).
O evangelista apresenta ainda como se dará (Lc. 1,35). O Espírito “Ruah” gera Jesus no ventre da Virgem Maria. O espírito torna Jesus presente. Segundo São João “Ele que não foi gerado nem pelo sangue e nem pelo poder da carne, nem pelo poder do homem, mas de Deus”. A Concepção de Virginal não fundamenta a virgindade de Maria, mas, é sinal que Cristo é o Verbo a palavra de Deus encarnada. E em virtude disto Maria é partícipe deste milagroso e misericordioso de Deus.

4. A Virgindade durante a gestação.
Assim pronunciou a Igreja no Concilio de Trento
“Se a concepção do Salvador está a cima  de toas as leis  da natureza, seu nascimento é divino, e o que é absolutamente prodigioso, o que ultrapassa todo pensamento, toda palavra é que ele nasceu  de sua Mãe sem acarretar em perda  da virgindade, do mesmo  modo  que, mais tarde, ele saiu do túmulo sem quebrar  a rocha que o mantinha fechado, da mesma maneira que entrou nas casas com as portas fechadas, onde estava o seus discípulos. Ou então, ainda, para fazer outra comparações com fenômenos ordinários, pode-se aplicar  a essa situação a imagem dos raios do sol que atravessa o Cristal sem quebrá-lo, sem prejudicá-lo, assim, mas  de maneira muito mais maravilhosa, Jesus saiu do ventre de sua Mãe sem feri de modo alguma  sua virgindade. Temos, portanto muita razão em honrar nela perpetua virgindade  e integridade perfeita. Esse privilégio  inaudito foi obra do Espírito Santo, que a assistiu de tal maneira na concepção  e na fecundidade da mãe conservando-lhe a integridade de Virgem”   
Ao mesmo tempo em que se tem a aproximação de (Mt. 1,23) e (Is. 7,14). Ei que a virgem Conceberá e dará a luz.
5. Virgindade pós-parto Compreensão Teológica e Espiritual.  
Como valor teológico, isto é, como realidade válida para o Reino de Deus, a virgindade é uma qualidade espiritual que o Espírito Santo vai fazer emergir no coração das pessoas. Eis a razão pela qual o Novo Testamento defende o valor do celibato e da virgindade, não como valores em si mesmo, mas como opção que optimiza as possibilidades de algumas pessoas para serem mais fecundas. Esta fecundidade vai no sentido de edificar a Família de Deus (Act 21, 9; Cor 7, 8; 7, 26; 7, 28). Ser virgem por causa do Reino de Deus é pôr ao serviço da edificação da Família de Deus o melhor das suas energias emocionais, afectivas e impulsivas.
As fontes referem a opção especial de Cristo, o qual decidiu viver como virgem e propõe a virgindade para alguns (Mt 19, 12; 19, 21). Mas não devemos pensar que a virgindade vale pela simples ausência de relações sexuais. Em primeiro lugar, Deus não tem ciúmes da sexualidade humana; além disso a sexualidade não é uma coisa impura. A virgindade vale como atitude de consagração. É válida para as pessoas que, permanecendo assim, são mais fecundas. A associação de sexualidade com impureza é estóico, isto é, tem origem pagã e não bíblica.
Para o Novo Testamento, a fonte da pureza ou da impureza é o coração, o núcleo mais íntimo da nossa espiritualidade a partir do qual emergem as decisões pelo amor e a fraternidade ou contra estas realidades (Mc 7, 14-23; Mt 5, 8; Jo 15, 3; 13, 10). É no interior do coração que o homem decide agir, ou não, em harmonia com a misericórdia, o perdão, a partilha fraterna.
Segundo o Novo testamento, a fecundidade que vale para o reino de Deus assenta nas decisões, opções e projectos de vida orientados pelo amor. Por outras palavras, a fecundidade humana é uma questão de amor. Os ritos de purificação legal, diz o Novo Testamento, não valem para o Reino de Deus e não tornam a pessoa fecunda (Act 10, 15; 11, 9; 15, 9; Rm 14, 14; Heb 9, 10; 1Jo 1, 7-9; Apc 7, 14).
A virgindade como opção válida para o Reino de Deus, portanto, significa uma consagração para viver uma fecundidade mais rica e profunda. Não é por acaso que o evangelho de Mateus fala das virgens loucas (Mt 25, 1-12). Estas eram loucas porque a sua virgindade era estéril. Como vemos, a virgindade como valor teológico vai muito além de uma questão biológica. Como valor para o Reino de Deus, a virgindade é uma meta atingir do que uma coisa a guardar: “O que vos digo irmãos, é que a carne e o sangue não herdarão o Reino de Deus, nem o que é corruptível herdará a incorruptibilidade” (1 Cor 15, 50). A virgindade como valor decisivo para o Reino de Deus é fecundidade na edificação da comunhão humana que culmina na edificação da Família de Deus. Esta fecundidade é obra do Espírito Santo a actuar no coração humano (Rm 8, 14-17; Gal 4, 4-7).
É neste contexto bíblico que é preciso situar a maternidade virginal de Maria. Foi muito bom para a Fé o facto de a virgindade de Maria ter sido proclamada como antes do parto, no parto e depois do parto. A doutrina da virgindade de Maria, antes, durante e depois do parto, está inseparavelmente unida à maternidade divina de Maria, à ação do Espírito Santo em Maria, ou seja, à encarnação do Filho de Deus. Pela lógica e ciência humanas ninguém ousaria afirmar sua virgindade no parto e depois do parto. Mas também pela razão humana ninguém conseguiria afirmar o mistério da encarnação de Deus. A Igreja não precisou das provas sensíveis a que recorreram os Apócrifos, ainda que revestidas de piedade e encanto. A preocupação dos Apócrifos, no entanto, em comprovar a virgindade no parto e depois do parto de Maria, mostra uma linha lógica de necessidade: não se trata de um parto de uma criança apenas, trata-se do parto de uma criança que, sendo inteiramente humana, é inteiramente divina. E se esse fato ultrapassa a ciência e a inteligência, constituindo um mistério inefável, isto é, que não pode ser expresso por conceitos humanos, com ele ultrapassa também o fato da virgindade integral de Maria.
6. Jesus Filho Primogênito
O dogma da virgindade de Maria quer ainda afirmar, sem deixar nenhuma sombra de dúvida, que Jesus, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, é o Filho primogênito e único de Maria de Nazaré. Em diversas passagens da sagrada Escritura encontramos Jesus sendo denominado: Filho de Maria, (Mc 6,3;MT 1-16-21; MT 2,11-20; Luc. 1,31-35; Lc. 2,27-48).
7. Os irmãos de Jesus 
Jesus Cristo, o Messias, não teve irmãos ou irmãs carnais nascidos do ventre de sua mãe Maria. Tiago Menor, por exemplo, é chamado de “irmão do Senhor” (Gl 1,19) e outras vezes se fala nos irmãos de Jesus presentes entre seus ouvintes (Mt 12,46; Mc 3,31-35; Lc 8,19). Mas todos sabem que em hebraico o termo “irmão” pode indicar qualquer parentesco, como sobrinho (Gn 12,5 e 13,8; 29,12.15), tio, primo (1Cr 23,22) e até amigo (Gn 29,4). Isso nunca foi problema teológico para a Igreja.
Mas, para que não reste dúvida é possível identificar a progenitura deste identificados como irmãos do Senhor.
Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito.” (Marcos, 6-3)
"Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs, não vivem todas entre nós? Donde lhe vem, pois, tudo isso?” (Mateus, 13, 55 e 56).
“Dos outros apóstolos não vi mais nenhum, a não ser Tiago, irmão do Senhor.” (Gal. 1,19)
A Sagrada Escritura nos aponta dois apostolo com nome de Tiagos, denomina-se um Tiago Maior e outro Tiago Menor. Porém, Tiago denominado Maior, era irmão São João Evangelista. “O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros.” (Lc. 5, 10).  E o outro Tiago denominado Menor era filho de Alfeu.. “Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.” (Mt. 10, 3-5)
Deste modo identificar o pai dos possível irmão de Jesus. Mas.  o mesmo torna-se possível identificar a mãe. Analisando o texto.
Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.” (Mt. 27,55)
Em paralelo com os textos
“Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé, (Mc. 15, 40)
“Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus.”(Mc, 16,1)
Os amigos de Jesus, como também as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam estas coisas. (Lc. 23,40)
“Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa..” Lc. 24,10
 Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.”  (Jo. 19,25) O texto em grego traz Maria, a do Cleofás.
 

Mateus 13- 56
Marcos 14 - 40
Lucas 24-10
João 19 - 25
Maria, mãe de Tiago e de José;
Maria, mãe de Tiago Menor e de José;
Joana e Maria, mãe de Tiago
a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleofas
Maria Madalena;
Maria Madalena
Maria Madalena
Maria Madalena
a mãe dos filhos de Zebedeu.
Salomé
as outras suas amigas
 
Portanto os irmãos de Jesus que são aprensetados são Tiago, José e são Filhos de Maria que esposa de Cleofas, que em um dos evangelhos é chamado de Alfeu.
Uma coisa que deve ficar claro ainda esta questão da identidade e parentesco dos apóstolos não era problema para os evangelista. Primeiramente por que os Evangelhos forma escrito para revelar quem é Jesus, ou seja. Filho de Deus nascido da, virgem de Nazaré.
Por fim ao morrer na cruz Jesus é claro em entregar Maria a João, para que este a conduza para casa. O Filho primogênito entrega a sua Mãe, já que segundo a tradição são José, já havia falecido.
“Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho.. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jô. 19, 26-27)
8. Principais reformadores protestantes:
Martinho Lutero (1483-1546):
''O Filho de Deus fez-se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o auxílio de varão e a nascer de Maria pura, santa e sempre virgem.
(Martinho Lutero, ''Artigos da Doutrina Cristã'')
Texto de Lutero já no fim de sua vida: "Virgem antes, no e depois do parto, que está grávida e dá à luz. Este artigo (da fé) é milagre divino." (Sermão Natal 1540: wa 49,182).
Por isto Lutero se insurgia contra aqueles que lhe atribuíam à doutrina de que "Maria, a Mãe de Deus, não tenha sido virgem antes e depois do parto, mas tenha gerado Cristo e outros filhos com contato com José" (Weimar, tomo 11, pg. 314). Os irmãos de Jesus, mencionados no Evangelho, são parentes do Senhor (Weimar, tomo 46, pg. 723; Tischreden 5, nº 5839). O reformador prometia 100 moedas de ouro a quem lhe provasse que a palavra "almah" em Is 7,14 não significa virgem ( Ed. Weimer, tomo 53, pg. 640 ).
João Calvino (1509-1564):
"Professo que da genealogia de Cristo não se pode deduzir que ele foi filho de Davi a não ser através da virgem." (Calvini Opera 2,351).
A respeito de Mat 1, 25: "Jesus é dito primogênito unicamente para que saibamos que ele nasceu da virgem." (Calvini Opera 45,645).
Ülrico Zwínglio (1484-1531):
'Firmemente creio, segundo as palavras do Evangelho, que Maria, como virgem
pura, nos gerou o Filho de Deus e que, tanto no parto quanto após o parto, permaneceu virgem pura e íntegra.’ (Zwinglio, em ''Corpus Reformatorum'')
John Wesley: (1703-1791):
''Creio que [Jesus] foi feito homem, unindo a natureza humana à divina em uma só pessoa; sendo concebido pela obra singular do Espírito Santo, nascido da abençoada Virgem Maria que, tanto antes como depois de dá-lo à luz, continuou virgem pura e imaculada.'' (John Wesley, fundadador da Igreja Metodista, em carta dirigida a um católico em 18.07.1749)
Conclusão
O dogma da virgindade de Maria, sempre ligado à maternidade divina, foi-se preparando e firmando nos primeiros séculos, nas pregações, escritos e doutrina dos santos padres, na liturgia e na piedade popular.
Lembremos que a virgindade de Maria vai muito além de um dado biológico e físico. João Paulo II, na encíclica Redemptoris Mater, em poucas linhas abre um leque extenso: “O fato fundamental de ser a Mãe do Filho de Deus constituiu desde o princípio uma abertura total a sua missão. As palavras ‘Eis a serva do Senhor’ testemunham esta abertura de espírito em Maria, que une em si, de maneira perfeita, o amor próprio da virgindade e o amor característico da maternidade, conjuntos e como que fundidos num só amor” (n. 39).

Fontes:
Fontes Consultadas:
Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana. São Paulo: Loyola. 2000. 310
Com Maria a Mãe de Jesus/ Murilo S.R. Krieger - São Paulo: Paulinas, 2001.
Quem És Tu, Maria?Jean Claude Michel – São Paulo: Ave Maria. 1996.
http://www.divinoespiritosanto.org/serie_maria.htm
www.catequistabrunovelasco.com