segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dogma da Assunção de Maria


Dogma da Assunção de Maria

1. Definição solene do dogma

"Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial". Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na fé divina e católica. Para que chegue ao conhecimento de toda a Igreja esta nossa definição da assunção corpórea da virgem Maria ao céu, queremos que se conservem esta carta para perpétua memória; mandamos também que, aos seus transuntos ou cópias, mesmo impressas, desde que sejam subscritas pela mão de algum notário público, e munidas com o selo de alguma pessoa constituída em dignidade eclesiástica, se lhes dê o mesmo crédito que à presente, se fosse apresentada e mostrada. A ninguém, pois, seja lícito infringir esta nossa declaração, proclamação e definição, ou temerariamente opor-se-lhe e contrariá-la. Se alguém presumir intentá-lo, saiba que incorre na indignação de Deus onipotente e dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo. (Munificentissimus Deus, 44-47)
Os dogmas mariano desenvolveu-se lentamente ao longo de toda história da Igreja e somente a partir da relação de Maria com Cristo, seu Filho.
 Lex orandi, Lex credendi

A fé nos ensina que Maria foi assunta ao céu em corpo e alma, isto é, foi glorificada de forma total e completa. Ela já é o que somos chamados a ser após a ressurreição da carne. Este dogma que fundamentação particular na Tradição e devoção da Igreja, foi o ultimo a ser proferido. De modo que o dogma tem um papel importante em confirmar, educar e proclamar a Fé da Igreja.

2.O que nos diz a Bíblia?
A Bíblia silencia sobre a Assunção de Maria. A Palavra de Deus, que poucos dados nos apresentam para uma biografia mariana, não entra em pormenores sobre o final de sua existência. Há, contudo, algumas passagens que, embora não sejam referências diretas, foram interpretadas pela grande Tradição da Igreja como referentes à sua glorificação:
"Levantai-vos, Senhor, para vir ao vosso repouso, vós e a arca de vossa majestade" (Sl 131(132),8). A arca era o lugar da presença divina e tornou-se imagem de Maria. A primeira arca levou as duas tábuas da Lei; era o símbolo da presença de Deus e, enquanto presença de Deus, era incorruptível. Maria, na qual repousou não um símbolo, mas o próprio Deus, foi glorificada sem conhecer a corrupção.
Apocalipse 12: sobre a mulher vestida de luz, as trevas não têm mais poder. Maria participa da glória do Filho, assim como participou de sua vida, perseguição e morte.
Marcos 9 3,5: Sobre a Transfiguração de Jesus ao qual se encontra Elias e Moises. Ao qual Moisés, a sagrada escritura nos relata que foi sepultado por Deus (Deut. 34, 5-6). E Elias que foi arrebatado pelo carro de Fogo (IIRs. 2, 11)


3. Dormição de Nossa Senhora
Como a morte é a consequência do primeiro pecado, pecado original, e Nossa Senhora foi concebida sem pecado original, não estava sujeita à morte e então, para falar da morte de Nossa Senhora, emprega-se esta expressão de Dormição de Nossa Senhora. 1.
 O Concílio Vaticano II retomou os termos da Bula de definição do dogma da Assunção e afirma :
- A Virgem Imaculada, que fora preservada de toda a mancha da culpa original, terminando o curso da sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma. (LG 59).
Também o Catecismo da Igreja Católica, em referência à Assunção e citando a Liturgia bizantina, diz :
966. - No teu parto guardaste a virgindade e na tua dormição não abandonaste o mundo, ó Mãe de Deus; alcançaste a fonte da vida. Tu que concebeste o Deus vivo e que, pelas tuas orações hás-de livrar as nossas almas da morte. (Tropário da festa da Dormição, 15 de Agosto).
Pio XII, ao definir o dogma da Assunção, não quis negar o fato da morte de Maria, mas apenas não julgou oportuno afirmar solenemente a morte da Mãe de Deus, como verdade que devia ser admitida pelos crentes.
1. Refletindo sobre o destino de Maria e sobre a sua relação com o Filho divino, parece legítimo julgar que Maria de Nazaré teria experimentado na sua carne o fato real da morte.
Dado que Cristo morreu, seria difícil afirmar o contrário no que diz respeito a Maria.
Os santos Padres sempre raciocinaram no sentido de uma morte real de Maria, configurada com a morte de seu Filho, (sem todavia se admitir a corrupção), e a sua glorificação celeste.
2. A Revelação da morte apresenta-se como o castigo do pecado; todavia o fato de a Igreja proclamar Maria liberta do pecado original por singular privilégio da Mãe de Deus, não nos leva a concluir que Ela recebesse também o privilégio da imortalidade corporal.
A Mãe não é superior ao Filho, que assumiu a  morte, dando-lhe novo significado e transformando-a em instrumento de salvação.
Maria pôde assim compartilhar o sofrimento e a morte em vista da Redenção da Humanidade.
3. O Novo Testamento, por sua vez, não oferece qualquer notícia sobre as circunstâncias da morte de Maria.
Este silêncio leva a supor que esta se tenha verificado normalmente sem qualquer pormenor digno de menção.
Quanto aos motivos da morte de Maria, não parecem fundadas as opiniões que lhe quereriam excluir causas naturais.
Mais importante é a busca da atitude espiritual da Virgem no momento da sua despedida deste mundo, como uma morte por amor.
5. No final da sua existência terrena, Maria terá experimentado, como Paulo e mais do que ele, o desejo de se libertar do corpo para estar com Cristo para sempre.
A experiência da morte enriqueceu a pessoa da Virgem : passando pela sorte comum de todos os seres humanos, ela pode exercer com mais eficácia a sua maternidade espiritual em relação àqueles que chegam à hora suprema da vida".
No Oriente e nas Gálias e ainda noutras regiões, a festa principal de Nossa Senhora era, porém, a da sua morte e subida ao céu em corpo e alma, a que( ...) os latinos chamavam ; Dormitio, Transitus, Depositio, Pausatio, Natale ou Assumptio.
Todavia foi esta última que prevaleceu, e isto não está em contradição com o fato da tradição geral de que Nossa Senhora fora levada para o céu em corpo e alma, que já nos vem desde o século VI na Igreja Oriental e em Roma foi adotada no século VII em que o papa Sérgio I ordenou uma procissão solene em honra desta festa tradicional.

4. O que o dogma da Assunção ensina ao homem de hoje?
A definição dogmática diz que Maria foi assunta ao céu. Sua Assunção mostra o valor do corpo humano, templo do Espírito Santo. Também ele é chamado à glorificação. Nosso corpo não nos é dado para ser instrumento do pecado, para a busca do prazer pelo prazer, mas para a glória de Deus.
O dogma da Assunção nos dá uma certeza: Maria já alcançou a realização final. Tornou-se, assim, um sinal para a Igreja que, olhando para ela, crê com renovada convicção nos cumprimentos das promessas de Deus. Também nós somos chamados a estar, um dia, com a Santíssima Trindade. Olhando para o que Deus já realizou em Maria, os cristãos animam-se a lutar contra o pecado e a construir um mundo justo e solidário, para participar, um dia, do Reino definitivo.
Uma mulher já participa da glória que está reservada à humanidade. Nasce, para nós, um desafio: lutar em favor das mulheres que, humilhadas, não têm podido deixar transparecer sua grande vocação. Em Maria, a dignidade da mulher é reconhecida pelo Criador. Quanto nosso mundo precisa caminhar e progredir para chegar a esse mesmo reconhecimento!
É preciso estarmos atentos a um risco: a verdade sobre a Assunção de Maria, sobre sua glorificação antecipada, pode fazer com que passemos a vê-la distante de nós, muito acima de nossa vida e de nossa realidade. Crer na Assunção é proclamar que aquela mulher que deu à luz num estábulo, entre animais, que teve seu coração traspassado, viveu no exílio, foi exaltada por Deus e, por isso mesmo, está muito mais próxima de nós. A Assunção mostra as preferências de Deus por aqueles que são pobres, pequenos e pouco considerados neste mundo.

Fontes Consultadas:
Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana. São Paulo: Loyola. 2000. 310
Com Maria a Mãe de Jesus/ Murilo S.R. Krieger - São Paulo: Paulinas, 2001.
Quem És Tu, Maria?Jean Claude Michel – São Paulo: Ave Maria. 1996.
http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus_po.html.
www.catequistabrunovelasco.com



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