Dogma
da Assunção de Maria
1. Definição solene do dogma
"Pelo que, depois de termos dirigido a Deus
repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para
glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência,
para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da
morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda
a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados
apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e
definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre
virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma
à glória celestial". Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar,
voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que
naufraga na fé divina e católica. Para que chegue ao conhecimento de toda a
Igreja esta nossa definição da assunção corpórea da virgem Maria ao céu, queremos
que se conservem esta carta para perpétua memória; mandamos também que, aos
seus transuntos ou cópias, mesmo impressas, desde que sejam subscritas pela mão
de algum notário público, e munidas com o selo de alguma pessoa constituída em
dignidade eclesiástica, se lhes dê o mesmo crédito que à presente, se fosse
apresentada e mostrada. A ninguém, pois, seja lícito infringir esta nossa
declaração, proclamação e definição, ou temerariamente opor-se-lhe e
contrariá-la. Se alguém presumir intentá-lo, saiba que incorre na indignação de
Deus onipotente e dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo. (Munificentissimus Deus, 44-47)
Os dogmas mariano desenvolveu-se lentamente ao longo
de toda história da Igreja e somente a partir da relação de Maria com Cristo,
seu Filho.
Lex orandi, Lex
credendi
A fé nos ensina que Maria foi assunta
ao céu em corpo e alma, isto é, foi glorificada de forma total e completa. Ela
já é o que somos chamados a ser após a ressurreição da carne. Este dogma que
fundamentação particular na Tradição e devoção da Igreja, foi o ultimo a ser
proferido. De modo que o dogma tem um papel importante em confirmar, educar e
proclamar a Fé da Igreja.
2.O que nos diz a Bíblia?
A Bíblia silencia sobre a Assunção de Maria. A Palavra
de Deus, que poucos dados nos apresentam para uma biografia mariana, não entra
em pormenores sobre o final de sua existência. Há, contudo, algumas passagens
que, embora não sejam referências diretas, foram interpretadas pela grande
Tradição da Igreja como referentes à sua glorificação:
"Levantai-vos, Senhor, para vir ao vosso repouso,
vós e a arca de vossa majestade" (Sl 131(132),8). A arca era o lugar da
presença divina e tornou-se imagem de Maria. A primeira arca levou as duas
tábuas da Lei; era o símbolo da presença de Deus e, enquanto presença de Deus,
era incorruptível. Maria, na qual repousou não um símbolo, mas o próprio Deus,
foi glorificada sem conhecer a corrupção.
Apocalipse 12: sobre a mulher vestida de luz, as
trevas não têm mais poder. Maria participa da glória do Filho, assim como
participou de sua vida, perseguição e morte.
Marcos 9 3,5: Sobre a Transfiguração de Jesus ao qual
se encontra Elias e Moises. Ao qual Moisés, a sagrada escritura nos relata que
foi sepultado por Deus (Deut. 34, 5-6). E Elias que foi arrebatado pelo carro
de Fogo (IIRs. 2, 11)
3.
Dormição de Nossa Senhora
Como a morte é a
consequência do primeiro pecado, pecado original, e Nossa Senhora foi concebida
sem pecado original, não estava sujeita à morte e então, para falar da morte de
Nossa Senhora, emprega-se esta expressão de Dormição de Nossa Senhora. 1.
O Concílio Vaticano II retomou os termos da
Bula de definição do dogma da Assunção e afirma :
- A Virgem Imaculada, que fora preservada de
toda a mancha da culpa original, terminando o curso da sua vida terrena, foi
elevada à glória celeste em corpo e alma. (LG 59).
Também o
Catecismo da Igreja Católica, em referência à Assunção e citando a Liturgia
bizantina, diz :
966. - No teu parto
guardaste a virgindade e na tua dormição não abandonaste o mundo, ó Mãe de
Deus; alcançaste a fonte da vida. Tu que concebeste o Deus vivo e que, pelas
tuas orações hás-de livrar as nossas almas da morte. (Tropário da festa da
Dormição, 15 de Agosto).
Pio XII, ao
definir o dogma da Assunção, não quis negar o fato da morte de Maria, mas
apenas não julgou oportuno afirmar solenemente a morte da Mãe de Deus, como
verdade que devia ser admitida pelos crentes.
1.
Refletindo sobre o destino de Maria e sobre a sua relação com o Filho divino,
parece legítimo julgar que Maria de Nazaré teria experimentado na sua carne o
fato real da morte.
Dado que Cristo
morreu, seria difícil afirmar o contrário no que diz respeito a Maria.
Os santos Padres
sempre raciocinaram no sentido de uma morte real de Maria, configurada com a
morte de seu Filho, (sem todavia se admitir a corrupção), e a sua
glorificação celeste.
2. A
Revelação da morte apresenta-se como o castigo do pecado; todavia o fato de a
Igreja proclamar Maria liberta do pecado original por singular privilégio da
Mãe de Deus, não nos leva a concluir que Ela recebesse também o privilégio da
imortalidade corporal.
A Mãe não é
superior ao Filho, que assumiu a morte, dando-lhe novo significado e
transformando-a em instrumento de salvação.
Maria pôde assim
compartilhar o sofrimento e a morte em vista da Redenção da Humanidade.
3. O Novo
Testamento, por sua vez, não oferece qualquer notícia sobre as circunstâncias
da morte de Maria.
Este silêncio
leva a supor que esta se tenha verificado normalmente sem qualquer pormenor
digno de menção.
Quanto aos
motivos da morte de Maria, não parecem fundadas as opiniões que lhe quereriam
excluir causas naturais.
Mais importante
é a busca da atitude espiritual da Virgem no momento da sua despedida deste
mundo, como uma morte por amor.
5. No
final da sua existência terrena, Maria terá experimentado, como Paulo e mais do
que ele, o desejo de se libertar do corpo para estar com Cristo para sempre.
A experiência da
morte enriqueceu a pessoa da Virgem : passando pela sorte comum de todos os
seres humanos, ela pode exercer com mais eficácia a sua maternidade espiritual
em relação àqueles que chegam à hora suprema da vida".
No Oriente e nas
Gálias e ainda noutras regiões, a festa principal de Nossa Senhora era, porém,
a da sua morte e subida ao céu em
corpo e alma, a que( ...) os latinos chamavam ; Dormitio, Transitus, Depositio, Pausatio, Natale ou Assumptio.
Todavia foi esta
última que prevaleceu, e isto não está em contradição com o fato da tradição
geral de que Nossa Senhora fora levada para o céu em corpo e alma, que já nos
vem desde o século VI na Igreja Oriental e em Roma foi adotada no século VII em
que o papa Sérgio I ordenou uma procissão solene em honra desta festa
tradicional.
4. O que o dogma da Assunção ensina
ao homem de hoje?
A definição dogmática diz que Maria foi assunta ao
céu. Sua Assunção mostra o valor do corpo humano, templo do Espírito Santo.
Também ele é chamado à glorificação. Nosso corpo não nos é dado para ser
instrumento do pecado, para a busca do prazer pelo prazer, mas para a glória de
Deus.
O dogma da Assunção nos dá uma certeza: Maria já
alcançou a realização final. Tornou-se, assim, um sinal para a Igreja que,
olhando para ela, crê com renovada convicção nos cumprimentos das promessas de
Deus. Também nós somos chamados a estar, um dia, com a Santíssima Trindade.
Olhando para o que Deus já realizou em Maria, os cristãos animam-se a lutar
contra o pecado e a construir um mundo justo e solidário, para participar, um
dia, do Reino definitivo.
Uma mulher já participa da glória que está reservada à
humanidade. Nasce, para nós, um desafio: lutar em favor das mulheres que,
humilhadas, não têm podido deixar transparecer sua grande vocação. Em Maria, a
dignidade da mulher é reconhecida pelo Criador. Quanto nosso mundo precisa caminhar
e progredir para chegar a esse mesmo reconhecimento!
É preciso estarmos atentos a um risco: a verdade sobre
a Assunção de Maria, sobre sua glorificação antecipada, pode fazer com que
passemos a vê-la distante de nós, muito acima de nossa vida e de nossa
realidade. Crer na Assunção é proclamar que aquela mulher que deu à luz num
estábulo, entre animais, que teve seu coração traspassado, viveu no exílio, foi
exaltada por Deus e, por isso mesmo, está muito mais próxima de nós. A Assunção
mostra as preferências de Deus por aqueles que são pobres, pequenos e pouco
considerados neste mundo.
Fontes
Consultadas:
Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana.
São Paulo: Loyola. 2000. 310
Com Maria a Mãe de Jesus/ Murilo S.R. Krieger - São
Paulo: Paulinas, 2001.
Quem És Tu, Maria?Jean Claude Michel
– São Paulo: Ave Maria. 1996.
http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus_po.html.
www.catequistabrunovelasco.com
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