segunda-feira, 6 de maio de 2013

Nossa Senhora na Sagrada Escritura


Nossa Senhora na Sagrada Escritura


1. Presença de Maria no Antigo testamento.
Existe um paradoxo na Sagrada Escritura em relação a Presença de Nossa Senhora, encontra-se nesta poucas referência, porém, profundas reflexões. E não deveria ser o contrário, já que Maria se intitula “Humilde serva” (Lc 1, 38). A semelhança da mulher judia, que se dedica fomentar e dar vida a casa (DOMUS). Deus reserva a mulher um papel singular na História da Salvação, será a mulher a companheira do homem (Gên. 2,18-22), a genetriz de novas vidas (Gên. 1,28).
Assim estás características da Mulher aparecerá ao longo da sagrada escritura, o que permite intuir também, a presença de Nossa Senhora de dois modos.

1.1 Figurada: Quando a luz da vida outras enxergou a imagem de Nossa Senhora. Eva (Gên 1-2); Sara (Gên. 17, 15-16); Rebeca (Gên. 27); Tamar (Gên. 38) Rute (RT. 4); Débora (Juí. 4,4), Judite e Ester.
1.2. Predita: Quando por meio dos Profetas Deus nos fala a respeito de Cristo e nos revela a participação de Nossa Senhora.
"Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisar a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar." (Gn 3,15)
E dentre as alusões a nossa Senhora uma idéia, que deve ser contemplado em primeiro lugar está a questão da restauração. Da qual se destaca o livro do profeta Oséias. De modo particular. 
 “Por isso a atrairei, conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração. Dar-lhe-ei as suas vinhas e o vale de Acor, como porta de esperança. Aí ela se tornará como no tempo de sua juventude, como nos dias em que subiu da terra do Egito.  Naquele dia - diz o Senhor - tu me chamarás: Meu marido, e não mais: Meu Baal.  Não lhe deixarei mais na boca os nomes de Baal e ninguém pronunciará tais nomes. Farei para eles, naquele dia, uma aliança com os animais selvagens, as aves do céu e os répteis da terra; farei desaparecer da terra o arco, a espada e a guerra, e os farei repousar com segurança.  Desposar-te-ei para sempre, desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com benevolência e ternura. “ Os 2,16-21
Esta recuperação se dará por meio do Messias, o Rei Salvador. Ao qual será contemplado nas profecias de Samuel, no período de Davi.
“Quando chegar o fim de teus dias e repousares com os teus pais, então suscitarei depois de ti a tua posteridade, aquele que sairá de tuas entranhas, e firmarei o seu reino. Ele me construirá um templo, e firmarei para sempre o seu trono real. Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Se ele cometer alguma falta, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de homens, mas não lhe tirarei a minha graça, como a retirei de Saul, a quem afastei de ti. Tua casa e teu reino estão estabelecidos para sempre diante de mim, e o teu trono está firme para sempre.” (II Sm. 7, 12-14)
Após a queda do Império de Israel, as profecias tornam-se de cunho Messiânico.
"E tu, Belém, chamada Efrata, tu és pequenina entre os milhares de Judá; mas de ti é que me há de sair o Messias, aquele que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade. Por isso Deus os abandonará até ao tempo em que der à luz aquela Virgem que há de dar à luz o Dominador, e então as relíquias de seus irmãos se juntarão aos filhos de Israel." (Mq 5,2-3)
"Pois por isso o mesmo Senhor vos dará este sinal: uma virgem conceberá e dará a luz um filho, e seu nome será Emanuel." (Is. 7,14)
O termo usado em hebraico “almah” jovem mulher. Mas, a versão dos setentas trouxe a
tradução grega de pathernos, ou seja, virgem.
"E o Senhor disse-me: Esta porta estará fechada; não se abrirá, e ninguém passará por ela; porque o Senhor Deus de Israel entrou por esta porta, e ela estará fechada mesmo para o príncipe." (Ez 44,2)
As profecias se revelam também tendo como pano de fundo as cidades.  Sião, Jerusalém e  Israel. Os textos delineiam aspectos fundamentais da Imaculada Conceição. da Virgindade, da Maternidade e de modo alusivo a Assunção  de Maria.  
“Solta gritos de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, ó Israel! Alegra-te e rejubila-te de todo o teu coração, filha de Jerusalém! O Senhor revogou a sentença pronunciada contra ti, e afastou o teu inimigo. O rei de Israel, que é o Senhor, está no meio de ti; não conhecerás mais a desgraça. Naquele dia, dir-se-á em Jerusalém: Não temas, Sião! Não se enfraqueçam os teus braços! O Senhor teu Deus está no meio de ti como herói Salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e te renova seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito. como num dia de festa. Suprimirei os que te feriram, tirarei a vergonha que pesa sobre ti.” (Sof. 3,14-18)
“Solta gritos de alegria, regozija-te, filha de Sião. Eis que venho residir no meio de ti - oráculo do Senhor.” (Zc. 2,14)
“Escutai esse tumulto que se levanta da cidade, esse barulho que vem do templo. Escutai, é o Senhor que trata seus inimigos como o merecem. Antes da hora ela deu à luz, antes de sentir as dores, deu à luz um filho. Quem jamais ouviu tal coisa, quem jamais viu coisa semelhante? É possível um país nascer num dia? Pode uma nação ser criada repentinamente? Desde as primeiras dores Sião deu à luz seus filhos.  Para que não desse à luz abriria eu o seio materno?, diz o Senhor. Eu que dou a fecundidade, o fecharia?, diz teu Deus.” (Is. 66, 6-9)
“Dá gritos de alegria, estéril, tu que não tens filhos; entoa cânticos de júbilo, tu que não dás à luz, porque os filhos da desamparada serão mais numerosos do que os da mulher casada, declara o Senhor. Amplia o espaço da tua tenda, desdobra sem constrangimento as telas que te abrigam, alonga tuas cordas, consolida tuas estacas,  pois deverás estender-te à direita e à esquerda; teus descendentes vão invadir as nações, povoar as cidades desertas. Nada temas, não serás desapontada. Não te sintas perturbada, não terás do que te envergonhar, porque vais esquecer-te da vileza de tua mocidade. Já não te lembrarás do opróbrio de tua viuvez, pois teu esposo é o teu Criador: chama-se o Senhor dos exércitos; teu Redentor é o Santo de Israel: chama-se o Deus de toda a terra. Como uma mulher abandonada e aflita, eu te chamo. Pode-se repudiar uma mulher desposada na juventude? - diz o Senhor teu Deus.” (Is. 54, 1-3)

3. Nossa Senhora Novo Testamento
Evangelho de Mateus.
O Evangelho de Mateus faz poucas referências a Nossa senhora. Destaca-se pela narração da Genealogia. Ao qual que de modo incomum acrescenta quatro mulheres: Tamar, Rute, Raquel e Betsabé. Por fim descreve que Jesus filho de Maria , não como de costume de José.
“Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.” (Mt. 1,16)
“Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo.” (Mt. 1-18)
“Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram” (Mt. 2,11)

Evangelho de Marcos
O Evangelho de Marcos é dado como o primeiro evangelho escrito e não traz nenhuma referência em relação ao Nascimento de Jesus. Apenas no sexto capitulo.
“Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito.” (Mc. 6,3)
De um modo particular a profissão de carpinteiro de Jesus ganha destaque. Mas, deve-se observar que a expressão carpinteiro só ganha força no sec. XII, o termo original é “Teknon”, artesão.  Ao qual nos permite compreender a questão espiritual desta profissão. O artesão, aquele que retira de dentro, o que faz da matéria prima arte. O artista primeiro do mundo é Deus. Que faz o homem do barro, que da forma o que está disforme. (Gên.1).
Existe outro texto em marcos que cita a Mãe de Jesus, porém, não explicitamente o nome Maria. Não existe nenhum problema neste fato de modo particular, mas, o contexto de toda a cena exige um olhar cuidados, para equívocos  na compreensão e intenção do texto.
“Jesus falava assim porque tinham dito: "Ele tem um espírito imundo." Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo. Ora, a multidão estava sentada ao redor dele; e disseram-lhe: "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram." Ele respondeu-lhes: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?" E, correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: "Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe." (Mc. 3, 30-35)
Evangelho de Lucas
Passou para História com o terceiro evangelho a ser escrito e é o que traz mais referencias sobre Nossa Senhora. Os dois primeiro capítulos reúnem a experiência da natividade de Nossa Senhor e depois a infância de Jesus.  Depois, Maria será citada em (Lc. 8,9-12), já citada nos evangelhos de Marcos e Mateus.
Mas, toda compreensão da missão e papael de Nossa Senhora se dá de modo fundamental na Anunciação
“No entanto, o povo estava esperando Zacarias; e admirava-se de ele se demorar tanto tempo no santuário. Ao sair, não lhes podia falar, e compreenderam que tivera no santuário uma visão. Ele lhes explicava isto por acenos; e permaneceu mudo. Decorridos os dias do seu ministério, retirou-se para sua casa. Algum tempo depois Isabel, sua mulher, concebeu; e por cinco meses se ocultava, dizendo:  Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens. No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível. Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.” (Lc. 1, 21-38)
A narrativa da anunciação tem um estilo profético (cof. Jui. 6, 11-27, Is. 6, Jr.1 e Ez 2, 1-10).
Mas o melhor texto a ser colocado em paralelo é o texto da Tentação (Gên. 3)
O diálogo entre Maria e o Anjo Gabriel, tendo como ponto fundamental “A Vontade de Deus” em relação direta ao dialogo de Eva com a serpente (Diabo, anjo decaído) onde o ponto fundamental e a desobediência.
A narrativa após o nascimento de Jesus e visita dos pastores e Anjos Lucas traz a imagem discreta de Maria.
“Guardava tudo no Coração.” (Lc 2, 19)
Frase quês e repetirá no contexto de mãe e mestra de Jesus.
“Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.” (Lc. 2, 51)
Talves em virtude disto Lucas não registrara a presença de Maria na crucifixão, talvez por já ter previsto toda a dor de Maria junto a Ana e Simeão. “Uma espada de dor traspassára o seu coração” (Lc. 2,35)
Evangelho de João
Em sua profundidade João nos traz dois momentos aos quais Nossa Senhora se faz presente. Nas Bodas de Cana e no Calvário. O primeiro que Inaugura e o segundo que conclui. Nestes dois momentos Nossa Senhora será chamada por  Jesus de “Mulher”.
Deve-se ter clara a linguagem simbólica, neste caso se faz referencia a Maria, como a Nova Eva.
"E, faltando o vinho, a Mãe de Jesus disse-Lhe: Não têm vinho." (Jo 2,3)
A resposta de Jesus traz um semitismo, só compreendido a luz de uma tradução que mantenha o espírito da língua.
“O que interessa a mim, ou a ti?”
"Disse Sua Mãe aos que serviam: Fazei tudo que Ele vos disser." (Jo 2,5)
No texto referente ao Calvário recupera-se a imagem de perseverança e amo. Mesmo não compreendendo e sofrendo as dores da morte do Filho Maria continua ali.
"Entretanto, estavam de pé junto à Cruz de Jesus Sua Mãe,..."(Jo 19,25)
"Jesus, pois, tendo visto sua Mãe e o discípulo que Ele amava, o qual estava presente, disse a Sua Mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua Mãe. E, desta hora por diante, a levou o discípulo para sua casa." (Jo 19, 26-27)

Fontes
ALMEIDA, T. M. C. Vozes da mãe do silêncio. São Paulo: Attar Editorial. 2003.
AUTRAN, A. M. Maria na Bíblia. São Paulo: Ave Maria. 1992.
Com Maria a Mãe de Jesus/ Murilo S.R. Krieger - São Paulo: Paulinas, 2001.
Quem És Tu, Maria?Jean Claude Michel – São Paulo: Ave Maria. 1996.
Bíblia de Jerusalém – São Paulo: Paulos-2002


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